
A mineradora canadense obteve resultados favoráveis com processos convencionais de gravidade, flotação e lixiviação nas zonas Creek e Finn. Os ensaios contribuem para a avaliação de alternativas de processamento e a preparação da primeira estimativa de recursos minerais, prevista para 2027.
A empresa canadense Sun Summit Minerals Corp. alcançou recuperação de ouro de até 100% em testes metalúrgicos preliminares realizados em seu projeto JD, localizado no distrito mineiro de Toodoggone, no centro-norte da Colúmbia Britânica, Canadá. Os resultados, anunciados em 19 de outubro de 2026, são de ensaios com amostras das zonas mineralizadas Creek e Finn, nos quais foram avaliados diferentes métodos de extração de ouro e prata.
Os testes confirmaram a resposta favorável do minério a processos convencionais de concentração gravimétrica, flotação e lixiviação com cianeto, incluindo alternativas que permitem trabalhar com granulometrias relativamente grossas.
Um dos principais resultados foi a recuperação de 98% a 99% do ouro em amostras da Creek Zone por meio de um circuito combinado de gravidade e lixiviação, com granulometria de 150 micrômetros.
Na Finn Zone, o mesmo procedimento permitiu recuperar entre 89% e 95% do ouro contido nas amostras estudadas.
A inclusão de um circuito adicional, com flotação e lixiviação dos rejeitos, elevou os resultados para aproximadamente 100% nos dois compósitos avaliados da Finn Zone.
Esses dados fornecem subsídios para definir futuras alternativas de processamento do projeto, mas ainda precisam ser complementados por estudos adicionais e uma estimativa formal de recursos minerais.
Recuperação de ouro chega a 100% com processos convencionais
O programa metalúrgico avaliou diferentes configurações de processamento para determinar o comportamento do minério diante de tecnologias comumente utilizadas em operações auríferas.
Os ensaios incluíram concentração por gravidade, flotação e cianetação, tanto individualmente quanto em circuitos combinados.
Nos testes de gravidade e lixiviação com moagem a 150 micrômetros, a Creek Zone apresentou recuperação próxima de 99%, enquanto a Finn Zone registrou valores de até 95%.
Uma segunda configuração incluiu flotação após a recuperação gravimétrica, seguida da lixiviação dos rejeitos da flotação.
Com esse procedimento, a recuperação acumulada de ouro chegou a 99,1% e 95,8% nos dois compósitos da Creek Zone, enquanto os dois compósitos da Finn Zone atingiram 100% em condições de laboratório.
Os resultados mostram diferenças metalúrgicas entre os setores, um aspecto relevante para o projeto de uma eventual planta de processamento.
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Processo metalúrgico |
Creek Zone |
Finn Zone |
|---|---|---|
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Gravidade e lixiviação, 150 µm |
98%–99% |
89%–95% |
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Gravidade e lixiviação, 250 µm |
93%–96% |
90%–94% |
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Gravidade, flotação e lixiviação, 150 µm |
95%–99% |
100% |
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Cianetação direta, 150 µm |
99% |
93% |
Os valores correspondem exclusivamente a testes metalúrgicos e não representam taxas de recuperação comercial garantidas para uma futura operação de mineração.
A importância dos resultados está em permitir a avaliação de alternativas de processamento antes de comprometer investimentos em infraestrutura industrial.
Moagem mais grossa pode reduzir custos de processamento
Um dos aspectos técnicos mais relevantes do programa foi o comportamento do minério diante de diferentes granulometrias de moagem.
Os testes mostraram que algumas amostras mantiveram recuperações elevadas mesmo com granulometria de 250 micrômetros, mais grossa que a utilizada nos ensaios a 150 micrômetros.
Na Creek Zone, o circuito de gravidade e lixiviação alcançou recuperação de ouro entre 93% e 96% a 250 micrômetros.
Na Finn Zone, os resultados variaram de 90% a 94% em condições semelhantes.
Esse comportamento é relevante porque a moagem está entre as etapas de maior consumo de energia no processamento de minérios.
Quando um depósito permite liberar uma proporção suficiente do metal sem exigir uma redução extrema do tamanho das partículas, pode ser possível reduzir as exigências de cominuição.
No entanto, a economia efetiva dependerá do comportamento do minério em escala industrial, de sua dureza e dos equipamentos necessários para alcançar as recuperações previstas.
O programa também identificou uma redução no consumo de cianeto com granulometrias de moagem mais grossas.
Nos testes de cianetação a 250 micrômetros, o consumo foi de aproximadamente 1,16 quilograma por tonelada na Creek Zone e 1,37 quilograma por tonelada na Finn Zone.
Esse resultado permite avaliar a possibilidade de reduzir a necessidade de reagentes, embora ainda não seja suficiente para determinar os custos operacionais definitivos.
Ouro livre favorece a avaliação de circuitos gravimétricos
As análises mineralógicas identificaram a presença de ouro livre e características favoráveis à recuperação por métodos convencionais.
As amostras não apresentaram comportamento refratário significativo nas condições testadas.
Isso tem importância econômica porque minérios auríferos refratários podem exigir processos adicionais para liberar o ouro antes de sua recuperação, aumentando a complexidade do tratamento.
No projeto JD, os resultados preliminares permitem considerar circuitos relativamente menos complexos.
Nos testes com concentradores gravimétricos Knelson, a recuperação de ouro no concentrado gravimétrico variou de 63% a 83%, enquanto a etapa de concentração mais seletiva com SuperPanner apresentou recuperações entre 18% e 46%.
Essas diferenças decorrem das características das amostras e das condições de cada ensaio.
A identificação de ouro recuperável por gravidade pode favorecer um projeto de usina que permita extrair parte do metal antes das etapas posteriores de processamento.
