
A mineradora canadense obteve a aprovação do governo para suas duas últimas licenças de exploração em Odienné e prepara uma campanha com 71.500 metros de perfuração. O projeto já conta com recursos minerais inferidos de 1,71 milhão de onças de ouro equivalente na área desenvolvida em parceria com a Newmont.
A canadense Awalé Resources avançou na consolidação de seu projeto de ouro e cobre Odienné, localizado na Costa do Marfim, na África Ocidental, após a aprovação do governo de duas novas licenças de exploração, que permitirão completar uma área de aproximadamente 1.542 quilômetros quadrados sob controle exclusivo da empresa. A companhia prepara um programa de exploração totalmente financiado, de C$ 12 milhões, que prevê 71.500 metros de perfuração ao longo de 15 meses.
As licenças correspondem a Tienko e GB, identificadas como PR-1100 e PR-1101. Os decretos foram aprovados pelo Conselho de Ministros da Costa do Marfim em 14 de outubro de 2026. A autorização ainda depende da assinatura presidencial e da entrega formal dos documentos antes do início das atividades em campo.
A medida permitirá completar cinco licenças controladas integralmente pela Awalé, fortalecendo sua presença em um dos corredores geológicos com potencial para ouro e cobre na África Ocidental.
O movimento também amplia as oportunidades de exploração da companhia para além das áreas que desenvolve atualmente em parceria com a Newmont, onde já foram identificados recursos minerais e diversos sistemas mineralizados.
Awalé consolida presença em distrito de 2.338 km²
O projeto Odienné abrange aproximadamente 2.338 quilômetros quadrados, distribuídos em sete licenças de exploração.
Desse total, cerca de 1.542 km² correspondem à área sob controle exclusivo da Awalé, enquanto outros 797 km² fazem parte de uma joint venture de exploração com a Newmont.
A consolidação territorial é relevante porque permite planejar campanhas geológicas em áreas contínuas, identificar estruturas mineralizadas regionais e avaliar novos alvos sem restringir a análise a depósitos individuais.
As licenças Tienko e GB ampliam a presença da Awalé para o norte e o oeste do distrito, acompanhando estruturas geológicas regionais que se estendem até Mali e Guiné.
Essas estruturas fazem parte de um contexto geológico associado a importantes distritos auríferos da África Ocidental, onde há operações e projetos com recursos de vários milhões de onças.
No entanto, a presença de sistemas mineralizados regionais não garante a descoberta de jazidas economicamente viáveis.
Para transformar esse potencial em novos recursos, será necessário realizar levantamentos geofísicos, campanhas geoquímicas e perfurações para verificar a continuidade, a profundidade e as características das zonas identificadas.
Programa de C$ 12 milhões prevê 71.500 metros de perfuração
A campanha de exploração da Awalé foi anunciada originalmente em 22 de setembro de 2026 e tem previsão de duração de aproximadamente 15 meses.
O financiamento vem de uma colocação de capital vinculada à PDI Gold, com participação da Fortuna Mining e da Newmont.
O programa representa uma etapa de expansão da exploração, voltada tanto à avaliação de novos setores quanto ao aprofundamento do conhecimento geológico dos alvos identificados anteriormente.
Entre os principais componentes estão:
- Investimento em exploração: C$ 12 milhões.
- Perfurações programadas: aproximadamente 71.500 metros.
- Duração prevista: 15 meses.
- Amostragem geoquímica de superfície: mais de 15.000 amostras.
- Trabalhos em Tienko e GB: aproximadamente 12.000 amostras de solo e cupinzeiros.
- Perfuração com trado nas novas licenças: 4.400 metros.
- Perfuração de reserva: 15.000 metros para avaliar rapidamente novas descobertas.
Essa capacidade adicional inclui 10.000 metros de perfuração diamantada e outros 5.000 metros de circulação reversa.
A disponibilidade de metros de perfuração de reserva dá flexibilidade para mudar as prioridades quando surgirem anomalias que justifiquem investigações adicionais.
Em projetos de exploração regional, essa capacidade é especialmente importante, pois os resultados geológicos podem exigir a realocação de recursos para alvos com melhores perspectivas.
Novas licenças terão levantamentos geofísicos aéreos e geoquímica regional
Os trabalhos em Tienko e GB começarão assim que a Awalé receber formalmente os decretos assinados.
O planejamento técnico, a contratação de serviços e a alocação orçamentária já estão preparados para dar início às atividades assim que o procedimento administrativo for concluído.
