Energia

Problema portuário leva a monitoramento diário do carvão de Angamos e abre revisão sobre Cochrane

O Coordenador Elétrico Nacional intensifica o monitoramento do abastecimento de carvão da usina Angamos diante de problemas no porto de Mejillones que podem afetar a geração de energia.

Problema portuário leva a monitoramento diário do carvão de Angamos e abre revisão sobre Cochrane

O Coordenador Elétrico Nacional exigiu a atualização dos estoques, a avaliação de rotas alternativas de abastecimento e a definição dos prazos para a recuperação das instalações portuárias em Mejillones, a fim de prevenir eventuais problemas de geração.

O Coordenador Elétrico Nacional intensificou o monitoramento do abastecimento de carvão da usina termelétrica Angamos, ligada à AES Andes, devido a dificuldades nas operações de descarga do Terminal Graneles del Norte (TGN), localizado em Mejillones, na Região de Antofagasta. A solicitação, divulgada em 20 de outubro de 2026, estabelece novas obrigações de prestação de informações para antecipar eventuais problemas de abastecimento de combustível que possam comprometer a disponibilidade de geração de energia elétrica.

A medida prevê a atualização de informações até quarta-feira, 21 de outubro, e o envio de relatórios diários a partir desta quinta-feira, 22. O monitoramento deverá ser mantido enquanto persistir a contingência portuária e houver risco de esgotamento dos estoques.

Embora a intervenção responda a uma situação operacional que exige atenção, isso não significa que a usina esteja atualmente sem abastecimento nem que tenham ocorrido interrupções no fornecimento de energia elétrica. O objetivo é reunir informações suficientes para avaliar diferentes cenários e adotar medidas preventivas.

Coordenador quer saber quanto carvão resta e quando os estoques podem acabar

Um dos pontos centrais da solicitação é a atualização das projeções de estoque de carvão disponível para a operação de Angamos.

A empresa deverá informar as datas em que podem ocorrer eventuais faltas de estoque, quanto tempo essas situações durariam e quais condições permitiriam recuperar os níveis de abastecimento necessários.

As estimativas deverão considerar o consumo projetado, as possibilidades de reposição, a disponibilidade efetiva de combustível e as restrições operacionais das unidades geradoras.

O órgão também solicitou uma avaliação das misturas de carvão previstas para a operação, com indicação das proporções, da viabilidade técnica e da autonomia de geração.

Essas informações são relevantes porque o carvão não é um combustível totalmente uniforme. Suas características podem variar conforme a origem, a composição e o poder calorífico; por isso, as alternativas de abastecimento devem ser compatíveis com as exigências técnicas das instalações.

Além disso, a empresa terá de identificar as mudanças em relação às projeções anteriores e explicar os motivos que alteraram os cenários de abastecimento.

Recuperação dos guindastes e retomada das operações portuárias

Outro ponto importante é a situação do Terminal Graneles del Norte, infraestrutura utilizada para receber os carregamentos de carvão destinados ao complexo termelétrico de Mejillones.

O Coordenador solicitou informações sobre as inspeções técnicas realizadas, os riscos associados aos reparos, as autorizações pendentes e os trabalhos necessários para retomar as operações de descarga.

A empresa também deverá apresentar um cronograma atualizado para a recuperação dos guindastes do terminal, detalhar as mudanças em relação aos planejamentos anteriores e esclarecer se as intervenções nos dois equipamentos podem ser realizadas simultaneamente.

Essas informações permitirão determinar quando a movimentação de carvão poderá ser retomada e qual será a capacidade operacional.

A recuperação do porto não depende apenas da conclusão dos reparos. Também é necessário verificar se há condições técnicas e de segurança para retomar as operações de descarga.

O terminal já havia enfrentado dificuldades em 2026. Em fevereiro, a Empresa Eléctrica Angamos informou ao Coordenador que suspenderia a descarga de um navio após a detecção de uma rachadura na laje do cais, junto à base de um guindaste. Na ocasião, foi avaliada a possibilidade de operar temporariamente com capacidade reduzida.

Esse antecedente mostra que já houve restrições portuárias, embora as informações disponíveis não permitam afirmar que a contingência de outubro tenha exatamente a mesma origem.

Alternativas para receber carvão e evitar problemas de geração

Enquanto trabalha para recuperar a capacidade de descarga, o Coordenador exige informações sobre as medidas disponíveis para manter o abastecimento.

