
A mineradora canadense processou 19.884 toneladas de minério e recuperou 52.860 onças de prata durante a retomada da operação de Mallay. A mina avança em sua entrada em operação, com apoio comercial da Glencore, novas frentes subterrâneas e atualização dos recursos minerais.
A canadense Excellon Resources obteve suas primeiras receitas com a comercialização de concentrados produzidos na mina Mallay, localizada no centro do Peru. Os recebimentos acumulados chegaram a US$4,4 milhões, no âmbito de um acordo de fornecimento com a Glencore. O resultado marca uma nova etapa na retomada da jazida de prata, chumbo e zinco, que busca atingir capacidade de processamento de 600 toneladas por dia até meados de 2027.
A operação, controlada integralmente pela Excellon, concluiu três campanhas de processamento durante a fase de pré-comissionamento, totalizando 19.884 toneladas processadas e 52.860 onças de prata recuperadas em concentrados desde a retomada da planta.
Os resultados foram divulgados em 29 de outubro de 2026 e mostram avanços tanto na recuperação metalúrgica quanto na reabilitação da infraestrutura da mina. A companhia também escolheu uma nova empreiteira para executar a próxima etapa do desenvolvimento subterrâneo e preparar o aumento gradual da produção.
O avanço comercial é especialmente relevante para a estratégia financeira do projeto. As receitas iniciais permitem começar a gerar fluxo de caixa enquanto prosseguem a recuperação dos acessos, a preparação de novas áreas mineralizadas e a atualização do plano de lavra.
Mallay, porém, ainda não atingiu a produção comercial. As atividades atuais fazem parte de um programa de testes e entrada em operação, cujos resultados estão sujeitos a ajustes operacionais e à liquidação final das vendas de concentrados.
Mallay processa quase 20.000 toneladas e melhora a recuperação de metais
A retomada da planta de beneficiamento começou em 2 de julho de 2026, e os primeiros concentrados foram obtidos ainda naquele mês.
Desde então, a Excellon realizou três campanhas de processamento para avaliar o desempenho das instalações e ajustar as condições metalúrgicas.
Os resultados acumulados mostram que a recuperação de prata chegou a 84%, enquanto as taxas de recuperação de chumbo e zinco foram de 84% e 81%, respectivamente.
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Indicador operacional |
Resultado |
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Minério processado |
19.884 toneladas |
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Prata recuperada em concentrados |
52.860 onças |
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Recuperação de prata |
84% |
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Recuperação de chumbo |
84% |
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Recuperação de zinco |
81% |
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Receitas recebidas pela venda de concentrados |
US$4,4 milhões |
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Capacidade-alvo da planta |
600 toneladas por dia |
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Prazo para expansão |
Meados de 2027 |
A evolução dos índices de recuperação é um sinal favorável para a próxima etapa de processamento, embora os percentuais observados durante o pré-comissionamento não garantam o mesmo desempenho em condições de operação comercial contínua.
O minério processado até agora vem principalmente de estoques superficiais acumulados durante os trabalhos iniciais e de áreas com veios estreitos localizadas acima do nível 4090.
Essas fontes correspondem a uma etapa temporária de abastecimento e não necessariamente representam as características do material previsto para as operações futuras em maiores profundidades.
A transição para novas áreas subterrâneas será fundamental para avaliar a estabilidade dos teores, o comportamento metalúrgico e a capacidade de manter o abastecimento contínuo da planta.
Excellon prepara expansão subterrânea para atingir 600 toneladas por dia
A meta operacional da Excellon é elevar a capacidade da planta de beneficiamento para 600 toneladas por dia até meados de 2027.
Para isso, a companhia trabalha na recuperação de acessos existentes e na abertura de novas áreas produtivas abaixo do nível 4090.
Uma das principais frentes é a reabilitação da rampa 400, cuja etapa de drenagem já foi concluída.
Atualmente, os trabalhos se concentram na estabilização do terreno, na impermeabilização e no suporte de áreas que permitirão melhorar as condições de acesso e transporte dentro da mina.
