
A companhia canadense iniciou uma nova estimativa de recursos, de acordo com a norma NI 43-101, para o depósito Patwon, em Quebec. As últimas sondagens interceptaram até 5,01 g/t de ouro em 4,30 metros e abrem novas possibilidades de expansão de uma jazida que atualmente conta com mais de 825.000 onças de recursos indicados e inferidos.
A mineradora canadense Azimut Exploration iniciou uma nova estimativa de recursos minerais para o depósito de ouro Patwon, localizado no projeto Elmer, na região de Eeyou Istchee James Bay, província de Quebec, no Canadá. A decisão, anunciada em 3 de novembro de 2026, foi motivada pelos resultados da mais recente campanha de sondagem diamantada, que identificou novas zonas mineralizadas fora dos limites considerados no modelo de recursos atual.
A atualização incorporará informações geológicas recentes, novas condições econômicas e premissas revisadas para o preço internacional do ouro. O objetivo é determinar com mais precisão o potencial do depósito e definir alternativas para dar continuidade ao seu desenvolvimento.
O programa de exploração de 2026 incluiu 10 sondagens diamantadas e 5.407,05 metros perfurados, concentrados principalmente nas extensões leste e oeste do depósito.
Os resultados confirmam a presença de mineralização aurífera em áreas próximas aos limites do modelo atual, mas ainda serão necessários novos trabalhos para determinar sua continuidade e eventual contribuição para os recursos minerais.
Sondagens interceptam até 5,01 g/t de ouro em Patwon
Os resultados mais relevantes da campanha foram obtidos em duas sondagens realizadas fora dos limites da estimativa atual.
Na extensão leste, a sondagem ELM26-265 interceptou 7,05 metros com teor médio de 3,15 gramas de ouro por tonelada, incluindo um intervalo de 4,30 metros com 5,01 g/t de ouro.
A interseção foi identificada entre 481,15 e 488,20 metros de profundidade, medida ao longo da sondagem.
Na extremidade oeste, a sondagem ELM26-259 identificou 8 metros com teor de 2,26 g/t de ouro, entre 383 e 391 metros.
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Setor |
Sondagem |
Interseção |
Teor de ouro |
|---|---|---|---|
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Extensão leste |
ELM26-265 |
7,05 metros |
3,15 g/t |
|
Intervalo incluído |
ELM26-265 |
4,30 metros |
5,01 g/t |
|
Extensão oeste |
ELM26-259 |
8,00 metros |
2,26 g/t |
Os intervalos correspondem a comprimentos de testemunho de sondagem. As espessuras verdadeiras ainda não foram determinadas.
As interseções são relevantes porque estão fora do volume mineralizado utilizado no cálculo dos recursos atuais.
Isso permite identificar áreas que poderão ser incorporadas a futuras interpretações geológicas, desde que a continuidade seja confirmada por sondagens adicionais.
As sondagens foram espaçadas entre 100 e 200 metros, distância adequada para explorar extensões, mas que exige maior densidade de informações para aumentar a confiança geológica.
Patwon conta com mais de 825.000 onças de recursos minerais
O depósito tem uma estimativa inicial elaborada em 2023, segundo o padrão canadense NI 43-101.
O cálculo utilizou um preço de referência de US$1.800 por onça de ouro e definiu duas categorias de recursos minerais.
Os recursos indicados somam 311.200 onças de ouro, contidas em 4,99 milhões de toneladas com teor médio de 1,93 g/t.
Já os recursos inferidos totalizam 513.900 onças, distribuídas em 8,22 milhões de toneladas com teor de 1,94 g/t.
Juntas, as duas categorias representam 825.100 onças de ouro contido, mas devem permanecer separadas devido aos diferentes níveis de confiança geológica.
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Categoria |
Tonelagem |
Teor de ouro |
Ouro contido |
|---|---|---|---|
|
Indicado |
4,99 milhões t |
1,93 g/t |
311.200 oz |
|
Inferido |
8,22 milhões t |
1,94 g/t |
513.900 oz |
Esses números servirão de base para a nova avaliação.
É importante destacar que recursos minerais não equivalem a reservas economicamente lavráveis. Para definir reservas, são necessários estudos adicionais que considerem variáveis metalúrgicas, geotécnicas, econômicas, ambientais e de planejamento de mina.
A atualização também não significa que os recursos do depósito tenham aumentado oficialmente. Qualquer alteração deverá ser respaldada pelo novo modelo técnico.
Novo preço do ouro pode alterar o tamanho do recurso
Um dos principais pontos do estudo será a revisão dos parâmetros econômicos utilizados para delimitar o depósito.
A estimativa original incluiu uma análise de sensibilidade a diferentes preços do ouro.
Com um preço de US$2.160 por onça, os recursos indicados aumentaram para 324.800 onças, enquanto os inferidos chegaram a 585.400 onças.
Nesse cenário, o total combinado chegou a 910.200 onças, embora com teores médios menores devido à inclusão de material adicional.
Na categoria indicada, o teor caiu para 1,76 g/t, enquanto na inferida chegou a 1,68 g/t.
Esse comportamento reflete um princípio econômico importante para projetos auríferos: um preço mais alto do metal pode permitir a inclusão de blocos de mineralização que antes não atendiam aos critérios econômicos usados para definir recursos.
No entanto, a alta do preço não garante automaticamente um aumento dos recursos lavráveis.
Também é preciso avaliar os custos de lavra e processamento, a recuperação metalúrgica, o transporte e outras variáveis que determinam a viabilidade econômica do projeto.
A atualização permitirá integrar esses fatores aos novos resultados de sondagem.
