
A empresa canadense ampliou em 200 metros para leste a mineralização identificada em Khaleesi, após obter resultados de até 0,62% de cobre equivalente. A campanha soma aproximadamente 16.830 metros perfurados e reforça o potencial exploratório do cinturão cuprífero Andahuaylas-Yauri.
A mineradora canadense C3 Metals Inc. divulgou, em 27 de outubro de 2026, novos resultados de sondagens em seu projeto de cobre Khaleesi, localizado na região de Cusco, no sul do Peru. As perfurações identificaram interceptações de 101,9 metros com 0,38% de cobre equivalente (CuEq) e de 70,9 metros com 0,62% CuEq, ampliando a mineralização em aproximadamente 200 metros para leste.
Os resultados são de duas novas sondagens diamantadas, que interceptaram mineralização de cobre tanto em zonas próximas à superfície quanto em estruturas geológicas mais profundas.
O avanço é relevante porque amplia a extensão conhecida do sistema mineralizado e fornece novos dados sobre sua continuidade em um distrito que concentra algumas das principais jazidas de cobre do Peru.
Khaleesi é um projeto de exploração controlado integralmente pela C3 Metals, situado no cinturão geológico Andahuaylas-Yauri, área reconhecida por abrigar importantes depósitos de cobre associados a sistemas do tipo pórfiro e skarn.
Novas sondagens identificam cobre a partir de 28 metros de profundidade
A sondagem KHZ5960-004 concentrou os resultados mais expressivos da campanha.
A perfuração interceptou inicialmente uma zona mineralizada de 101,9 metros, a partir de 28,4 metros de profundidade medida ao longo da sondagem, com teor médio de 0,31% de cobre, além de teores de ouro, prata e molibdênio.
A combinação desses metais resultou em um teor de 0,38% de cobre equivalente.
Em maior profundidade, a mesma sondagem atravessou um intervalo de 70,9 metros, a partir de 376,6 metros, com teor de 0,53% de cobre e 0,62% de cobre equivalente.
Esse segundo resultado corresponde a uma mineralização hospedada em uma estrutura do tipo skarn, caracterizada pela presença de magnetita e minerais associados a processos de alteração hidrotermal.
A segunda sondagem, KHZ5960-005, também identificou mineralização próxima à superfície, com um intervalo de 81,3 metros que registrou 0,27% de cobre e 0,33% de cobre equivalente.
Os principais resultados foram os seguintes:
|
Sondagem |
Intervalo |
Cobre |
Cobre equivalente |
|---|---|---|---|
|
KHZ5960-004 |
101,9 m |
0,31% |
0,38% |
|
KHZ5960-004 |
70,9 m |
0,53% |
0,62% |
|
KHZ5960-005 |
81,3 m |
0,27% |
0,33% |
|
KHZ5960-005 |
67,5 m |
0,20% |
0,29% |
As extensões correspondem a intervalos medidos ao longo das sondagens e não representam necessariamente a espessura verdadeira dos corpos mineralizados, uma variável que deverá ser definida por meio de modelagem geológica adicional.
Mineralização se estende por 200 metros para leste
Um dos aspectos mais relevantes dos novos resultados é a expansão lateral do sistema mineralizado.
As sondagens KHZ5960-004 e KHZ5960-005 foram planejadas para investigar a continuidade da mineralização identificada anteriormente na sondagem KHZ5960-001, cujos resultados foram divulgados em junho de 2026.
Aquela perfuração havia interceptado 109 metros com 0,39% de cobre equivalente próximo à superfície, além de uma segunda zona de 118 metros com 0,37% de cobre equivalente em maior profundidade.
As novas interceptações ampliam o conhecimento geológico em direção a leste, acrescentando aproximadamente 200 metros à extensão mineralizada na seção investigada.
A continuidade observada é importante porque permite avançar da identificação de ocorrências isoladas para a interpretação de um sistema mineralizado mais amplo.
No entanto, a mineralização permanece aberta em várias direções, e ainda são necessários dados adicionais para determinar seus limites e sua geometria.
Do ponto de vista exploratório, a presença de intervalos mineralizados extensos em várias sondagens consecutivas é um indicativo favorável para o planejamento de novas campanhas de perfuração.
C3 Metals soma 16.830 metros perfurados em Khaleesi
A campanha realizada até outubro inclui aproximadamente 16.830 metros de perfuração em 38 sondagens, executadas a partir de 17 plataformas.
O programa busca investigar uma zona de contato geológico entre um complexo intrusivo multifásico e rochas carbonáticas da Formação Ferrobamba.
Essa configuração geológica é relevante porque pode favorecer a formação de depósitos de cobre por meio de processos de substituição mineral e circulação de fluidos hidrotermais.
A companhia identificou tanto mineralização hospedada em rochas intrusivas quanto zonas do tipo skarn, o que sugere a presença de diferentes ambientes de concentração de cobre dentro do mesmo sistema.
A coexistência dessas características também abre possibilidades para identificar possíveis fontes intrusivas associadas à mineralização.
No entanto, a avaliação do potencial econômico do projeto exigirá a análise de fatores como continuidade dos teores, distribuição espacial, profundidade, características metalúrgicas e eventuais condições de lavra.
Khaleesi ainda está em fase de exploração e não conta com uma estimativa publicada de recursos minerais para o depósito.
Por isso, os resultados atuais não permitem determinar volumes lavráveis, investimentos para construção ou projeções de produção comercial.
