
A capacidade global das refinarias de combustíveis renováveis pode superar 133.800 milhões de litros por ano em 2030, quase o triplo dos 44.350 milhões estimados para 2025. A projeção foi divulgada pela consultoria GlobalData em uma análise internacional publicada em 2 de novembro de 2026, que prevê uma importante expansão da infraestrutura voltada à produção de alternativas aos combustíveis derivados do petróleo.
A estimativa, apresentada no relatório Alternative Fuels in Energy Transition, representa um crescimento acumulado de cerca de 202% no período. O cálculo considera tanto a ampliação de instalações existentes quanto projetos previstos para os próximos anos. Portanto, trata-se de uma projeção da capacidade produtiva, e não de um aumento de produção já concretizado.
Entre as alternativas com maiores perspectivas de desenvolvimento estão o diesel renovável e o combustível sustentável de aviação (SAF), ambos produzidos a partir de matérias-primas de origem biológica. Uma das principais vantagens operacionais é a possibilidade de uso nos sistemas de transporte e na infraestrutura de distribuição existentes, embora a adoção dependa das especificações técnicas e dos requisitos de cada combustível.
Segundo a GlobalData, o transporte continua sendo um mercado estratégico para as empresas petrolíferas. O analista Ravindra Puranik afirmou que o setor respondeu por 46% da demanda mundial de produtos derivados do petróleo em 2025. A proporção sobe para 55% quando se inclui o abastecimento do transporte marítimo internacional. A dificuldade de eletrificar ao mesmo tempo os transportes terrestre, aéreo e marítimo ajuda a explicar o interesse no desenvolvimento de combustíveis alternativos.
Novos investimentos e desafios para as refinarias
O crescimento projetado também abre oportunidades para transformar refinarias convencionais em unidades capazes de processar óleos vegetais, gorduras animais e resíduos orgânicos. Essa conversão permitiria aproveitar parte da infraestrutura industrial existente, embora sua viabilidade dependa das características de cada instalação, dos custos de adaptação e da disponibilidade de matérias-primas.
No entanto, concretizar a expansão prevista envolve desafios econômicos e regulatórios. A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou, em seu relatório Renewables 2025, que diferentes produtores de biodiesel, diesel renovável e combustível sustentável de aviação tiveram margens de rentabilidade reduzidas ou negativas. Nos Estados Unidos e no Canadá, algumas instalações suspenderam as operações ou reduziram a produção devido ao aumento dos custos das matérias-primas e à incerteza regulatória.
A AIE também projetou que o consumo mundial de combustível sustentável de aviação pode chegar a 9.000 milhões de litros por ano em 2030, ante 1.000 milhões em 2024. Esse volume equivaleria a aproximadamente 2% da demanda total de combustível para aviação, o que mostra que, mesmo com o crescimento previsto, a participação ainda seria limitada em comparação com a dos derivados convencionais.
Outro desafio é garantir que a expansão da capacidade industrial seja acompanhada por oferta suficiente e sustentável de matérias-primas. O avanço dos biocombustíveis exige o fornecimento de resíduos, óleos e outros insumos, além da verificação das emissões associadas à produção e à distribuição. Assim, o cumprimento das projeções dependerá tanto de novos investimentos quanto das condições econômicas, ambientais e regulatórias enfrentadas pelos projetos.






