Pesquisa Mineral

Zâmbia: Tertiary Minerals mobiliza equipamentos para perfurar 1.000 metros em Mushima North e buscar cobre, prata e zinco em profundidade

Em Mushima North, a mineralização polimetálica já aparece perto da superfície; agora, falta saber o que há abaixo da Discovery Zone.

Zâmbia: Tertiary Minerals mobiliza equipamentos para perfurar 1.000 metros em Mushima North e buscar cobre, prata e zinco em profundidade

A companhia britânica prepara uma nova campanha de sondagem diamantada na Zâmbia para investigar a continuidade da mineralização abaixo da Discovery Zone. O projeto tem um alvo exploratório de 15 a 30 milhões de toneladas e resultados anteriores que chegaram a 165 g/t de prata, 1,01% de cobre e 0,78% de zinco.

A mineradora britânica Tertiary Minerals plc (AIM: TYM) iniciou, em 29 de outubro de 2026, a mobilização de equipamentos para seu projeto Mushima North, na Zâmbia. A empresa vai executar um programa de até 1.000 metros de sondagem diamantada para investigar novas concentrações de cobre, prata e zinco em profundidade.

A campanha será concentrada no alvo A1, especificamente abaixo do setor chamado Discovery Zone, onde trabalhos anteriores identificaram mineralização polimetálica a partir de níveis próximos à superfície.

O programa prevê até quatro furos de aproximadamente 250 metros cada, projetados para verificar se as estruturas mineralizadas continuam em maiores profundidades e se há um sistema primário de sulfetos abaixo da zona oxidada conhecida atualmente.

A previsão é que as sondagens comecem na primeira semana de novembro e durem cerca de quatro semanas.

A principal questão geológica é determinar se Mushima North abriga mineralização sulfetada em maiores profundidades e com teores potencialmente mais altos, possibilidade que poderia ampliar as perspectivas de exploração do projeto.

Sondagens vão investigar mineralização até 200 metros de profundidade

O novo programa representa uma mudança na estratégia de exploração da Tertiary Minerals, que até agora concentrou suas investigações principalmente em sondagens por circulação reversa.

A campanha diamantada utilizará furos inclinados entre 60 e 70 graus negativos, com comprimentos individuais de 200 a 250 metros.

Essa configuração permitirá investigar a mineralização até aproximadamente 200 metros de profundidade vertical, abaixo do alcance dos trabalhos anteriores.

A diferença é relevante: o alvo exploratório atualmente delimitado se estende até cerca de 95 metros de profundidade vertical, enquanto a quarta fase de sondagens chegou a aproximadamente 125 metros no máximo.

Os novos furos terão três objetivos principais:

  • Verificar a continuidade da mineralização abaixo da Discovery Zone e investigar possíveis sulfetos primários.
  • Obter informações estruturais e litológicas que permitam aprimorar o modelo geológico do depósito.
  • Recuperar testemunhos de rocha para realizar análises metalúrgicas e estudos técnicos adicionais.

Ao contrário da circulação reversa, a sondagem diamantada permite recuperar testemunhos contínuos, o que facilita o estudo de estruturas geológicas, contatos litológicos e características da mineralização.

Essas informações serão importantes para compreender como o cobre, a prata e o zinco se distribuem no sistema.

Resultados anteriores identificaram intervalos de alto teor

A decisão de investigar maiores profundidades vem após uma quarta campanha de exploração, que totalizou 3.639 metros de sondagem por circulação reversa e apresentou resultados favoráveis ao potencial polimetálico do projeto.

Entre as interseções mais relevantes está o furo 26TMNRC-053, que interceptou 121 metros com teores médios de 56 gramas por tonelada de prata, 0,26% de cobre e 0,37% de zinco.

Dentro desse intervalo, foram identificadas zonas com maior concentração de metais, incluindo 52 metros com 99 g/t de prata, 0,41% de cobre e 0,43% de zinco.

Um intervalo menor registrou 10 metros com 165 g/t de prata, 1,01% de cobre e 0,78% de zinco, a partir dos 80 metros medidos ao longo do furo.

Outro resultado relevante foi obtido no furo 26TMNRC-066, que interceptou 82 metros com 89 g/t de prata, 0,20% de cobre e 0,38% de zinco.

Essas interseções confirmam a presença de mineralização polimetálica na Discovery Zone e ajudam a orientar as próximas sondagens.

No entanto, os comprimentos correspondem a intervalos medidos nos furos e não representam necessariamente a espessura verdadeira dos corpos mineralizados.

Além disso, alguns furos terminaram em zonas mineralizadas, por isso seus limites em profundidade ainda não são totalmente conhecidos.

Mushima North tem alvo exploratório de até 30 milhões de toneladas

O potencial geológico da Discovery Zone é um dos principais fatores que justificam a continuidade dos investimentos em exploração.

A Tertiary Minerals definiu um alvo exploratório de 15 a 30 milhões de toneladas, com teores estimados entre 40 e 60 gramas por tonelada de prata equivalente.

Em termos de conteúdo metálico potencial, o limite superior corresponde a aproximadamente 58 milhões de onças de prata equivalente.

É importante ressaltar que esses números representam um alvo exploratório e não constituem recursos minerais nem reservas economicamente lavráveis.

As informações geológicas ainda são insuficientes para estabelecer uma estimativa formal de recursos. Por isso, tanto a tonelagem quanto os teores podem mudar significativamente com novas investigações.