Estudos geofísicos buscam identificar novos alvos
Paralelamente às sondagens, a C3 Metals está ampliando os estudos geofísicos para compreender melhor a estrutura do sistema mineralizado.
A companhia concluiu levantamentos magnéticos e gravimétricos em uma área de 1.500 hectares, ampliando em mais de 65% a cobertura inicial de 900 hectares.
Essas técnicas permitem identificar contrastes físicos nas rochas e reconhecer anomalias potencialmente relacionadas à mineralização de cobre.
Em particular, a magnetometria é uma ferramenta importante para investigar corpos do tipo skarn que contêm magnetita, mesmo quando estão recobertos por depósitos superficiais.
Além disso, a empresa realiza um levantamento de polarização induzida tridimensional, conhecido como 3DIP.
Na data da atualização, o levantamento estava aproximadamente 65% concluído, e a finalização estava prevista para o quarto trimestre de 2026.
A tecnologia permite investigar as propriedades elétricas do subsolo e detectar respostas associadas à presença de minerais sulfetados.
Sua aplicação pode ajudar a identificar zonas mineralizadas a profundidades próximas de um quilômetro, dependendo das características geológicas e das condições do levantamento.
A integração dessas informações com os resultados das sondagens permitirá selecionar novos alvos e otimizar futuras campanhas de exploração.
Um distrito próximo a grandes operações de cobre
Khaleesi está localizado no cinturão Andahuaylas-Yauri, uma província geológica que concentra importantes recursos de cobre no sul do Peru.
Nessa região estão operações de grande porte, como Las Bambas, operada pela MMG; Constancia, da Hudbay Minerals; e Antapaccay, da Glencore.
A presença desses depósitos demonstra a capacidade do cinturão de abrigar sistemas de cobre de dimensões relevantes, embora isso não signifique que Khaleesi necessariamente alcance características equivalentes.
A C3 Metals também desenvolve o projeto Jasperoide, localizado a aproximadamente oito quilômetros a leste de Khaleesi.
Em Jasperoide, a companhia identificou diversos alvos do tipo skarn e conta com uma estimativa de recursos minerais medidos e indicados no setor Montaña de Cobre.
A estimativa é de 51,9 milhões de toneladas, com teores de 0,50% de cobre e 0,20 grama por tonelada de ouro.
Os recursos são específicos de Jasperoide e não devem ser confundidos com os resultados de exploração de Khaleesi.
A proximidade entre os dois projetos permite à C3 Metals manter uma estratégia de exploração regional, aproveitando informações geológicas e experiência operacional no mesmo cinturão mineralizado.
O cobre peruano continua atraindo interesse para novos investimentos
A exploração de cobre continua tendo papel relevante nas perspectivas de crescimento da mineração no Peru.
O país está entre os grandes produtores mundiais do metal e conta com uma carteira de projetos voltada a manter e ampliar sua capacidade produtiva.
No entanto, transformar descobertas geológicas em novas minas exige processos prolongados de avaliação técnica, licenciamento, relacionamento com as comunidades e financiamento.
Nesse cenário, os resultados de Khaleesi representam uma etapa inicial de um processo que pode se estender por vários anos antes de uma eventual decisão de desenvolvimento.
Para o setor de serviços de mineração, a continuidade das campanhas de exploração cria oportunidades em sondagem diamantada, geofísica, análise geoquímica, logística e consultoria técnica especializada.
Em termos de investimentos, a C3 Metals mantém uma carteira de aproximadamente 31.000 hectares em concessões minerais no cinturão Andahuaylas-Yauri, que inclui seus projetos peruanos.
Essa área oferece uma plataforma para continuar investigando novos alvos, embora o número de concessões não determine, por si só, o potencial econômico dos depósitos.
O próximo desafio será dimensionar o sistema mineralizado
Os resultados de outubro representam um avanço na compreensão do projeto Khaleesi, especialmente pela expansão para leste e pela identificação de novos intervalos de cobre em diferentes profundidades.
A próxima etapa será marcada pela integração dos estudos geofísicos, pela continuidade das sondagens e pela análise de possíveis corpos mineralizados adicionais.
Será especialmente importante determinar se os intervalos de maior teor têm continuidade suficiente para embasar uma futura estimativa de recursos.
Também será necessário realizar estudos metalúrgicos para avaliar o comportamento do minério durante o processamento.
O teor de cobre equivalente utilizado atualmente incorpora o valor estimado do ouro, da prata e do molibdênio, considerando uma recuperação de 80% para os quatro metais. Esse índice de recuperação ainda não foi validado por meio de testes metalúrgicos específicos do projeto.
Por isso, a avaliação econômica deverá considerar tanto os teores reais de cobre quanto a possibilidade efetiva de recuperar os subprodutos associados.
Com 16.830 metros perfurados e uma mineralização que continua aberta, Khaleesi mantém oportunidades de expansão exploratória em um dos principais cinturões de cobre da América do Sul.
Para a C3 Metals, o desafio será transformar as informações obtidas em um modelo geológico que permita determinar o tamanho, a continuidade e o potencial econômico do sistema.
Em um mercado no qual o desenvolvimento de novos depósitos de cobre é prioritário para sustentar a oferta futura, os avanços exploratórios de projetos como Khaleesi serão relevantes à medida que os resultados das sondagens se convertam em recursos minerais tecnicamente comprovados.