A conclusão dessas atividades está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Paralelamente, a Excellon selecionou uma nova empreiteira de mineração para assumir as próximas atividades de desenvolvimento e lavra. A formalização do contrato de produção está prevista para o quarto trimestre de 2026.
O cronograma prevê o início da lavra mecanizada por meio da perfuração de furos longos na área Clavo 3 até o fim de 2026, com aumento gradual das atividades durante o primeiro trimestre de 2027.
Também está prevista a inclusão do veio Daria, com o uso do método de corte e enchimento.
Em seguida, o desenvolvimento dos acessos deverá permitir o início da lavra de Clavo 6 durante o segundo trimestre de 2027.
A sequência busca substituir gradualmente o processamento em campanhas por um modelo de alimentação contínua, desde que as condições técnicas e a disponibilidade de minério permitam manter o ritmo projetado.
Exploração identifica mineralização de cobre a 600 metros de profundidade
A estratégia de crescimento também prevê atualizar a estimativa de recursos minerais e explorar estruturas que possam ampliar o potencial geológico da jazida.
A SGS está trabalhando em uma nova avaliação, que incluirá até 27 sondagens adicionais e amostras provenientes de trabalhos subterrâneos próximos ao nível 4090.
Já a SRK Consulting está atualizando o modelo de blocos e o plano de lavra, que permitirá definir as metas de extração para os próximos dois anos.
Paralelamente, uma campanha de exploração eletromagnética em sondagens profundas identificou alteração do tipo skarn com presença anômala de cobre a aproximadamente 600 metros de profundidade.
Entre os resultados iniciais, destacam-se intervalos de 0,95 metro com 0,31% de cobre e 0,65 metro com 0,27% de cobre. Esses valores ainda não permitem definir um recurso mineral, mas justificam a continuidade das investigações sobre a extensão do sistema.
Uma segunda sondagem atingiu aproximadamente 800 metros e será complementada por estudos geofísicos para identificar possíveis concentrações de sulfetos em profundidade.
Acordo financeiro libera obrigações de chumbo e zinco até 2031
A Excellon também avançou na reorganização de seus compromissos comerciais por meio de um acordo com a Adar Mining, assinado em 28 de outubro de 2026.
A operação prevê uma contraprestação de US$5,675 milhões para reduzir obrigações de entrega equivalentes a quatro milhões de libras de chumbo e quatro milhões de libras de zinco.
O valor inclui US$1 milhão em dinheiro, US$4 milhões por meio da emissão de ações e US$675.000 em compensações contratuais.
Após a conclusão da alteração, as obrigações remanescentes de fornecimento terão início em 1º de janeiro de 2031, sujeitas às condições acordadas.
O acordo ainda depende de aprovações, incluindo a autorização da bolsa de valores correspondente.
Além disso, a Excellon dispõe de aproximadamente US$5 milhões em caixa e de uma linha de crédito de US$5 milhões vinculada à Glencore. Esses recursos integram sua estrutura de financiamento para dar continuidade à retomada das operações.
O setor acompanhará a transição para a produção contínua
A retomada de Mallay representa uma oportunidade de reativar a infraestrutura de mineração existente no Peru, aproveitando instalações de processamento e operações subterrâneas que exigem reabilitação e novos investimentos operacionais.
O projeto também pode gerar atividade para empresas contratadas de lavra, perfuração, manutenção, engenharia e serviços metalúrgicos.
No entanto, a companhia ainda não dispõe de um estudo de viabilidade que demonstre a viabilidade econômica da retomada, nem declarou reservas minerais para Mallay.
Por isso, os próximos resultados deverão confirmar se a operação consegue manter as recuperações metalúrgicas, contar com minério suficiente e atingir a capacidade nominal da usina de processamento.
O principal desafio da Excellon será transformar os US$4,4 milhões em receita inicial e os testes de processamento em uma operação comercial sustentável, com planejamento de lavra baseado em recursos atualizados e acesso efetivo às novas áreas de exploração ao longo de 2027.