Entre as alternativas a serem avaliadas estão o uso de outras instalações portuárias e a compra de carvão armazenado por terceiros.

Para cada opção, Angamos deverá informar o estágio de andamento, os volumes disponíveis ou já comprometidos, as condições necessárias para implementá-la e as datas estimadas de chegada do combustível à usina.

A análise também inclui os carregamentos pendentes de descarga, as próximas chegadas de navios e eventuais alterações no Programa Anual de Entregas.

A solicitação inclui ainda uma alternativa operacional relacionada a possíveis remanejamentos de carvão entre as usinas Angamos e Cochrane, ambas ligadas à AES Andes.

No entanto, a inclusão dessas medidas não significa que já existam acordos definitivos para usar outros portos, comprar combustível adicional ou redistribuir estoques.

Por isso, o Coordenador pediu que a empresa diferencie expressamente as ações já implementadas daquelas que ainda estão em avaliação.

Angamos e Cochrane: duas usinas com mais de 1.100 MW de capacidade instalada

A contingência ganha relevância diante das características do complexo termelétrico localizado em Mejillones.

Angamos tem duas unidades de geração a carvão, que começaram a operar em 2011 e somam aproximadamente 558 megawatts (MW) de capacidade instalada.

Cochrane, que iniciou suas operações em 2016, conta com outras duas unidades, com capacidade total de 550 MW.

No total, as duas usinas somam cerca de 1.108 MW de potência instalada, embora esse número não represente necessariamente a geração fornecida ao Sistema Elétrico Nacional em determinado momento.

As instalações fazem parte da infraestrutura termelétrica do norte do Chile e compartilham uma cadeia logística de abastecimento de combustível ligada ao Terminal Graneles del Norte.

A situação também ocorre em meio ao processo de descarbonização da matriz elétrica chilena.

A AES Andes havia se comprometido a disponibilizar as unidades Angamos para desativação antecipada a partir de 2025, desde que as condições de segurança e suficiência do sistema permitissem.

Posteriormente, em seus estudos de planejamento de dezembro de 2025, a Comissão Nacional de Energia considerou outubro de 2030 como data de referência para a desativação das duas unidades. Essa data é uma premissa técnica sujeita a atualização, e não um cronograma definitivo de fechamento.

Esse contexto explica por que a disponibilidade de combustível nas usinas termelétricas continua sendo uma variável relevante para o planejamento elétrico, mesmo com o avanço da incorporação de fontes renováveis e sistemas de armazenamento.

Quais riscos o Coordenador Elétrico busca prevenir

A principal preocupação é determinar se as restrições portuárias poderiam reduzir a autonomia de geração de Angamos antes da normalização da chegada de novas cargas.

Uma eventual redução dos estoques disponíveis poderia levar à revisão dos programas de operação das unidades envolvidas.

No entanto, os efeitos concretos dependeriam de diversos fatores, entre eles a duração das restrições, os estoques utilizáveis, as alternativas logísticas e as necessidades de despacho do sistema elétrico.

A existência de uma contingência no abastecimento de combustível não equivale automaticamente a uma emergência elétrica nem implica necessariamente cortes de energia para os consumidores.

O Coordenador deverá avaliar as informações no exercício de sua função de preservar a segurança e a continuidade operacional do Sistema Elétrico Nacional.

Começa o acompanhamento diário; dados decisivos ainda estão pendentes

A partir desta quinta-feira, 22 de outubro, a Empresa Elétrica Angamos deverá fornecer diariamente informações atualizadas sobre seus estoques e os cenários de eventual esgotamento de combustível.

Os relatórios deverão incluir as condições projetadas de operação, as misturas de carvão tecnicamente utilizáveis e a autonomia estimada das unidades.

As informações divulgadas ainda não permitem definir uma data para a normalização das descargas, nem quantificar quanto carvão está atualmente disponível ou por quantos dias esses estoques poderiam garantir a operação.

Também não comprovam que as alternativas de abastecimento em análise tenham sido concretizadas.

Por enquanto, a exigência do Coordenador estabelece um controle mais rigoroso da evolução da contingência em Mejillones. As próximas informações técnicas serão decisivas para determinar se a recuperação das operações portuárias e as medidas logísticas serão suficientes para manter o abastecimento de combustível ou se será necessário ajustar o planejamento da geração elétrica.