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Japão supera os primeiros testes da nave que buscará trazer amostras de uma lua de Marte

A missão japonesa MMX concluiu com sucesso suas primeiras manobras após o lançamento e avança rumo à coleta de amostras de Fobos, lua de Marte, prevista para 2031.

Japão supera os primeiros testes da nave que buscará trazer amostras de uma lua de Marte

A missão MMX decolou de Tanegashima a bordo de um foguete H3 e concluiu suas manobras iniciais. O objetivo é coletar pelo menos 10 gramas de material de Fobos e trazê-los à Terra.

A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) confirmou, em 21 de outubro de 2026, que sua nave Martian Moons eXploration (MMX), lançada no dia anterior rumo ao sistema marciano, superou com sucesso as primeiras operações críticas de voo. O anúncio representa um avanço decisivo para a missão japonesa, que pretende pousar em Fobos, uma das duas luas de Marte, coletar amostras de sua superfície e transportá-las à Terra em 2031.

O lançamento ocorreu na terça-feira, 20 de outubro, às 04:41:03, pelo horário do Japão, no Centro Espacial de Tanegashima, com o foguete H3 número 10. O veículo cumpriu a trajetória prevista e, aproximadamente 71 minutos após a decolagem, liberou a nave corretamente na órbita programada.

As operações seguintes confirmaram que a MMX conseguiu abrir os painéis solares, estabelecer o controle de orientação em três eixos e liberar o mecanismo de retenção de sua antena de ganho médio.

Essas verificações são fundamentais para manter a nave em funcionamento durante a viagem interplanetária. No entanto, ainda não significam que a MMX tenha chegado a Marte ou concluído seus objetivos científicos.

O que significa superar as primeiras operações críticas

O período imediatamente posterior à separação do foguete é uma das etapas mais delicadas de qualquer missão interplanetária.

Nessa fase, as equipes de controle precisam verificar se a nave responde corretamente aos comandos enviados da Terra e se seus sistemas essenciais funcionam sem anomalias.

Na MMX, uma das principais manobras foi a abertura dos painéis solares, responsáveis por fornecer eletricidade aos instrumentos, computadores e demais equipamentos de bordo.

Também foi verificado o controle de orientação em três eixos, que permite regular a posição da nave em relação a uma referência espacial. Essa capacidade é indispensável para direcionar as antenas, orientar os painéis e preparar as manobras de navegação.

A terceira operação de destaque foi a liberação do mecanismo de retenção da antena de ganho médio, usada no sistema de comunicações.

Com esses procedimentos concluídos, a JAXA declarou encerrada a fase inicial de operações críticas e confirmou que a nave estava em condições adequadas para seguir com a missão.

O próximo passo será verificar o funcionamento inicial dos equipamentos instalados a bordo e preparar as operações de cruzeiro rumo a Marte.

A confirmação desta primeira etapa reduz as incertezas sobre as condições da nave após o lançamento, embora ainda haja muitas manobras e testes antes de ela chegar ao sistema marciano.

Uma missão de cinco anos para coletar pelo menos 10 gramas de Fobos

A MMX deverá cumprir uma missão de aproximadamente cinco anos, cujo principal objetivo é coletar material da superfície de Fobos, a maior das duas luas de Marte.

A nave viajará até Marte e fará observações de Fobos e Deimos, estudando suas características físicas, composição e ambiente.

De acordo com o cronograma da missão, a chegada ao sistema de Marte está prevista para 2027. Depois, a sonda começará a observar Fobos a partir de uma trajetória chamada órbita quase-satelital.

Essa configuração permitirá estudar a superfície do satélite, identificar possíveis locais de pouso e obter informações antes da tentativa de descida.

A operação de coleta prevê obter pelo menos 10 gramas de regolito, nome dado ao material fragmentado que cobre a superfície de muitos corpos rochosos do Sistema Solar.

Embora pareça pouco, essa quantidade permitirá realizar diversas pesquisas científicas com instrumentos disponíveis em laboratórios terrestres.

As análises incluirão estudos geoquímicos, mineralógicos e isotópicos para examinar a composição, a idade e a origem dos materiais.

O projeto prevê deixar o sistema marciano em 2030 e retornar à Terra em 2031, por meio de uma cápsula projetada para transportar e proteger as amostras coletadas.

Essas datas fazem parte do cronograma previsto e dependerão da conclusão bem-sucedida de cada etapa.

O grande mistério: Fobos se originou de Marte ou foi capturada por sua gravidade?

Uma das principais questões que a MMX tentará esclarecer diz respeito à origem de Fobos e Deimos.

