
O preço do ouro à vista subiu nesta segunda-feira, 26 de outubro, e voltou a superar os US$ 4.000 por onça, depois de atingir seu nível mais baixo em mais de três meses na sessão anterior. A alta coincidiu com o recuo do petróleo, que reduziu parte das preocupações com a inflação antes da reunião do Federal Reserve dos Estados Unidos.
Às 18h09 GMT, o metal registrava alta de 0,6%, cotado a US$ 4.020,60 por onça. Na sexta-feira, 23, havia chegado a US$ 3.975, seu menor valor desde 20 de julho. Já os contratos futuros de ouro para entrega em dezembro fecharam a segunda-feira em alta de 0,8%, a US$ 4.038,40 por onça.
A recuperação veio após uma queda semanal de quase 4%, a mais acentuada desde junho. A pressão sobre o metal esteve associada ao encarecimento da energia e às expectativas de que o Federal Reserve mantenha uma política monetária restritiva para conter os preços.
Apesar da recuperação de segunda-feira, a cotação permanecia cerca de 28% abaixo da máxima histórica de US$ 5.595 por onça, alcançada em janeiro.
Bob Haberkorn, estrategista de mercado da StoneX, atribuiu parte da recuperação a compras oportunistas após as quedas recentes e avaliou que o ouro pode se manter perto dos US$ 4.000 enquanto os operadores aguardam o anúncio do Fed.
Petróleo recua, mas continua sob pressão
O alívio para o ouro veio junto com a queda do petróleo, após uma semana marcada por temores sobre o abastecimento vindo do Oriente Médio.
Os contratos futuros do Brent, referência internacional, recuavam 1,7%, para US$ 114,70 por barril, às 14h37 GMT desta segunda-feira. No mesmo horário, o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, caía 2,5%, para US$ 100,71. Na sexta-feira, os dois contratos haviam fechado em forte alta.
A queda refletiu, em parte, as expectativas de redução das hostilidades entre Estados Unidos e Irã. Nesta segunda-feira, delegações da Arábia Saudita, do Paquistão e da Turquia se reuniram com autoridades iranianas em Teerã para tentar evitar uma nova escalada. Os quatro países concordaram em dar continuidade às conversas sobre cooperação e segurança regional.
As negociações, porém, ocorrem em um cenário de riscos para o abastecimento. Os houthis afirmaram no fim de semana que haviam atacado estações de bombeamento de um oleoduto saudita, enquanto a Arábia Saudita informou ter interceptado mísseis e drones.
Para o mercado do ouro, um petróleo mais barato pode reduzir a pressão inflacionária e moderar as expectativas de novas altas de juros. Essa relação não é automática: o preço do metal também depende do dólar, dos rendimentos dos títulos e da demanda por investimentos.
A decisão sobre os juros aguardada pelo mercado
O Federal Reserve realizará sua reunião de política monetária nos dias 27 e 28 de outubro. Em setembro, o banco central dos Estados Unidos elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para uma faixa entre 3,75% e 4%, ao alertar que a inflação continuava elevada.
A maioria do mercado espera que a instituição mantenha essa faixa na próxima decisão. A atenção também estará voltada para os sinais sobre dezembro: ao longo desta segunda-feira, os preços dos contratos acompanhados pela ferramenta FedWatch, da CME, indicavam uma probabilidade próxima de 80% de uma alta naquele mês. Trata-se de uma estimativa do mercado, não de uma decisão do Fed.
Uma pesquisa realizada entre 16 e 20 de outubro apontou expectativa semelhante entre economistas: 94 dos 100 entrevistados previam que o Fed manteria os juros em outubro, enquanto todos esperavam uma alta em dezembro.
Os juros são importantes para o ouro porque o metal não paga rendimentos. Quando sobem os retornos de ativos como os títulos, manter ouro pode se tornar relativamente menos atraente. Já quando diminuem as expectativas de juros, essa pressão pode ceder.
Inflação e demanda física
Os dados recentes mostram por que a energia continua sendo um fator relevante para o Fed. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 3,7% nos 12 meses até setembro. Nesse período, a gasolina teve alta de 9,1% no mês e de 34,2% em um ano.
Na quinta-feira, dia 29, será divulgada outra leitura: o índice de preços das despesas de consumo pessoal, que o Fed usa para avaliar sua meta de inflação de 2%. Em agosto, o indicador registrou alta anual de 3,4%; excluídos alimentos e energia, a variação foi de 3%.
A demanda física também influencia o mercado. Na Índia, as compras de ouro aumentaram na semana passada, favorecidas pela queda dos preços e pelo festival de Dussehra. Na China, por sua vez, a demanda física permaneceu estável, embora os consumidores continuassem limitando os gastos com joias.
Os bancos centrais são outro agente relevante: suas compras líquidas de ouro chegaram a cerca de 289 toneladas no segundo trimestre de 2026, ante uma estimativa revisada de 57 toneladas no primeiro trimestre, de acordo com o Conselho Mundial do Ouro.






