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Neste parque do Arkansas, você pode encontrar um diamante e ficar com ele

No campo de busca, qualquer visitante pode vasculhar o solo, mas encontrar uma pedra depende de mais do que sorte.

Neste parque do Arkansas, você pode encontrar um diamante e ficar com ele

No Crater of Diamonds State Park, perto de Murfreesboro, no Arkansas, o público pode procurar diamantes em um campo de 37 acres e ficar com os minerais que encontrar. Não se trata de uma mina comercial aberta à visitação, mas da superfície erodida de uma antiga estrutura vulcânica, onde a geologia deixou diamantes expostos no solo e entre fragmentos de rocha. Para entrar na área, é preciso comprar um ingresso; o parque permite levar ferramentas próprias ou alugá-las no local.

A atividade tem uma condição importante: encontrar uma pedra não depende apenas de escavar. Também é preciso saber reconhecê-la. Os diamantes brutos do local costumam ser pequenos, arredondados e ter um brilho um tanto oleoso; não se parecem necessariamente com as gemas lapidadas de uma joalheria. O guia do Serviço Geológico do Arkansas informa que muitas pedras são menores que a borracha de um lápis e podem ter cores variadas.

A erosão expôs o conduto vulcânico de Prairie Creek

A origem do depósito está no conduto de Prairie Creek, uma estrutura vulcânica do período Cretáceo, formada por atividade explosiva. O magma e os gases subiram do manto, incorporaram fragmentos de rocha ao longo do percurso e levaram material à superfície. Os diamantes se formaram muito antes, sob as condições de pressão e temperatura do manto, e depois foram transportados por esse sistema vulcânico.

A erosão completou o processo: removeu parte da estrutura e expôs rochas com diamantes e solos derivados delas. No parque, o terreno de busca é arado periodicamente; o revolvimento do solo volta a expor o material e explica por que é possível encontrar pedras na superfície. Isso não significa que todo o terreno tenha a mesma concentração: o Serviço Geológico alerta que os diamantes são raros em solos formados a partir de lamproíto magmático e que a abundância em algumas unidades rochosas ainda é desconhecida.

O relatório geológico Geology of the Crater of Diamonds State Park and Vicinity, Pike County, Arkansas, de J. Michael Howard e W. D. Hanson, foi publicado pelo Arkansas Geological Survey em 2008. O documento não apresenta um experimento de busca para visitantes: reúne informações sobre a geologia local, mapas e cortes do conduto, observações das unidades rochosas e histórico de exploração. Entre as limitações apontadas, os autores identificam setores cuja presença de diamantes não foi quantificada e observam que não há confirmação de descobertas em certos depósitos de cascalho próximos.

O campo permite a busca, mas impõe limites à escavação e à retirada de material

As regras em vigor restringem a busca ao campo arado, demarcado com placas amarelas. É proibido escavar fora desse perímetro, reservar um setor para uso exclusivo ou cavar sob árvores e arbustos a menos de 15 pés de seus troncos. Também não são permitidas escadas nem equipamentos de busca motorizados ou a bateria. Os buracos devem ser preenchidos ao fim do dia; se tiverem mais de 4 pés de profundidade, precisam ter degraus para saída e taludes seguros.

Ficar com o que foi encontrado não significa que seja permitido levar terra sem processamento. Cada visitante que pagou a entrada pode retirar até cinco galões de concentrado processado por dia; o solo com diamantes que não tenha passado por peneiras ou mesas de separação deve permanecer na área. Assim, a regra permite ficar com as pedras e outros minerais recuperados, mas restringe a retirada de material não classificado.

Os registros oficiais mostram que há descobertas no campo, embora não garantam que cada visita termine com uma delas. Uma publicação educativa do Serviço Geológico, baseada em estatísticas do parque, contabilizou 25.857 diamantes reportados entre 1972 e 2006, com peso total de 5.071,92 quilates; o tamanho médio informado para o período foi de cerca de 0,21 quilates. São dados históricos, referentes a pedras reportadas, e não uma estimativa da probabilidade de cada visitante encontrar uma gema.

Entre as descobertas célebres está o Amarillo Starlight, de 16,37 quilates, encontrado em 1975. O maior diamante já conhecido nos Estados Unidos, o Uncle Sam, pesava 40,23 quilates em estado bruto, mas foi encontrado em 1924, antes de a área se tornar um parque estadual, em 1972. São exemplos do que já apareceu no depósito, não uma indicação do que cada visitante pode esperar encontrar.

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