
A mineradora canadense avança com uma campanha de 20 sondagens na Califórnia, destinada a obter informações metalúrgicas, geotécnicas e hidrogeológicas para avaliar o desenvolvimento subterrâneo da jazida de ouro. Os primeiros resultados de laboratório ainda estão pendentes.
A canadense Lode Gold Resources concluiu as seis primeiras sondagens de seu programa ampliado de perfuração na mina de ouro Fremont, no condado de Mariposa, na Califórnia, Estados Unidos. A campanha prevê agora 20 sondagens, totalizando 4.200 metros, após a inclusão de dez furos adicionais ao plano original. O objetivo é ampliar as informações técnicas necessárias para avançar nas próximas etapas de avaliação do projeto.
O avanço, comunicado em 19 de outubro de 2026, marca uma nova fase dos trabalhos de exploração e caracterização do depósito. A empresa busca aprofundar o conhecimento das condições geológicas, metalúrgicas e geotécnicas antes de definir os parâmetros de um possível desenvolvimento da mina.
As seis sondagens executadas integram um conjunto de 12 perfurações voltadas principalmente a estudos metalúrgicos. As amostras dos dois primeiros furos já foram enviadas ao laboratório para determinar o teor de ouro, enquanto o material recuperado nas demais perfurações continua sendo preparado.
A empresa ainda não dispõe de resultados analíticos validados desta campanha. Portanto, o avanço diz respeito à execução física do programa, e não à confirmação de novos recursos minerais.
Programa de 20 sondagens busca aprimorar a avaliação técnica de Fremont
A ampliação da campanha atende à necessidade de reunir informações adicionais sobre as características da jazida de ouro, especialmente em áreas com antigas escavações subterrâneas.
O programa prevê 4.200 metros de sondagem diamantada, o equivalente a aproximadamente 13.780 pés, e combina trabalhos de caracterização metalúrgica, análises geotécnicas, estudos hidrogeológicos e exploração de áreas com potencial de mineralização.
Uma das características técnicas da campanha é o uso de testemunhos de sondagem de diâmetro PQ, que permitem recuperar uma quantidade maior de material para a realização de diferentes ensaios.
A previsão é destinar um quarto do material recuperado à análise do teor de ouro e outro quarto a futuros testes metalúrgicos, após a avaliação dos resultados iniciais.
Os 50% restantes serão armazenados em caixas de testemunhos para estudos posteriores, mantendo material disponível para verificações geológicas e novas avaliações técnicas.
O procedimento busca evitar que as análises iniciais consumam todas as amostras e permite manter material representativo disponível nas etapas seguintes de engenharia.
Sondagens atingem profundidades previstas de até 171 metros
As seis primeiras sondagens, identificadas de PT-J_001 a PT-J_006, foram projetadas para atingir profundidades entre 105 e 171,3 metros.
As perfurações seguem azimute de 240 graus e inclinação descendente de 75 graus, parâmetros adotados para investigar áreas específicas do depósito e obter informações relevantes aos estudos metalúrgicos e geotécnicos.
A presença de antigas galerias e câmaras de lavra representa um desafio operacional para a sondagem diamantada.
Para lidar com essas condições, o programa prevê a possibilidade de reduzir o diâmetro de perfuração de PQ para HQ quando os equipamentos atravessarem áreas de antigas escavações.
Essa flexibilidade técnica permite dar continuidade às sondagens e reduzir as dificuldades de recuperação de testemunhos em áreas já exploradas.
Fremont tem recursos de ouro e histórico de mineração
O projeto Fremont é um ativo minerário já explorado, localizado no conhecido cinturão aurífero Mother Lode, na Califórnia, região com longa história de extração de ouro.
A propriedade tem registros de aproximadamente 43.000 metros de sondagens históricas, além de 10.000 amostras de canais subterrâneos, 14 acessos por galerias e dois poços.
A mineração foi interrompida em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, em meio às restrições impostas pelos Estados Unidos que afetaram a mineração de ouro.
Os registros históricos apontam teor de lavra de 10,7 gramas de ouro por tonelada, referente às operações daquele período. Esse valor não deve ser considerado representativo de todo o recurso mineral atualmente definido.
O projeto conta com uma avaliação econômica preliminar, elaborada em 2023, e uma atualização da estimativa de recursos minerais em 2026.
Entre os números considerados na avaliação econômica de 2023 estão:
- Recursos indicados: 19 milhões de toneladas, com teor médio de 1,90 grama de ouro por tonelada e aproximadamente 1,16 milhão de onças contidas.
- Recursos inferidos: 28 milhões de toneladas, com teor médio de 2,22 gramas de ouro por tonelada e aproximadamente 2,02 milhões de onças contidas.
- Área do projeto: mais de 3.000 acres de terrenos privados e direitos minerários patenteados.
- Histórico técnico: aproximadamente 43 quilômetros de sondagens históricas.
Esses números correspondem à base de recursos considerada no estudo econômico de 2023 e não constituem uma declaração de reservas minerais economicamente lavráveis.
