Pesquisa Mineral

Peru: Xali Gold solicita licença ambiental e contrata perfuração de 3.000 metros no projeto aurífero Pico Machay

A Xali já prepara a logística para perfurar em Pico Machay, mas a mobilização ainda depende da aprovação ambiental.

Peru: Xali Gold solicita licença ambiental e contrata perfuração de 3.000 metros no projeto aurífero Pico Machay

A mineradora canadense pretende iniciar as perfurações em novembro de 2026, na região de Huancavelica. O programa permitirá verificar recursos históricos e avançar na avaliação econômica preliminar de um de seus principais ativos de ouro.

A canadense Xali Gold Corp. avançou em duas frentes no desenvolvimento do projeto aurífero Pico Machay, localizado na região de Huancavelica, no Peru. A empresa apresentou ao Ministério de Energia e Minas (MINEM) um pedido de licença ambiental para realizar perfurações e assinou contrato com a empresa especializada GEMA para executar uma campanha inicial de 3.000 metros de sondagem diamantada.

O protocolo da Ficha Técnica Ambiental (FTA), em 26 de outubro de 2026, dá início à análise administrativa do programa de exploração. Já a contratação dos serviços de perfuração prepara o projeto para uma possível mobilização de equipamentos nas primeiras semanas de novembro.

O plano prevê o uso de duas sondas de perfuração, com furos individuais de aproximadamente 150 a 300 metros de profundidade. A execução depende da obtenção das licenças necessárias.

A iniciativa faz parte da estratégia da Xali Gold para atualizar os recursos minerais históricos de Pico Machay e reunir informações para uma avaliação econômica preliminar que permita definir as alternativas de lavra.

Perfurações vão buscar confirmar o potencial aurífero de Pico Machay

A primeira campanha prevê cerca de 3.000 metros de sondagem diamantada, dos quais 2.000 metros serão destinados à verificação de resultados históricos obtidos por meio de perfurações por circulação reversa.

Os trabalhos incluem a reprodução de cerca de 10% das sondagens históricas realizadas na área de recursos já identificada.

O objetivo é comparar as interseções antigas com novos dados geológicos e analíticos, aprimorar a interpretação do depósito e determinar a continuidade da mineralização aurífera.

O programa também permitirá obter testemunhos de rocha para estudos posteriores de caracterização mineralógica e avaliação do comportamento do material.

O pedido de licença ambiental apresentado pela Xali Gold tem escopo mais amplo que a campanha inicial: prevê autorização para realizar até 20.000 metros de perfuração, distribuídos em 20 plataformas.

Isso dá margem para futuras etapas de definição de recursos e exploração de áreas que ainda não foram suficientemente investigadas.

No entanto, os 20.000 metros correspondem ao limite máximo solicitado no instrumento ambiental e não representam um programa cuja execução integral esteja confirmada.

GEMA ficará responsável pelas sondagens diamantadas

A empresa selecionada para executar as perfurações é a Geologia Estudios Medio Ambientales Drilling & Construction S.R.L. (GEMA), contratada especializada em sondagem diamantada e geotécnica no Peru.

O acordo prevê o uso de duas sondas preparadas para trabalhar com testemunhos de diâmetro HQ, formato amplamente utilizado na exploração mineral pela qualidade e quantidade de amostra que permite recuperar.

A GEMA tem experiência em operações em grandes altitudes e em diferentes ambientes geográficos do Peru.

Entre os projetos em que a equipe atuou estão Santo Domingo, da Fresnillo Perú; Sinaycocha, Santa Rosa e El Porvenir, associados à Nexa Resources; e operações como Tantahuatay e La Zanja, da Buenaventura.

Parte da equipe também participou de trabalhos de perfuração em La Arena e Shahuindo, projetos nos quais o atual gerente de Exploração da Xali Gold, Wilder García, atuou como supervisor.

A experiência da contratada é um fator operacional relevante diante das condições geográficas da Cordilheira Ocidental dos Andes, onde fica Pico Machay.

O contrato permitirá preparar equipamentos, equipe e logística, mas o início efetivo das sondagens dependerá da licença ambiental.

Análise ambiental pode liberar perfurações em novembro

O protocolo da FTA é uma etapa administrativa necessária para avançar com os trabalhos de exploração.

A Xali Gold estima que a análise do processo possa ser concluída em aproximadamente 10 dias após o protocolo. Esse prazo é indicativo e dependerá de eventuais observações da autoridade peruana.

O processo ambiental foi precedido por uma reunião informativa realizada em 7 de outubro de 2026 com integrantes da Comunidade Campesina de Salcca Santa Ana.

A atividade contou com a participação de representantes do Ministério de Energia e Minas e permitiu discutir o escopo das perfurações propostas.

A documentação oficial sobre a participação na reunião era um dos documentos pendentes para formalizar o pedido de licença ambiental.

Com esse requisito cumprido, a empresa protocolou o processo para análise.