Azimut prevê concluir nova estimativa até o fim de 2026
A empresa contratou a consultoria canadense Norda Stelo, sediada em Val-d'Or, Quebec, para elaborar o novo cálculo de recursos de acordo com a norma NI 43-101.
O trabalho incluirá as sondagens de 2026 e atualizará as premissas de custos e preços utilizadas no modelo anterior.
A nova estimativa deverá ser concluída antes do fim de 2026.
O resultado permitirá estabelecer uma base técnica para avaliar os próximos passos da Patwon.
Entre as alternativas a serem analisadas estão novas campanhas de exploração, estudos técnicos adicionais e possíveis formas de desenvolver o ativo.
A Azimut também identificou interesse de terceiros no projeto, embora não tenha confirmado acordos de investimento, aquisição ou associação decorrentes dessas conversas.
Por enquanto, o depósito segue em fase de avaliação e exploração, sem decisão anunciada sobre a construção de uma mina.
Elmer reúne alvos de ouro e cobre em um corredor de 43 quilômetros
A importância do projeto não se limita ao depósito Patwon.
A propriedade Elmer abrange atualmente um corredor estrutural com aproximadamente 43 quilômetros de extensão, após a incorporação das concessões K2 em 2025.
A área inclui setores com indícios de ouro, cobre, prata e zinco, além de formações geológicas consideradas favoráveis à mineralização polimetálica de origem vulcanogênica.
No extremo leste do depósito, há uma anomalia de ouro identificada por meio de amostragem de depósitos glaciais, a aproximadamente 3,6 quilômetros de Patwon.
Os concentrados de minerais pesados obtidos nesse trabalho registraram teores de até 583 g/t de ouro.
O valor se refere a concentrados de amostragem e não deve ser interpretado como o teor de uma jazida ou de um intervalo de sondagem.
A oeste, as pesquisas identificaram uma zona de interesse de 14 quilômetros, com ocorrências de ouro e cobre-ouro que se estendem em direção à área de K2.
Esses dados ampliam as possibilidades de exploração regional, mas ainda são necessários trabalhos sistemáticos para determinar se há corpos mineralizados com continuidade e dimensões economicamente relevantes.
A companhia considera realizar novas sondagens de reconhecimento em intervalos próximos de 50 metros a partir dos limites atuais do recurso, com o objetivo de definir melhor possíveis extensões.
Condições climáticas reduziram campanha inicialmente prevista
A exploração em 2026 também foi condicionada pelas dificuldades operacionais próprias do norte de Quebec.
O programa original previa aproximadamente 10.000 metros de sondagem, mas foi reduzido devido às severas condições de inverno.
As operações foram encerradas em meados de junho, após a conclusão dos 5.407,05 metros reportados.
Na sequência, foram realizados trabalhos de reconhecimento geológico durante o verão.
As atividades incluíram a reinterpretação de levantamentos geofísicos aerotransportados, a investigação de anomalias eletromagnéticas e a coleta de amostras de superfície.
Também foram coletadas 86 amostras de canal, 38 amostras pontuais de rocha e 69 amostras litogeoquímicas para aprimorar a caracterização do contexto geológico.
Essas informações complementam os dados de sondagem e ajudam a direcionar futuras campanhas para áreas com maior potencial exploratório.
Exploração de ouro e cobre mantém oportunidades em Quebec
O avanço de Patwon ocorre em uma região canadense que concentra atividades de exploração relacionadas a minerais preciosos e metais estratégicos.
A região de James Bay abriga extensos cinturões de rochas verdes de idade arqueana, ambientes geológicos que podem conter diferentes tipos de mineralização aurífera e polimetálica.
Nesse contexto, a disponibilidade de informações geológicas e a capacidade de transformar descobertas iniciais em recursos tecnicamente comprovados são fundamentais para atrair financiamento.
Para empresas de exploração como a Azimut, uma estimativa de recursos atualizada pode ajudar a reduzir incertezas e fornecer uma referência mais precisa para futuras decisões de investimento.
A empresa também mantém iniciativas de exploração em outros ativos, especialmente Wabamisk, onde prevê realizar sondagens adicionais até o fim de 2026 e ao longo de 2027.
Esse portfólio exige a distribuição de recursos técnicos e financeiros entre diferentes alvos, priorizando aqueles com melhores perspectivas geológicas e econômicas.
O que definirá o futuro do depósito Patwon
A nova estimativa é o próximo passo técnico para determinar o potencial de Patwon, mas ainda há questões importantes a resolver antes de considerar uma eventual exploração comercial.
Entre elas estão a continuidade das zonas mineralizadas além do modelo atual, o comportamento metalúrgico do material, os possíveis custos de extração e a infraestrutura necessária para desenvolver uma operação.
Também será fundamental determinar que proporção dos recursos poderia ser incluída em um eventual projeto de lavra a céu aberto e quais áreas exigiriam alternativas subterrâneas.
A estimativa de 2023 já considerou diferentes cenários econômicos, permitindo observar como os volumes potencialmente aproveitáveis mudam conforme as premissas de preço.
Os resultados de 2026 trazem novas evidências de mineralização nas duas extremidades do depósito, mas ainda não permitem quantificar um aumento efetivo dos recursos.
A avaliação preparada pela Norda Stelo será, portanto, o próximo dado decisivo para determinar a real dimensão do ativo.
Com 825.100 onças de ouro contido em recursos indicados e inferidos, segundo a estimativa-base vigente, uma propriedade que se estende por 43 quilômetros de corredor geológico e novas interseções além dos limites conhecidos, Patwon mantém potencial de crescimento exploratório.
O desafio da Azimut será transformar esse potencial geológico em uma definição de recursos mais robusta e, posteriormente, determinar se as condições técnicas e econômicas justificam avançar para estudos de desenvolvimento de mina.