A distinção é importante porque a existência de recursos geológicos, por si só, não garante a viabilidade financeira, ambiental ou operacional de uma futura mina.
Lode Gold avalia estratégia de lavra subterrânea
Um dos principais objetivos dos trabalhos atuais é avançar na avaliação de um modelo de lavra subterrânea para Fremont.
A empresa vem revisando sua estratégia de desenvolvimento, antes vinculada a cenários de mineração a céu aberto, para estudar alternativas de extração subterrânea em maior escala.
Essa mudança exige compreender com mais precisão a continuidade da mineralização, o comportamento geomecânico do maciço rochoso, as condições hidrogeológicas e as características metalúrgicas do minério.
Nesse contexto, as novas sondagens não buscam apenas identificar teores de ouro. Também fornecerão amostras para analisar o comportamento do material nos processos de recuperação e gerar subsídios para o projeto de uma eventual operação.
Os estudos metalúrgicos serão especialmente importantes para definir possíveis rotas de processamento e estimar parâmetros de recuperação que possam ser incorporados posteriormente às avaliações econômicas.
Já os estudos geotécnicos permitirão analisar as condições de estabilidade e as características do terreno necessárias ao projeto de infraestrutura de uma mina subterrânea.
A integração desses resultados ajudará a reduzir as incertezas técnicas, embora ainda sejam necessários estudos adicionais antes da definição de um plano definitivo de lavra.
Novas perfurações estão previstas entre o fim de 2026 e o início de 2027
A Lode Gold prevê dar continuidade às atividades de perfuração no quarto trimestre de 2026 e no primeiro trimestre de 2027.
As próximas etapas incluem trabalhos hidrogeológicos em campo e, posteriormente, sondagens de exploração para investigar áreas fora das zonas atualmente avaliadas.
As informações hidrogeológicas serão especialmente importantes para determinar o comportamento da água subterrânea e seus possíveis impactos no projeto, na segurança e nos custos operacionais de uma futura mina.
Paralelamente, as sondagens de extensão permitirão investigar a continuidade das estruturas mineralizadas e identificar oportunidades para ampliar o conhecimento geológico do depósito.
A companhia mantém o objetivo de avançar para um estudo de pré-viabilidade em 2027, etapa que dependerá da qualidade dos resultados técnicos e da integração das informações obtidas.
Não foi confirmada uma data para o início da produção comercial nem uma decisão definitiva de construção relacionada a esta campanha.
Também não foi aprovado um investimento de desenvolvimento para a eventual operação de mineração.
Impacto para a exploração de ouro e o desenvolvimento de projetos nos Estados Unidos
O avanço de Fremont faz parte de uma tendência de reavaliação de antigos distritos mineiros com o uso de técnicas modernas de exploração, modelagem geológica e engenharia.
Projetos com histórico de mineração podem contar com informações acumuladas e determinadas instalações existentes, mas também enfrentam desafios relacionados a antigas escavações, condições geotécnicas e exigências regulatórias atuais.
No caso de Fremont, a combinação de recursos auríferos identificados, infraestrutura histórica e novos programas de sondagem oferece uma base para estudar alternativas de desenvolvimento.
No entanto, uma eventual retomada da produção dependerá de fatores como recuperação metalúrgica, custos de construção e operação, financiamento, licenças e evolução do mercado internacional do ouro.
Para os fornecedores do setor de mineração, campanhas desse tipo geram demanda por serviços de perfuração diamantada, laboratórios especializados, engenharia geológica, caracterização metalúrgica e estudos hidrogeológicos.
Se o projeto avançar para etapas posteriores de engenharia, poderão surgir novas demandas por serviços técnicos e equipamentos. Por enquanto, não há números confirmados de contratações adicionais nem de empregos permanentes associados a uma futura operação.
Resultados metalúrgicos serão determinantes para os próximos passos
O principal dado ainda pendente para Fremont são os resultados de laboratório das primeiras perfurações e sua posterior integração aos estudos metalúrgicos.
Essas análises permitirão determinar se as características do minério recuperado confirmam as hipóteses usadas no modelo geológico e fornecem informações suficientes para avançar para avaliações mais precisas.
Também será importante determinar como as diferentes zonas mineralizadas respondem a possíveis processos de recuperação de ouro, especialmente diante da transição para um modelo de lavra subterrânea.
A ampliação da campanha para 20 sondagens demonstra maior atividade técnica no depósito, mas os resultados precisarão ser avaliados antes de qualquer alteração em recursos, custos ou projeções de produção.
Para a Lode Gold, o desafio imediato será transformar os 4.200 metros de perfuração programados em informações geológicas e metalúrgicas verificáveis, capazes de embasar as próximas decisões de engenharia.
Em última análise, o desenvolvimento de Fremont dependerá de as informações obtidas demonstrarem a viabilidade técnica e a competitividade econômica de uma alternativa de lavra, em um cenário no qual a qualidade dos recursos, os custos e as exigências regulatórias continuam sendo determinantes para a concretização de novos projetos de ouro.






