
A mineradora canadense concluiu um segundo envio, de 15 toneladas de concentrado aurífero, para uma planta de recuperação em São Paulo. Os resultados do processamento permitirão determinar o teor de ouro e avaliar os primeiros retornos financeiros do projeto Vila Nova, localizado no estado brasileiro do Amapá.
A canadense JZR Gold Inc. confirmou o início do processamento de 26 toneladas de concentrado de ouro provenientes do projeto Vila Nova, no estado do Amapá, Brasil. A operação prevê a recuperação do metal em instalações especializadas da Recuperadora Brasileira de Metal (RBM), em São Paulo, e representa um passo importante para a geração das primeiras receitas associadas ao projeto.
O avanço foi confirmado nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, depois que a empresa concluiu uma segunda entrega de 15 toneladas de concentrado, em 29 de outubro. O volume se soma a um primeiro envio de 11 toneladas, totalizando 26 toneladas atualmente em processamento metalúrgico.
A operação permitirá conhecer a quantidade efetiva de ouro recuperável e estabelecer uma primeira referência econômica sobre o desempenho do circuito produtivo.
A JZR Gold espera ter os resultados nas próximas duas semanas. Essas informações serão determinantes para avaliar as possíveis receitas com a comercialização do metal.
Planta em São Paulo inicia recuperação de ouro com tecnologia CIL
O processamento do concentrado ocorre nas instalações da Recuperadora Brasileira de Metal, empresa especializada na recuperação e no refino de metais preciosos.
A planta concluiu as atividades de instalação, preparação e testes operacionais do circuito de lixiviação e carvão em lixiviação, conhecido internacionalmente como Carbon-in-Leach (CIL).
Essa tecnologia permite recuperar ouro por meio de um processo hidrometalúrgico que combina a dissolução do metal com sua posterior adsorção em carvão ativado.
Em termos operacionais, o circuito CIL facilita a recuperação do ouro contido em materiais previamente concentrados, por meio de etapas controladas de tratamento químico.
A eficiência do sistema depende de fatores como mineralogia, granulometria, teor do metal, consumo de reagentes e condições operacionais.
No caso de Vila Nova, o processamento das 26 toneladas é uma etapa necessária para quantificar o teor de ouro do material entregue.
Até o momento, não foi confirmada a quantidade de ouro que será recuperada. Portanto, as toneladas enviadas correspondem exclusivamente a concentrado mineral e não devem ser interpretadas como toneladas de ouro metálico.
Também não foram divulgados os teores do concentrado, as recuperações metalúrgicas efetivas nem o valor comercial final desse lote.
Duas entregas completam 26 toneladas de concentrado
A operação foi realizada em dois envios do projeto Vila Nova para as instalações de recuperação em São Paulo.
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Operação |
Volume |
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Primeiro envio de concentrado |
11 toneladas |
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Segundo envio, entregue em 29 de outubro |
15 toneladas |
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Total recebido para processamento |
26 toneladas |
A segunda entrega representa aproximadamente 58% do volume total atualmente em processamento.
A movimentação do material permite avançar da etapa de concentração mineral para a fase de recuperação final do metal.
Essa diferença é relevante porque as plantas de concentração geram produtos cujo conteúdo metálico ainda precisa ser recuperado, refinado ou comercializado em processos posteriores.
Assim, o volume de concentrado é um indicador de atividade operacional, mas, por si só, não permite determinar as receitas nem a rentabilidade.
Para a JZR Gold, os resultados desta primeira campanha de processamento serão importantes para avaliar o desempenho econômico do projeto.
As informações também permitirão estabelecer referências para futuras operações de recuperação e aprimorar o planejamento do fluxo de material entre as instalações de mineração e a planta de tratamento.
Vila Nova busca recuperar ouro de antigos depósitos de mineração
O projeto Vila Nova está localizado no estado do Amapá, no norte do Brasil, e está ligado ao aproveitamento de materiais auríferos presentes em instalações e depósitos de mineração.
A iniciativa prevê a recuperação de ouro de pilhas de rejeitos, depósitos associados a instalações de armazenamento e outros materiais residuais existentes na propriedade.
Esse tipo de operação difere da exploração convencional de uma jazida primária.
Enquanto uma mina tradicional exige a extração de minério do subsolo ou por meio de escavações a céu aberto, os projetos de recuperação de resíduos buscam aproveitar materiais previamente removidos ou processados.
A viabilidade econômica depende da quantidade de ouro remanescente, de suas características mineralógicas, da eficiência da recuperação e dos custos associados ao manuseio e ao tratamento desses materiais.
Em determinadas condições, essas iniciativas podem aproveitar a infraestrutura existente e reduzir a necessidade de desenvolver novas instalações de extração.
No entanto, também enfrentam desafios relacionados à variação dos teores metálicos, às características físicas dos depósitos e às exigências ambientais para o manuseio dos materiais.
Em Vila Nova, a empresa busca estabelecer operações confiáveis com o uso de instalações de processamento que já contam com licenças e infraestrutura associada.
O objetivo é desenvolver uma atividade produtiva contínua, embora ainda não haja informações suficientes para definir uma taxa de produção comercial definitiva.
JZR Gold tem direito a 50% do lucro líquido contratual
A estrutura econômica do projeto está vinculada a um acordo entre a JZR Gold e a ECO Mineração Oil and Gaz Drilling and Exploration EIRELI.