O corpo mineralizado identificado tem geometria aproximadamente tabular, com dimensões de referência de 500 metros de comprimento, 300 metros de largura e até 75 metros de espessura.

Além disso, trabalhos recentes identificaram um setor com teores mais altos, que se estende por aproximadamente 400 metros de comprimento e 150 metros de largura na superfície.

A mineralização permanece aberta a noroeste, sudoeste e em profundidade, o que justifica a ampliação das sondagens.

A busca por sulfetos pode alterar o potencial econômico

Um dos aspectos técnicos mais interessantes da nova campanha é a investigação da transição entre a mineralização oxidada superficial e possíveis corpos sulfetados primários.

Essa distinção tem implicações importantes para o desenho de futuros processos metalúrgicos.

Os minérios oxidados e sulfetados apresentam diferentes características de processamento, recuperação e comportamento químico. Por isso, conhecer sua distribuição é essencial para qualquer avaliação econômica.

Em Mushima North, ainda não foi confirmada a existência de um depósito sulfetado primário sob a Discovery Zone.

É justamente para testar essa hipótese que a nova campanha de sondagem busca obter informações.

Os testemunhos de sondagem diamantada também permitirão realizar estudos metalúrgicos para conhecer as características dos minérios e as possíveis alternativas de processamento.

A empresa ainda aguarda os resultados finais das análises laboratoriais da quarta fase de sondagem, além dos resultados iniciais dos testes metalúrgicos.

Essas duas frentes de informação serão fundamentais para determinar as características mineralógicas do sistema e os desafios técnicos que seu eventual aproveitamento poderá apresentar.

Novas análises incluirão cobalto, germânio e terras raras

O programa não se limitará à investigação de prata, cobre e zinco.

A Tertiary Minerals também ampliará o conjunto de elementos analisados para investigar a possível presença de outros metais associados à mineralização.

Inicialmente, as amostras serão analisadas em campo com equipamentos portáteis de fluorescência de raios X, conhecidos como pXRF, para obter medições preliminares de cobre e zinco.

Na sequência, os intervalos selecionados serão enviados a laboratórios certificados para análises mais completas.

Entre os elementos considerados estão prata, cobre, zinco, cobalto, bismuto, antimônio, gálio, germânio e terras raras.

Trabalhos anteriores identificaram concentrações pontuais de até 0,53% de bismuto, 0,22% de antimônio, 0,39% de cobalto e 40 g/t de gálio.

Esses valores ainda não permitem estabelecer recursos economicamente recuperáveis desses elementos, mas justificam estudos adicionais sobre sua distribuição.

A inclusão de minerais críticos no programa analítico pode fornecer informações sobre a composição do sistema e revelar oportunidades exploratórias complementares.

Zâmbia concentra novas oportunidades de exploração de cobre

Mushima North fica no noroeste da Zâmbia, aproximadamente 28 quilômetros a leste da histórica mina de cobre e prata Kalengwa, atualmente em processo de reativação.

O projeto está em uma região com condições geológicas favoráveis a sistemas de mineralização associados a óxidos de ferro, cobre e ouro.

A propriedade é controlada pela Copernicus Minerals Limited, empresa com participação de 90% da Tertiary Minerals (Zambia) Limited e de 10% da parceira local Mwashia Resources Limited.

Além disso, o projeto tem um acordo de cooperação técnica com a First Quantum Minerals, que permite aproveitar informações históricas de exploração e a experiência geológica regional, sem estabelecer obrigações comerciais futuras entre as partes.

A existência de alvos adicionais ainda não perfurados, localizados em sua maioria num raio de 12 quilômetros do alvo A1, amplia as possibilidades de investigação na propriedade.

Os resultados da nova campanha poderão ajudar a definir quais dessas áreas justificam novos investimentos em exploração.

Estimativa de recursos prevista para antes do fim de 2026

A Tertiary Minerals mantém a intenção de concluir uma primeira estimativa de recursos minerais de Mushima North antes do fim de 2026.

Para isso, será necessário integrar as informações acumuladas nas campanhas anteriores, os resultados finais das análises laboratoriais e a modelagem geológica da Discovery Zone.

Os resultados iniciais das novas sondagens diamantadas poderão começar a ser recebidos entre seis e oito semanas após o envio dos primeiros lotes de amostras ao laboratório. Assim, parte das informações poderá ser conhecida em dezembro ou depois.

A estimativa de recursos será um marco importante para o projeto, pois permitirá estabelecer uma base geológica mais estruturada para estudos técnicos posteriores.

No entanto, ainda não há decisão de construção nem investimento confirmado para o desenvolvimento da mina.

O potencial real de Mushima North dependerá da comprovação da continuidade da mineralização, de características metalúrgicas favoráveis e de condições econômicas que justifiquem as próximas etapas de avaliação.

Para a mineração internacional, o programa é mais um exemplo de como as empresas de exploração buscam ampliar sistemas conhecidos em profundidade, especialmente em países com potencial para cobre, como a Zâmbia.

Nas próximas semanas, a atenção estará voltada para o início efetivo das sondagens, os estudos metalúrgicos pendentes e a possível identificação de sulfetos primários.

Essas informações permitirão determinar se Mushima North pode deixar de ser um prospecto polimetálico de superfície e avançar para um projeto com potencial mineral mais amplo e bem definido.