
O Governo do Chile trabalha na seleção de 20 projetos de energia estratégicos cuja tramitação pretende acelerar para reduzir os atrasos que afetam investimentos considerados relevantes para o país. Os novos detalhes sobre a iniciativa foram divulgados em 3 de novembro de 2026, no âmbito de uma estratégia que dará prioridade a obras de transmissão elétrica, armazenamento de energia e infraestrutura necessária ao funcionamento do sistema.
A medida faz parte da Rota Energética 2026-2030, apresentada pelo Ministério de Energia em maio deste ano. O documento estabelece o compromisso de reduzir os prazos de tramitação de uma carteira prioritária de 20 iniciativas até 2030, por meio de uma maior coordenação entre os órgãos públicos envolvidos em sua autorização.
No entanto, a lista completa de projetos ainda não foi divulgada publicamente. Também não há um cronograma individual de execução que permita identificar quais serão os primeiros investimentos beneficiados por esse mecanismo.
Os três critérios para selecionar os projetos de energia
A estratégia prevê três condições principais para definir quais iniciativas receberão atenção prioritária: seu estágio de maturidade, a existência de atrasos atribuíveis ao menos parcialmente ao Estado e as consequências desses atrasos para o sistema energético como um todo.
O primeiro critério busca identificar projetos suficientemente avançados em seu desenvolvimento. O segundo pretende distinguir os casos em que os procedimentos administrativos contribuíram para adiar a execução, enquanto o terceiro considera se esses atrasos afetam outros agentes do sistema elétrico ou dificultam o desenvolvimento da infraestrutura necessária.
Em sua Rota Energética, o Ministério também estabelece critérios relacionados à contribuição de cada projeto para o sistema elétrico, à capacidade de mobilizar investimentos e à geração de empregos de qualidade. Assim, a priorização não dependerá exclusivamente do montante a ser investido pelas empresas, mas também da relevância estratégica das obras.
Entre as áreas de interesse estão linhas de transmissão, sistemas de armazenamento e outras instalações essenciais. Seu desenvolvimento é necessário para acompanhar a incorporação de nova capacidade de geração e enfrentar as limitações de infraestrutura que afetam o setor elétrico chileno.
Governo busca reduzir prazos de licenciamento e coordenar órgãos públicos
A iniciativa prevê a criação de uma mesa interministerial de investimento energético estratégico, destinada a coordenar a tramitação dos projetos considerados prioritários. O mecanismo faz parte dos compromissos estabelecidos para o período 2026-2030.
A isso se soma um plano de modernização dos procedimentos administrativos, previsto para 2026-2028. O objetivo é identificar etapas críticas, dificuldades de coordenação e prazos efetivos de tramitação para, em seguida, implementar melhorias nos processos de autorização.
A dimensão do desafio aparece nos dados do próprio Ministério. Segundo a Rota Energética, no fim de 2025 havia projetos de energia no valor de US$47.650 milhões em avaliação ambiental, incluindo iniciativas relacionadas ao hidrogênio verde. O documento também informa que os projetos aprovados ambientalmente naquele ano tiveram prazos médios de tramitação superiores a 450 dias.
Esses números correspondem ao conjunto de iniciativas consideradas no diagnóstico setorial, e não apenas aos 20 projetos que o Executivo pretende priorizar.
Por enquanto, o compromisso do governo é agilizar os procedimentos e melhorar a coordenação institucional. A inclusão de um projeto na carteira estratégica não implica automaticamente sua aprovação ambiental, a obtenção de todas as licenças nem o início das obras.
O próximo passo importante será conhecer as iniciativas selecionadas e os obstáculos específicos que enfrentam. Sua identificação permitirá avaliar posteriormente se as medidas administrativas conseguem reduzir os prazos de tramitação e viabilizar os investimentos.