As duas empresas mantêm um contrato de participação econômica assinado originalmente em 6 de julho de 2020 e alterado posteriormente.
Pelo acordo, a JZR Gold tem direito a receber 50% do lucro líquido definido contratualmente sobre as vendas de ouro proveniente de determinados materiais acumulados em Vila Nova.
A participação inclui o ouro recuperado de pilhas de rejeitos, depósitos de armazenamento, uma bacia de decantação e pilhas de estéril.
Esse mecanismo é relevante porque a remuneração da JZR depende dos resultados econômicos obtidos com a recuperação e a comercialização do metal.
Isso não significa receber automaticamente metade do valor bruto das vendas.
A participação de 50% corresponde ao lucro líquido calculado conforme as condições específicas do acordo. Por isso, o valor efetivo dependerá das receitas comerciais e dos custos e descontos previstos em contrato.
Até o momento, a empresa não confirmou o recebimento de pagamentos relativos ao lote que está sendo processado.
A recuperação efetiva do ouro e sua eventual comercialização serão necessárias para conhecer os resultados financeiros.
Primeira receita dependerá do teor de metal recuperado
O início do processamento representa um avanço operacional concreto, mas a geração de receita ainda depende de variáveis pendentes.
A primeira será determinar quanto ouro há no concentrado e qual proporção poderá ser recuperada pelo circuito metalúrgico.
Depois, será necessário estabelecer o valor comercial do produto obtido e os custos associados ao processamento.
Com essas informações, será possível calcular os resultados econômicos e determinar a participação contratual devida à JZR Gold.
O diretor-executivo da empresa, Rob Klenk, afirmou que a ECO está próxima de gerar as primeiras receitas com a venda de ouro do projeto.
Essa expectativa, porém, ainda não confirma que as vendas tenham sido realizadas ou que os recursos tenham sido efetivamente recebidos.
A empresa prevê receber informações sobre a quantidade de ouro nas duas semanas seguintes ao anúncio de 3 de novembro.
Esse prazo aponta para uma nova atualização operacional em meados de novembro de 2026, desde que o processo seja concluído conforme o previsto.
Os resultados permitirão estabelecer uma referência mais precisa para avaliar o potencial financeiro imediato de Vila Nova.
Recuperação de rejeitos ganha relevância tecnológica
A iniciativa brasileira está inserida em uma tendência do setor de mineração de identificar oportunidades de recuperação de metais em materiais residuais.
Avanços em tecnologias hidrometalúrgicas, separação de minerais e caracterização geológica levaram à reavaliação do potencial de depósitos explorados ou processados em condições técnicas diferentes.
Na mineração de ouro, a lixiviação e os sistemas de adsorção com carvão ativado são utilizados para recuperar o metal de diferentes tipos de materiais.
Sua aplicação exige estudos metalúrgicos específicos, pois a presença de outros minerais, impurezas ou substâncias que interferem no processo pode afetar a recuperação.
Em países com longa história de mineração, como Brasil, Chile e Peru, o aproveitamento de materiais depositados anteriormente representa uma alternativa complementar à exploração convencional.
No Chile, o interesse em recuperar valor dos rejeitos está especialmente ligado ao cobre e a outros elementos presentes em depósitos históricos.
Embora as características mineralógicas e os métodos de tratamento possam diferir dos de uma operação de ouro, os dois modelos exigem a avaliação de materiais existentes com novas tecnologias.
Também requerem gestão ambiental adequada, sobretudo quando são usados reagentes químicos e processos de tratamento úmido.
A recuperação secundária de metais pode gerar oportunidades de negócio, mas sua contribuição econômica deve ser avaliada caso a caso, com base em resultados técnicos verificáveis.
Operação de Vila Nova entra em etapa decisiva
A JZR Gold mantém a estratégia de desenvolver Vila Nova em parceria com a ECO Mineração, utilizando a infraestrutura existente e avançando rumo a operações de processamento mais estáveis.
A empresa assumiu funções operacionais no projeto com o objetivo de estabelecer condições confiáveis de produção e ampliar a continuidade das atividades.
A entrega de 26 toneladas de concentrado mostra que uma etapa de preparação e transporte do material foi concluída, mas ainda será necessário verificar o desempenho final do processo de recuperação.
Os próximos resultados permitirão avaliar três fatores fundamentais: a quantidade de ouro obtida, o valor econômico de sua comercialização e a capacidade do projeto de repetir esse tipo de operação.
Também será importante determinar se as instalações conseguem manter o fornecimento regular de concentrado para sustentar a atividade por períodos prolongados.
A geração da primeira receita pode ser um sinal positivo para o projeto, mas, por si só, não garante uma produção comercial contínua.
Para chegar a esse estágio, será necessário comprovar continuidade operacional, disponibilidade de material, recuperações metalúrgicas consistentes e resultados econômicos suficientes para cobrir os custos.
O processamento das primeiras 26 toneladas é, portanto, uma prova importante para o desenvolvimento econômico de Vila Nova.
Com o circuito CIL de São Paulo em operação e o material atualmente em processamento, a JZR Gold está perto de obter informações concretas sobre o desempenho de seu concentrado de ouro.
A atenção do setor estará voltada para os resultados previstos para novembro, que permitirão determinar se o avanço operacional começa a se traduzir em receitas efetivas e se o aproveitamento de materiais residuais de Vila Nova pode se consolidar como uma atividade de mineração economicamente sustentável.