Embora a expectativa seja iniciar as perfurações no começo de novembro, a licença ainda não havia sido aprovada no momento do anúncio.

Eventuais pedidos de informações complementares ou mudanças no programa podem alterar o cronograma previsto.

Projeto aurífero tem histórico de desenvolvimento a céu aberto

Pico Machay está localizado na faixa epitermal de ouro e prata do sul do Peru, em um distrito mineiro da Cordilheira Ocidental com histórico de exploração e desenvolvimento de jazidas de metais preciosos.

O projeto conta com recursos minerais históricos e diversos alvos de exploração que ainda não foram totalmente investigados.

Em etapas anteriores, foram realizados estudos de engenharia para avaliar uma possível operação a céu aberto, com processamento por lixiviação em pilhas.

Os trabalhos técnicos realizados até 2009 consideraram um cenário de preço de longo prazo do ouro de US$700 por onça, referência utilizada naquele período para avaliar alternativas de lavra.

No entanto, essas análises precisarão ser atualizadas com base nas novas condições de mercado, nos custos operacionais, nos requisitos ambientais e nos parâmetros técnicos.

As informações históricas servem de base para futuras pesquisas, mas não substituem uma estimativa atualizada de recursos minerais nem comprovam, por si só, a viabilidade econômica de uma futura mina.

Essa diferença é fundamental para determinar o estágio real do projeto e suas necessidades de financiamento.

Atualização de recursos será decisiva para avaliar o investimento

Um dos principais objetivos da campanha será gerar informações suficientes para atualizar a estimativa de recursos minerais com base nos critérios técnicos atuais.

A companhia pretende desenvolver posteriormente uma Avaliação Econômica Preliminar (PEA), instrumento que permite analisar cenários conceituais de lavra e processamento.

O estudo deverá considerar fatores como a geometria do depósito, a distribuição dos teores, a recuperação metalúrgica, os custos de extração, a infraestrutura e a sensibilidade às variações do preço do ouro.

Também será importante avaliar o volume de material estéril que eventualmente precisará ser removido para acessar a mineralização.

Em projetos de ouro a céu aberto, a relação estéril/minério pode influenciar significativamente os custos de extração.

A avaliação de alternativas de lixiviação em pilhas também exigirá dados metalúrgicos que permitam estimar a recuperação, o consumo de reagentes e o comportamento do minério.

Até o momento, a Xali Gold não confirmou o investimento total para construir uma eventual operação comercial em Pico Machay nem uma data definitiva para iniciar a produção.

Por isso, a campanha de sondagem é uma etapa para reduzir as incertezas geológicas, e não uma decisão formal de construção de uma mina.

Oportunidades para fornecedores e serviços especializados em Huancavelica

A retomada das atividades de exploração em Pico Machay pode gerar demanda por serviços especializados de sondagem, logística, transporte, análises laboratoriais e apoio técnico.

A contratação da GEMA representa a primeira decisão concreta relacionada à execução do programa.

Além das sondagens, as atividades de exploração exigem apoio em geologia de campo, preparação de plataformas, manuseio de amostras, segurança operacional e gestão ambiental.

A dimensão dessas demandas dependerá do cronograma aprovado e da continuidade dos investimentos.

Para Huancavelica, região com histórico de atividade mineradora, o avanço de novos projetos representa uma oportunidade potencial de participação para empresas locais e trabalhadores especializados.

No entanto, ainda não há um número confirmado de empregos diretos ou indiretos associados à campanha.

A continuidade do projeto também exigirá a manutenção de canais de comunicação com as comunidades da área de influência e o cumprimento das obrigações ambientais previstas na legislação peruana.

O ouro e a exploração mineral nos Andes

Pico Machay integra uma carteira de projetos latino-americanos que buscam recuperar valor com base em informações geológicas históricas e novas campanhas de exploração.

Iniciativas desse tipo são relevantes porque permitem reavaliar depósitos pesquisados em períodos anteriores, com metodologias de estimativa de recursos e critérios econômicos atualizados.

No entanto, a possibilidade de avançar para uma operação comercial depende de fatores que vão além da cotação internacional do ouro.

A disponibilidade de infraestrutura, as condições metalúrgicas, o acesso a financiamento, as licenças ambientais e o relacionamento com as comunidades são fatores que podem determinar a viabilidade de um investimento em mineração.

No caso da Xali Gold, a contratação de uma empresa de sondagem e o protocolo do pedido ambiental permitem preparar uma nova etapa de pesquisa em Pico Machay.

O próximo passo será obter a autorização do Ministério de Energia e Minas do Peru e iniciar, em novembro de 2026, os 3.000 metros de sondagem previstos.

Os resultados dessa campanha serão determinantes para atualizar os recursos históricos, definir prioridades de exploração e avançar para uma avaliação econômica que permita conhecer com mais precisão as perspectivas de desenvolvimento do projeto aurífero.