Essa alternativa também pode reduzir a quantidade de ouro que precisa ser recuperada por lixiviação, embora seus efeitos sobre o consumo de reagentes e os custos ainda precisem ser comprovados em estudos futuros.
A prata também apresenta resultados favoráveis
Além de estudar a recuperação de ouro, a Sun Summit avaliou o comportamento metalúrgico da prata presente nas zonas Creek e Finn.
Nos testes de gravidade e lixiviação com moagem a 250 micrômetros, a Creek Zone registrou recuperações de prata entre aproximadamente 59% e 75%.
Na Finn Zone, as recuperações variaram de 42% a 68%.
As diferenças mostram que a extração de prata apresenta um comportamento menos uniforme que a do ouro, especialmente quando são considerados os diferentes tipos de mineralização.
Nos testes de flotação primária realizados a 150 micrômetros, a Creek Zone alcançou recuperação de prata de 76%, enquanto a Finn Zone obteve 89%.
Os ensaios também identificaram concentrados com teores significativos de metais preciosos.
Em um teste de flotação de limpeza da Finn Zone, foi obtido um concentrado com 1.668 gramas de prata por tonelada, acompanhado de 93 gramas de ouro por tonelada.
Esses valores correspondem aos teores dos concentrados obtidos em laboratório e não devem ser confundidos com os teores médios do depósito.
As informações permitirão investigar diferentes alternativas de comercialização e recuperação metalúrgica, dependendo do produto final que possa ser obtido em uma futura operação.
Projeto JD supera 15.000 hectares na Colúmbia Britânica
O projeto JD está localizado a aproximadamente 450 quilômetros a noroeste de Prince George, no distrito mineiro de Toodoggone.
A propriedade abrange mais de 15.000 hectares e apresenta mineralização epitermal de ouro e prata, além de potencial associado a sistemas pórfiros de cobre e ouro.
O distrito reúne diversos projetos de exploração e desenvolvimento, incluindo Lawyers e Ranch, ligados à Thesis Gold and Silver, além de Baker-Shasta, da TDG Gold, e AuRORA, da Amarc Resources.
Nas proximidades também estão os projetos Kemess East e Kemess Underground, associados à Centerra Gold, além de infraestrutura relacionada à antiga operação Kemess.
A proximidade de estradas e de uma linha de transmissão hidrelétrica é um aspecto relevante para futuras avaliações de infraestrutura.
No entanto, a existência de instalações no distrito não garante que elas serão usadas pelo projeto JD.
Qualquer eventual desenvolvimento deverá considerar acesso, fornecimento de energia, transporte, água, instalações de processamento e licenças.
Para a Sun Summit, a localização do projeto em uma região com histórico de atividade mineradora permite avaliar oportunidades de crescimento exploratório e futuras alternativas de desenvolvimento.
Primeira estimativa de recursos minerais prevista para 2027
Os resultados metalúrgicos serão incorporados ao trabalho técnico voltado à preparação da primeira estimativa de recursos minerais do projeto JD.
A companhia prevê concluir esse processo no primeiro trimestre de 2027, etapa necessária para quantificar formalmente a mineralização identificada por meio de sondagens.
O programa metalúrgico utilizou amostras compostas preparadas com material proveniente de sondagens realizadas em 2025.
Foram selecionados intervalos de seis sondagens, três correspondentes à Creek Zone e três à Finn Zone.
As amostras foram usadas para estudar o comportamento do minério sob diferentes condições de processamento.
No entanto, quando o material foi selecionado, ainda não havia uma estimativa formal de recursos minerais que permitisse estabelecer plenamente sua representatividade em relação ao depósito.
Por isso, as próximas campanhas metalúrgicas deverão considerar uma seleção de amostras respaldada pelo modelo de recursos que vier a ser desenvolvido.
O objetivo será determinar se os resultados obtidos podem ser reproduzidos nos diferentes tipos de mineralização e estabelecer parâmetros adequados para futuras avaliações econômicas.
A definição do circuito de processamento também deverá equilibrar recuperação metalúrgica, investimento inicial, consumo de energia e reagentes e custos operacionais.
O que o avanço significa para o desenvolvimento do JD
Os testes representam um avanço técnico para a Sun Summit, pois ajudam a reduzir parte das incertezas relacionadas ao processamento dos minérios presentes em Creek e Finn.
O comportamento favorável do ouro diante de técnicas convencionais abre diferentes possibilidades para estudar um eventual desenvolvimento da mina.
No entanto, ainda há fatores determinantes a serem esclarecidos antes que se possa estabelecer a viabilidade econômica do projeto.
Entre eles estão o volume dos recursos minerais, a distribuição dos teores, a continuidade dos corpos mineralizados, a escolha do método de lavra e a infraestrutura necessária.
Também será preciso avaliar as diferenças entre os resultados obtidos com circuitos de gravidade e lixiviação e aqueles que incluem flotação.
Embora configurações mais complexas possam alcançar recuperações superiores, sua aplicação envolve investimentos e custos adicionais que deverão ser justificados economicamente.
Para a indústria aurífera canadense, o caso do JD mostra a importância de integrar estudos metalúrgicos às etapas de exploração, antes de avançar para decisões de desenvolvimento.
O próximo passo importante será determinar quanto minério existe em Creek e Finn e qual alternativa de processamento oferece o melhor equilíbrio entre recuperação e custos.
Com uma estimativa inicial de recursos prevista para 2027, a Sun Summit já dispõe de dados metalúrgicos para orientar a próxima etapa de avaliação do projeto JD. Sua transformação em uma operação produtiva, porém, continuará dependendo de estudos técnicos, econômicos e regulatórios posteriores.






