Energia

ACERA renova direção e prepara eleição de presidente em meio a desafios para as energias renováveis

A associação renovou sete dos 15 conselheiros e ampliou a representação do setor. A próxima diretoria terá de enfrentar desafios relacionados à transmissão elétrica, ao armazenamento e à estabilidade regulatória.

ACERA renova direção e prepara eleição de presidente em meio a desafios para as energias renováveis

A Associação Chilena de Energias Renováveis e Armazenamento (ACERA) renovou sete integrantes de seu Conselho Diretor durante uma assembleia extraordinária realizada na sexta-feira, 30 de outubro de 2026, em Santiago. A eleição consolidou, pela primeira vez, a representação dos cinco segmentos que compõem a entidade, em um processo que antecede a escolha do novo presidente, prevista para 12 de novembro.

A renovação ocorre em um período de transformação do sistema elétrico chileno, marcado pela expansão da geração renovável e das baterias, mas também por dificuldades na infraestrutura de transmissão, limitações para aproveitar toda a eletricidade produzida e debates sobre as condições regulatórias para os investimentos.

A nova estrutura busca incorporar essas diferentes perspectivas às decisões de uma associação que reúne empresas de geração, armazenamento, transmissão, tecnologia, serviços e desenvolvimento de projetos de energia.

Os sete integrantes eleitos para o Conselho da ACERA

A votação ocorreu nos escritórios do Guerrero Olivos e contou com a participação de mais de 80 associados, que tiveram de escolher entre dez candidaturas.

Os sete representantes eleitos foram Alfredo Solar, da Atlas Renewable Energy; Enzo Quezada, da Sonnedix; e Alan Alvarez, da AES Andes, representantes do segmento de geração e armazenamento.

Também foram eleitos Óscar Álamos, da ISA Energía Chile, e Rodrigo Güell, da Celeo Chile, ambos ligados ao segmento de transmissão elétrica.

A representação dos fornecedores de tecnologia passou a contar com Pía Suárez, da Huawei Digital Power, enquanto Teresita Vial, da DV+ Abogados, foi eleita pelo segmento de serviços especializados e consultoria.

Dos sete cargos renovados, cinco terão mandato até outubro de 2029. Os outros dois correspondem a vagas cujos mandatos terminam em outubro de 2027.

Embora os novos integrantes representem quatro segmentos, o Conselho completo, com 15 membros, também conta com o quinto grupo, formado por desenvolvedores de projetos, empresas de infraestrutura, fundos e investidores.

Para a ACERA, essa composição representa uma mudança em relação à organização anterior, ao estabelecer uma estrutura que incorpora formalmente os diferentes agentes da cadeia de valor da energia.

Uma reforma iniciada antes das eleições

A renovação faz parte de uma transformação institucional iniciada em 2023 e que teve um avanço decisivo em outubro de 2025, quando os associados aprovaram por unanimidade uma reforma do estatuto da associação.

Entre as mudanças, foram estabelecidas a representação por segmentos, a modernização dos mecanismos de participação e a reorganização da governança da entidade.

A reforma também ampliou o campo de atuação da ACERA, dando mais espaço à eletrificação do consumo de energia e ao papel dos sistemas de armazenamento na transição energética.

A diretora-executiva da associação, Ana Lía Rojas, destacou que a nova composição permite reunir visões que antes nem sempre estavam representadas simultaneamente no Conselho.

A mudança tem impacto na elaboração de propostas da entidade, especialmente porque as decisões sobre geração elétrica dependem cada vez mais do desenvolvimento das redes, de soluções tecnológicas e de mecanismos de financiamento.

O desafio de integrar mais energias renováveis ao sistema elétrico

A nova direção da ACERA assumirá em um cenário no qual o Chile ampliou consideravelmente a participação das fontes renováveis em sua matriz elétrica.

Em agosto de 2026, o Coordenador Elétrico Nacional informou que essas fontes responderam por 64% da geração elétrica acumulada no ano.

O crescimento também foi acompanhado pela expansão do armazenamento. De acordo com o relatório de monitoramento do mercado elétrico publicado pelo Coordenador em abril, a capacidade instalada de baterias aumentou de aproximadamente 1,2 GW para 3,2 GW ao longo de 2025.

No entanto, o avanço tecnológico não eliminou as dificuldades estruturais do sistema.

Um dos principais problemas são os cortes na geração renovável, que ocorrem quando usinas solares e eólicas precisam reduzir a produção devido a restrições operacionais ou limitações para transportar a energia até os centros de consumo.

A isso se somam os desafios de ampliar e modernizar as redes de transmissão, adaptar as regras do mercado elétrico e garantir a segurança do abastecimento com a crescente participação de fontes variáveis.

A entrada de empresas de transmissão e fornecedores de tecnologia no Conselho ganha relevância nesse contexto, pois permite abordar os problemas do setor sob diferentes perspectivas da operação elétrica.

Sergio del Campo encerra mandato e uma nova etapa começa

A assembleia também foi marcada pelo encerramento do mandato de Sergio del Campo, presidente da Sonnedix, à frente da ACERA.

Em sua fala, o executivo ressaltou a necessidade de segurança jurídica e estabilidade regulatória para estimular a concorrência e manter condições favoráveis aos investimentos em energia.

Ele também destacou a importância de fortalecer a coordenação entre empresas e autoridades, sobretudo diante dos desafios técnicos e econômicos associados à transição energética.

A entidade também reconheceu o trabalho de Alfredo Solar como secretário do Conselho, além da participação de representantes que concluíram seus mandatos, entre eles Romina Tobar, do Prieto Abogados, e Rodrigo Terc, da Vestas.

A saída da atual presidência abre uma nova etapa de condução institucional, embora a renovação dos conselheiros não determine automaticamente quem ficará à frente da organização.

Eleição para a presidência será em 12 de novembro

O próximo passo está previsto para quinta-feira, 12 de novembro de 2026, às 16:00 horas, quando o Conselho da ACERA se reunirá para eleger o próximo presidente e o secretário-geral da associação.

A votação definirá as autoridades responsáveis por conduzir a entidade em um momento em que a discussão energética se concentra não apenas na incorporação de nova capacidade renovável, mas também na melhoria de sua integração ao sistema elétrico.

Entre os temas que farão parte do contexto da próxima gestão estão os investimentos em infraestrutura, as condições de operação do armazenamento, a eficiência das redes e a evolução das regras que determinam a participação das empresas no mercado elétrico.

Com a composição do Conselho já definida, a ACERA deverá decidir quem estará à frente da entidade em 12 de novembro, enquanto o setor renovável busca avançar do crescimento da capacidade instalada para um sistema capaz de aproveitar com mais eficiência a energia disponível.