
O Everest supera o Chimborazo em altitude em relação ao nível médio do mar, mas não em distância ao centro da Terra. A diferença se explica pela forma do planeta: o raio terrestre é maior na região equatorial, onde fica o vulcão equatoriano. Segundo a NOAA, o cume do Chimborazo está 2.072 metros mais distante do centro da Terra do que o do Everest.
A comparação envolve duas medições diferentes. A altitude em relação ao nível do mar usa como referência o nível médio dos oceanos; a distância geocêntrica é medida do centro do planeta até o cume. Pelo primeiro critério, o Everest vence, com 8.848,86 metros; pelo segundo, o Chimborazo. Não há contradição: o ponto de partida da medição é diferente.
O Everest vence em relação ao nível do mar; o Chimborazo, a partir do centro da Terra
O Instituto Geofísico da Escola Politécnica Nacional (IG-EPN) registra para o Chimborazo uma altitude de 6.263 metros acima do nível do mar e o localiza a 1,467° de latitude sul. A NOAA divulga outra altitude, de 6.268 metros, e situa o cume perto de um grau ao sul do equador. Os números variam conforme a fonte; a comparação de distâncias ao centro divulgada pela NOAA aponta uma vantagem de 2.072 metros para o vulcão equatoriano.
A explicação não é que a montanha equatoriana seja mais alta do que o Everest em relação ao nível do mar. É que o terreno sob ela já está mais distante do centro da Terra. A rotação do planeta provoca um abaulamento na região equatorial e um achatamento nos polos: a Terra se parece mais com um esferoide oblato do que com uma esfera perfeita. Por isso, somar a altitude de um cume à distância local até o centro pode produzir um resultado diferente daquele obtido ao comparar apenas as altitudes em relação ao nível do mar.
O raio equatorial supera o polar em mais de 21 quilômetros
As dimensões do modelo terrestre WGS84, usado em geodésia, dão a dimensão desse abaulamento: o raio equatorial é de 6.378,137 quilômetros e o polar, de 6.356,752 quilômetros. A diferença entre os dois é de cerca de 21,4 quilômetros. Esse número não representa a vantagem do Chimborazo sobre o Everest; descreve a variação do raio da Terra entre o equador e os polos. A distância relativa entre os dois cumes também depende de suas altitudes e latitudes.
Em termos físicos, a rotação da Terra contribui para que a matéria se distribua com maior abaulamento ao redor do equador. Nessa região, a superfície fica mais distante do centro do que em latitudes mais altas. Como o Chimborazo está quase sobre essa faixa, parte com essa vantagem geométrica; o Everest fica bem mais ao norte. Sua maior altitude em relação ao nível do mar não é suficiente para compensar a diferença no raio associada à latitude.
GPS instalado no cume buscou medir a posição com precisão centimétrica
Em 5 de fevereiro de 2016, uma equipe do IG-EPN, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento da França (IRD) e do Instituto Geográfico Militar do Equador instalou um GPS de alta precisão no cume. O grupo permaneceu no local por mais de duas horas, fazendo medições. O IG-EPN explicou que o objetivo era determinar, com precisão centimétrica, a distância entre o centro da Terra e o topo; em sua nota, o instituto não divulgou um resultado numérico detalhado nem o processamento utilizado.
A descrição institucional do trabalho permite diferenciar essa campanha de uma publicação científica com método e resultados completos: a fonte disponível identifica as instituições participantes, a data, o instrumento e o tempo de observação, mas não informa coordenadas processadas, modelo geodésico nem margem de erro final. Por isso, o número de 2.072 metros é atribuído à comparação divulgada pela NOAA, e não é apresentado como resultado numérico publicado pela equipe da expedição.
O recorde geocêntrico tampouco significa que o Chimborazo seja a montanha mais alta sob qualquer definição. Se o critério for a altitude em relação ao nível do mar, o Everest continua em primeiro; se a medição for feita a partir do centro da Terra, a vantagem muda por causa da forma oblata do planeta e da localização equatorial do vulcão equatoriano.






