Energia

Hidrelétrica de US$420 milhões volta à avaliação ambiental após tentativa em 2022

A Inversiones San Carlos propõe uma usina a fio d’água de 154,4 MW entre Los Ángeles e Mulchén. O projeto prevê 43 meses de obras e possíveis impactos sobre áreas úmidas, biodiversidade e comunidades locais.

Hidrelétrica de US$420 milhões volta à avaliação ambiental após tentativa em 2022

Um projeto hidrelétrico que prevê um investimento de US$420 milhões voltou a ser apresentado ao Sistema de Avaliação de Impacto Ambiental (SEIA) na Região de Biobío. Trata-se da Central Hidrelétrica San Carlos, iniciativa da Inversiones San Carlos SpA, cujo novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) foi protocolado em 3 de novembro de 2026.

O projeto prevê a construção e operação de uma usina a fio d’água no rio Biobío, na região de San Carlos de Purén, entre os municípios de Los Ángeles e Mulchén. Em 4 de novembro, o projeto estava na etapa de admissibilidade ambiental e ainda não contava com uma Resolução de Qualificação Ambiental (RCA) favorável que permitisse avançar para a execução.

Usina de 154,4 MW e 43 meses de obras

A infraestrutura proposta prevê uma capacidade instalada de 154,4 megawatts (MW) e uma vazão de projeto de 750 metros cúbicos por segundo. A usina deverá ser instalada cerca de 1.200 metros a montante da antiga ponte da Ruta 5 Sur, atualmente identificada como Ruta Q-619.

O projeto inclui três turbinas-geradoras do tipo Kaplan, estruturas de contenção nas duas margens, barreiras para regular o fluxo do rio e uma casa de força. Embora seja uma usina a fio d’água, também prevê a formação de um espelho d’água para atingir a altura necessária à geração de eletricidade. A energia produzida será incorporada ao Sistema Elétrico Nacional por meio de uma infraestrutura de transmissão.

A construção deve durar 43 meses, com uma média de 490 trabalhadores e um pico de 906 pessoas nos períodos de maior atividade. A operação está prevista para durar 50 anos, enquanto o investimento anunciado corresponde ao orçamento do projeto, e não a recursos já desembolsados.

Impactos ambientais que serão avaliados

Um dos principais pontos desta nova tramitação será a avaliação dos efeitos que a usina poderá causar ao rio Biobío e ao seu entorno. As informações divulgadas sobre o projeto apontam uma área de intervenção de cerca de 694 hectares e possíveis impactos sobre habitats fluviais, áreas úmidas e espécies protegidas da flora e da fauna.

Entre as áreas mencionadas estão as áreas úmidas Los Cuartos e Guilisasti. Também são apontados riscos para sítios arqueológicos e mudanças no acesso a espaços naturais usados pelos moradores da região para atividades econômicas e recreativas.

Para lidar com esses impactos, a empresa propõe medidas de mitigação, reparação e compensação, como o reflorestamento com espécies nativas, o resgate de fauna, a restauração ecológica de áreas úmidas e ações de proteção de espécies aquáticas. No âmbito comunitário, a proposta prevê espaços públicos, equipamentos culturais e medidas de reassentamento para famílias que possam ser afetadas pelas áreas de inundação.

Essas medidas são compromissos propostos pelo empreendedor e ainda serão avaliadas. Sua apresentação não comprova que sejam suficientes para compensar os impactos identificados.

Projeto já passou por avaliação ambiental em 2022

A Central Hidrelétrica San Carlos já foi submetida a processos de avaliação ambiental. Em março de 2022, a Inversiones San Carlos apresentou um EIA, que depois foi retirado. Uma segunda apresentação, feita em junho do mesmo ano, foi encerrada antecipadamente por decisão do Serviço de Avaliação Ambiental em agosto de 2022, sem obter uma qualificação favorável.

Posteriormente, em 21 de fevereiro de 2025, a Corporação Nacional Florestal (Conaf) classificou as obras do projeto como de interesse nacional para fins específicos da legislação sobre floresta nativa. A decisão estava relacionada à possível intervenção em exemplares de naranjillo (Citronella mucronata), espécie classificada como vulnerável.

No entanto, a decisão também alertou para a presença de comunidades indígenas e para antecedentes de conflitos socioambientais associados a outros projetos hidrelétricos a montante. A Conaf determinou que essas circunstâncias fossem abordadas durante a avaliação ambiental do projeto.

A declaração de interesse nacional não equivale a uma aprovação ambiental nem autoriza, por si só, a construção da usina.

Com a nova apresentação, em novembro de 2026, a empresa retoma a tramitação de um projeto que já passou por processos inconclusos. O próximo passo será decidir sobre sua admissibilidade e, se for o caso, iniciar a avaliação dos aspectos técnicos, ambientais e sociais que determinarão se a iniciativa poderá obter autorização para ser executada.