As duas luas têm formas irregulares, dimensões reduzidas e superfícies escuras. Essas características alimentaram diferentes hipóteses sobre sua formação.

Uma delas sugere que podem ser asteroides antigos capturados pela gravidade de Marte.

A segunda hipótese propõe que elas se formaram a partir de detritos lançados ao espaço após uma colisão de grandes proporções entre Marte e outro corpo celeste, nas primeiras etapas de formação do Sistema Solar.

Determinar qual desses cenários mais se aproxima da realidade ajudaria a compreender melhor a evolução do planeta vermelho e os mecanismos de formação de satélites naturais.

As amostras coletadas pela MMX poderão fornecer evidências que não podem ser obtidas apenas por meio de fotografias ou medições remotas.

Além disso, os cientistas investigarão se a superfície de Fobos contém partículas originadas em Marte e transportadas até a lua por impactos.

Isso abre a possibilidade de recuperar materiais que preservem informações sobre etapas antigas da história marciana, embora sua presença e suas características ainda precisem ser confirmadas pelas análises científicas.

Um pequeno robô europeu explorará a superfície antes do pouso principal

A missão japonesa conta com a colaboração internacional da NASA, da Agência Espacial Europeia (ESA), do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e da agência espacial francesa CNES.

Entre os equipamentos transportados pela MMX está o Idefix, um pequeno veículo robótico de aproximadamente 25 quilogramas, desenvolvido em conjunto pela Alemanha e pela França.

O robô foi projetado para explorar a superfície de Fobos antes que a nave principal tente coletar as amostras.

Seu lançamento está previsto para a virada de 2028 para 2029, e as operações científicas poderão durar cerca de 100 dias.

O Idefix terá de se deslocar em um ambiente de gravidade extremamente baixa, onde manobras convencionais usadas por veículos terrestres enfrentam dificuldades específicas.

Seus instrumentos permitirão estudar características mecânicas, térmicas e mineralógicas do terreno.

Essas informações poderão ser decisivas para selecionar as áreas mais adequadas para o pouso posterior da MMX.

A participação europeia também inclui infraestrutura de comunicação de espaço profundo e o apoio de estações terrestres para receber dados e transmitir instruções.

O desafio de pousar em uma lua com gravidade quase inexistente

Ao contrário de Marte, Fobos é um corpo pequeno, com dimensão máxima próxima de 27 quilômetros.

Sua baixa gravidade é um dos principais desafios para qualquer operação na superfície.

Uma nave que tenta pousar precisa controlar cuidadosamente a velocidade e a orientação para evitar quicar ou se deslocar de forma indesejada.

O mecanismo de coleta também precisa funcionar em condições muito diferentes das encontradas na Terra.

Por isso, a missão incorpora tecnologias especializadas de navegação, reconhecimento do terreno e coleta de amostras.

A JAXA usará parte da experiência acumulada em suas missões Hayabusa e Hayabusa2, que permitiram desenvolver capacidades de exploração e retorno de materiais de asteroides.

A Hayabusa2 conseguiu trazer à Terra amostras do asteroide Ryugu em dezembro de 2020, estabelecendo precedentes técnicos importantes para esta nova missão.

No entanto, operar nas proximidades de Marte acrescenta desafios relacionados às distâncias, às comunicações e à navegação interplanetária.

O que vem agora e quando as primeiras amostras poderão chegar

O sucesso confirmado nesta semana corresponde apenas às primeiras operações após o lançamento.

A JAXA terá de continuar verificando os instrumentos científicos, as comunicações, o fornecimento de energia e os sistemas necessários às manobras durante a viagem.

Se o cronograma for mantido, a nave chegará à região de Marte em 2027, iniciará suas investigações em órbita e, posteriormente, realizará as operações previstas de reconhecimento e descida.

A coleta de material de Fobos ainda não ocorreu, e seu sucesso dependerá da superação de várias etapas técnicas complexas.

O objetivo final é recuperar, em 2031, uma cápsula com amostras de um satélite marciano, o que representaria o primeiro retorno direto à Terra de material coletado em uma lua de Marte.

A importância científica desse resultado dependerá da qualidade e das características das amostras, além das análises posteriores.

Por enquanto, o lançamento de 20 de outubro e a confirmação de 21 de outubro representam dois avanços concretos: o foguete H3 cumpriu sua missão de colocar a nave na trajetória inicial prevista, e a MMX concluiu com sucesso as operações necessárias para iniciar a próxima etapa da viagem.

O Japão já superou o primeiro desafio. Os próximos serão enfrentados a milhões de quilômetros da Terra, em uma missão destinada a investigar um dos mistérios ainda não resolvidos sobre a origem das luas de Marte.