
Ojos del Salado, na fronteira entre Chile e Argentina, é considerado um vulcão ativo por causa das evidências geológicas de atividade durante o Holoceno e das manifestações fumarólicas, além da sismicidade registrada em uma campanha de 2024. Um estudo publicado em 2026 acrescentou registros sísmicos locais a esse quadro: ao longo de 22 dias de medições, detectou centenas de eventos nas proximidades do cume e na encosta oeste. Os autores interpretam parte dessa atividade como compatível com a circulação de fluidos hidrotermais e, possivelmente, com fusão parcial em profundidade — não como prova de uma erupção iminente.
A altitude também varia conforme a fonte: o título reproduz os 6.893 metros informados no material de referência, enquanto o Programa Global de Vulcanismo do Smithsonian registra 6.879 metros e um artigo científico recente cita 6.887 metros. A variação não altera sua posição entre os vulcões mais altos do planeta, mas é importante distingui-la das evidências que sustentam sua classificação.
O Holoceno e as fumarolas sustentam a classificação como ativo
O registro do Smithsonian situa a última erupção conhecida por volta do ano 750, com margem de incerteza de 250 anos. A reconstrução geológica descreve uma erupção explosiva que produziu fluxos piroclásticos com pedra-pomes, além de atividade eruptiva posterior que teria formado domos de lava, cones e crateras. São evidências de atividade em tempos geológicos recentes, embora não correspondam a uma erupção documentada por testemunhas.
Por outro lado, o Smithsonian não registra erupções históricas confirmadas. A emissão de vapor observada perto do cume em 1993 é descrita como um episódio incerto: houve um relato de gases e cinzas, mas ele não foi confirmado. O vulcão apresenta fumarolas persistentes e emissões de vapor e gases, sinais de que o sistema ainda conserva calor. Sozinhos, esses indícios não permitem prever quando ocorrerá uma futura erupção nem determinar se o magma está subindo.
A distinção fundamental é temporal: “ativo” descreve um vulcão com atividade eruptiva no Holoceno — os últimos cerca de 12.000 anos — ou com indícios de atividade, não necessariamente um vulcão em erupção ou sob alerta imediato. Em uma análise de 2024 citada pelo estudo, os critérios para classificar vulcões como ativos ou potencialmente ativos incluem erupções recentes e sinais de inquietação, como sismicidade, deformação do terreno e fumarolas.
Uma rede de 29 instrumentos registrou 345 sismos locais
As evidências instrumentais vêm do artigo “Ojos del Salado: how active is this sleeping giant?”, de L. Murray-Bergquist e coautores da Vrije Universiteit Amsterdam, da Kiel University, da Universidad de Atacama e do Serviço Sismológico Suíço. O trabalho foi publicado em 14 de março de 2026 na revista Geophysical Journal International. Para medir a atividade local, a equipe instalou 29 geofones de três componentes, com frequência de amostragem de 400 Hz, nas encostas do vulcão em território chileno. A cobertura foi limitada pela topografia e pelo acesso ao terreno.
Entre 6 e 27 de fevereiro de 2024, os instrumentos registraram 345 eventos locais. Desses, 152 puderam ser localizados novamente com precisão suficiente. A maioria se concentrou sob o cume e na encosta oeste, e um grupo menor foi identificado ao norte. Os sismos localizados nesses dois grupos tiveram magnitudes locais de até 2,8. Em 8 de fevereiro, também ocorreu uma sequência sísmica de cerca de 35 minutos ao norte do cume.
Os pesquisadores associam o grupo do cume a fluidos hidrotermais e consideram possível a existência de fusão parcial em profundidade. Para a sequência ao norte, levantam outra hipótese: as chuvas intensas dos dias anteriores podem ter aumentado a pressão dos fluidos nas fraturas e contribuído para desencadeá-la. Trata-se de uma interpretação, não de uma causa comprovada; os dados mostram sismos e padrões de falhas, mas não permitem observar diretamente o movimento do magma.
A campanha foi curta e não comprova que uma erupção esteja próxima
O próprio estudo ressalta que 22 dias de registros não são suficientes para determinar o nível habitual de sismicidade. Esse intervalo pode corresponder a um período normal, a um aumento da atividade ou a uma fase de baixa atividade; os autores observam que medições contínuas por mais de um ano forneceriam um panorama mais representativo. Eles também lembram que um estudo por satélite realizado em 2004 não detectou deformação mensurável do vulcão, embora esse resultado, por si só, não permita determinar seu estado atual.
A classificação de Ojos del Salado se baseia, portanto, em evidências de duas escalas: depósitos e formas vulcânicas que documentam erupções no Holoceno, além de sinais de calor e da sismicidade registrada durante a campanha de 2024. Ainda há incertezas sobre a frequência e a origem exata de parte dos sismos, bem como sobre o quanto essas três semanas representam o comportamento habitual do vulcão.









