
A geração elétrica do Peru registrou crescimento anual de 6,1% em agosto de 2026, alcançando 5.754 gigawatts-hora (GWh), de acordo com dados divulgados em 1º de novembro pelo Ministério de Energia e Minas (Minem). O resultado mostra uma expansão da produção nacional, mas também diferenças importantes entre as tecnologias utilizadas: as usinas termelétricas concentraram mais da metade da eletricidade gerada, enquanto as fontes renováveis tiveram desempenhos opostos.
As estatísticas, elaboradas pela Direção-Geral de Eletricidade (DGE), incluem tanto a geração destinada ao mercado elétrico quanto a produzida em sistemas isolados e para consumo próprio de instalações industriais.
Do volume total registrado em agosto, 97% foram destinados ao mercado elétrico, enquanto os 3% restantes corresponderam ao autoconsumo de empresas, entre elas operações de mineração, cimenteiras e outros estabelecimentos industriais.
Gás natural impulsiona crescimento da geração elétrica no Peru
As usinas termelétricas lideraram a produção nacional em agosto, com 2.989 GWh, alta de 12% em relação ao mesmo mês de 2025.
Essa tecnologia respondeu por aproximadamente 52% de toda a eletricidade produzida no Peru no período, consolidando-se como a principal fonte de geração do mês.
Nesse segmento, o gás natural manteve papel predominante. As usinas que utilizam esse combustível geraram 2.767 GWh, volume 10% superior ao registrado um ano antes.
A eletricidade obtida a partir do gás natural representou aproximadamente 48% da produção nacional, refletindo o peso desse combustível no sistema energético peruano.
Em contrapartida, a geração hidrelétrica teve crescimento consideravelmente menor. As usinas hidrelétricas produziram 2.214 GWh, o equivalente a um aumento de apenas 0,6% em relação a agosto de 2025.
Com esse resultado, a geração hidrelétrica respondeu por cerca de 38,5% da produção elétrica do país.
A diferença entre as duas tecnologias foi determinante para a composição da matriz em agosto: enquanto a geração hidrelétrica permaneceu praticamente estável, as usinas termelétricas aumentaram significativamente sua participação em volume produzido.
Energia solar cresce 38%, mas geração eólica recua
Um dos resultados mais expressivos diz respeito ao desempenho das fontes renováveis não convencionais.
A produção solar chegou a 262 GWh em agosto, com expansão anual de 38%, o maior crescimento percentual entre as principais tecnologias de geração informadas pelo Minem.
Esse avanço, porém, contrastou com o desempenho da energia eólica, cuja geração caiu 19% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Os parques eólicos produziram 289 GWh, mantendo volume ligeiramente superior ao das instalações solares, apesar de registrarem uma forte retração.
A comparação revela um cenário particular: embora a energia solar tenha aumentado rapidamente sua produção, o recuo da geração eólica compensou grande parte desse avanço em termos absolutos.
Em conjunto, as fontes renováveis não convencionais — que incluem energia solar, eólica, bagaço e biogás — responderam por aproximadamente 614 GWh, o equivalente a 11% de toda a eletricidade gerada no país.
Isso significa que, apesar do crescimento da energia solar, as fontes térmica e hidrelétrica continuaram concentrando cerca de 90% da produção nacional em agosto.
Os números mostram diferenças no desempenho de cada tecnologia, mas o relatório não permite determinar, por si só, o impacto de fatores como condições meteorológicas, disponibilidade das instalações ou necessidades operacionais do sistema.
Região central do Peru concentra 78% da produção nacional
A distribuição territorial da geração elétrica também apresenta diferenças significativas.
A região central liderou a produção, com 4.478 GWh, o equivalente a aproximadamente 78% de toda a eletricidade gerada no Peru em agosto.
Esse volume representou crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2025, consolidando a região como o principal polo de geração elétrica do país.
Já a região sul registrou 976 GWh, com aumento anual de 9%, acima da média nacional.
A região leste produziu 43 GWh, volume que representou crescimento de 6%.
O desempenho negativo ficou concentrado na região norte, onde a geração elétrica chegou a 257 GWh, queda de 6% em relação a agosto do ano anterior.
Essas diferenças refletem uma expansão desigual pelo território: enquanto a região central continuou concentrando a maior parte da oferta, o sul registrou o maior crescimento percentual entre as quatro grandes regiões consideradas.
O que revela o crescimento da geração elétrica no Peru
Os resultados de agosto mostram que o aumento da produção elétrica peruana foi acompanhado por maior uso de geração térmica, especialmente de usinas movidas a gás natural.
Ao mesmo tempo, o crescimento da energia solar confirma a expansão de sua participação na matriz elétrica, embora ela ainda represente menos de 5% da produção nacional mensal.
A queda da geração eólica cria um contraste importante entre as fontes renováveis, pois mostra que o crescimento de uma tecnologia não necessariamente se traduz em aumento equivalente da geração renovável total.
Para as atividades industriais, incluindo a mineração, a evolução desses números é especialmente relevante por sua relação com a disponibilidade de energia para operações de alto consumo elétrico.
Ainda assim, o aumento da geração, por si só, não comprova redução nos custos de eletricidade, novos investimentos ou melhora na segurança do abastecimento.
O balanço de agosto aponta um cenário claro: o Peru produziu mais eletricidade do que no ano anterior, mas o crescimento continuou apoiado principalmente na geração térmica, enquanto as fontes renováveis registraram avanços e recuos que evidenciam as diferenças dentro da matriz elétrica nacional.









