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Cobre cai 3,42% na semana em meio a dúvidas sobre inteligência artificial e tarifas dos EUA

O metal fechou a sexta-feira a US$ 6,33 por libra, segundo a Cochilco. Em Londres, os contratos para três meses caminhavam para a maior queda semanal desde março, embora a oferta restrita tenha limitado as perdas.

Cobre cai 3,42% na semana em meio a dúvidas sobre inteligência artificial e tarifas dos EUA

O preço do cobre encerrou a semana de 2 a 6 de novembro de 2026 com queda de 3,42%, em meio à retração das ações de tecnologia e à crescente incerteza sobre os investimentos relacionados à inteligência artificial (IA). A Comissão Chilena do Cobre (Cochilco) informou que a cotação à vista fechou nesta sexta-feira a US$ 6,33 por libra, refletindo a pressão dos mercados financeiros sobre o principal produto de exportação do Chile.

Na Bolsa de Metais de Londres (LME), o contrato de referência para três meses recuava 0,8%, para US$ 13.738 por tonelada, às 10h30 GMT de sexta-feira. Ao longo do pregão, chegou a cair para US$ 13.636, menor nível desde 30 de julho. Naquele horário, acumulava baixa semanal de cerca de 2,9%, o pior desempenho desde a semana encerrada em 20 de março.

Um dos principais fatores por trás da queda é a preocupação com uma possível desaceleração dos investimentos em infraestrutura de tecnologia. O cobre é essencial para a construção de centros de dados, redes elétricas e sistemas de distribuição de energia. Por isso, as expectativas de expansão da inteligência artificial se tornaram um fator importante na formação de seu preço.

A incerteza aumentou após a vitória do Partido Democrata nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos. Investidores avaliam que o novo cenário político pode levar a uma supervisão mais rigorosa da inteligência artificial e a maiores restrições ao desenvolvimento de infraestrutura de tecnologia. Esses riscos, porém, refletem expectativas do mercado, e não o cancelamento confirmado de projetos.

O resultado eleitoral também alterou as perspectivas sobre possíveis tarifas dos Estados Unidos ao cobre refinado. Parte do mercado considera agora menos provável a ampliação dessas medidas comerciais, cuja expectativa havia estimulado o acúmulo de estoques no país e contribuído para a alta das cotações internacionais.

Escassez de cobre na China limita perdas

Apesar da pressão financeira, as restrições à oferta mundial impediram uma queda mais acentuada. Os estoques de cobre nos armazéns monitorados pela Bolsa de Futuros de Xangai recuaram mais de 24% na semana, para 33.848 toneladas, o menor nível em quase três anos.

A oferta restrita também se refletiu em Londres, onde o cobre para entrega imediata chegou a ser negociado com prêmio de US$ 117,50 por tonelada em relação ao contrato para três meses. A diferença mostra que os compradores estavam dispostos a pagar mais para receber o metal no curto prazo, sinal de disponibilidade limitada.

Craig Lang, analista-chefe da CRU, alertou que é cedo para interpretar o recuo como o início de uma correção prolongada. Sua avaliação leva em conta as dificuldades enfrentadas pela produção mineral e a disponibilidade limitada de cobre físico fora dos Estados Unidos, fatores que continuam sustentando os preços.

Para o Chile, o comportamento do metal é especialmente relevante por seu impacto nas receitas de exportação e nas perspectivas do setor de mineração. Apesar das perdas recentes, a Cochilco informou que o preço médio acumulado em 2026 chegou a US$ 6,15 por libra, 39,8% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.