A primeira fase prevê levantamentos magnéticos e radiométricos aerotransportados, destinados a identificar estruturas geológicas, contatos entre unidades de rocha e padrões de alteração associados a possíveis sistemas mineralizados.
Em seguida, serão realizadas campanhas geoquímicas com amostras de solo e cupinzeiros, inicialmente em malhas de 800 por 100 metros.
As áreas com anomalias serão investigadas com amostragens cada vez mais detalhadas, reduzindo o espaçamento para 400, 200 e 100 metros.
Esse procedimento permite concentrar os recursos de exploração nos setores que apresentam indícios químicos favoráveis.
A estratégia também inclui perfurações superficiais com trado, especialmente úteis em áreas onde os sedimentos transportados dificultam a identificação direta das características do embasamento rochoso.
Os alvos que avançarem nessas etapas poderão ser submetidos a perfurações pelos métodos aircore, circulação reversa e diamantada.
A combinação de geofísica, geoquímica e perfuração progressiva busca reduzir a incerteza geológica antes de comprometer mais recursos em campanhas profundas.
Odienné já soma 1,71 milhão de onças de ouro equivalente
O projeto conta com histórico de exploração que permite dimensionar seu potencial para além das novas licenças.
Em maio de 2026, foi apresentada uma estimativa inicial de recursos minerais inferidos para os depósitos BBM, Charger e Empire, localizados na área de parceria entre Awalé e Newmont.
A estimativa abrange 32,4 milhões de toneladas, com teor médio de 1,33 grama de ouro por tonelada e 0,33% de cobre, o equivalente a aproximadamente 1,71 milhão de onças de ouro equivalente.
Esses recursos são classificados como inferidos e, portanto, ainda dependem de estudos e sondagens adicionais para aumentar o nível de confiança geológica.
Eles também não constituem reservas minerais nem garantem a viabilidade comercial de uma operação.
Ainda assim, servem como referência da escala da mineralização identificada no distrito.
A Awalé também realizou trabalhos em outros setores, como Fremen, como parte de uma estratégia voltada a identificar múltiplos sistemas auríferos e cupríferos dentro da mesma propriedade regional.
A presença de diferentes alvos permite avaliar se o distrito pode abrigar um conjunto de depósitos com características geológicas e metalúrgicas distintas.
Ouro e cobre ampliam o apelo exploratório da África Ocidental
A expansão de Odienné ocorre em um contexto de crescente interesse pela exploração de ouro e cobre em países africanos com cinturões geológicos favoráveis.
A Costa do Marfim faz parte do Cráton da África Ocidental, uma extensa província geológica caracterizada por cinturões de rochas paleoproterozoicas que abrigam numerosos sistemas auríferos.
O avanço de novas atividades de exploração na região reflete tanto o potencial geológico quanto a necessidade de as mineradoras incorporarem recursos capazes de sustentar operações futuras.
No caso do ouro, os projetos de exploração buscam identificar depósitos com volume, continuidade e teores suficientes para justificar investimentos posteriores.
Para o cobre, o interesse também está relacionado à demanda impulsionada pela eletrificação, pela expansão das redes elétricas e pelo desenvolvimento da infraestrutura energética.
Odienné reúne os dois metais em determinados sistemas mineralizados, embora o valor econômico de cada depósito dependa de sua composição específica, da recuperação metalúrgica e das condições de processamento.
A participação da Newmont e o apoio financeiro da Fortuna Mining também conectam o projeto a empresas de mineração de maior porte.
Essa relação pode facilitar o acesso a experiência técnica e a financiamento para exploração, mas não implica compromissos de construção nem decisões de investimento para uma futura mina.
Licenças e execução definirão a próxima etapa
O avanço administrativo de Tienko e GB reduz uma das incertezas relacionadas à disponibilidade de áreas para exploração.
Cada uma das novas licenças terá prazo inicial de quatro anos, após a formalização da concessão.
No entanto, a aprovação dos decretos pelo Conselho de Ministros ainda não significa que o processo esteja plenamente formalizado.
A assinatura presidencial, ainda pendente, é necessária para o início dos trabalhos nos dois setores.
A Awalé espera concluir esse procedimento nas próximas semanas, embora o cronograma efetivo dependa das autoridades competentes.
Com as licenças liberadas, o desafio será executar o programa dentro dos prazos estabelecidos e transformar anomalias geoquímicas ou geofísicas em alvos de sondagem com resultados verificáveis.
As atividades também podem gerar demanda por serviços especializados de exploração, sondagem, análises laboratoriais e logística regional. No entanto, o número de empregos associados a essa campanha ainda não foi estimado.
O que a indústria da mineração observará em Odienné
A consolidação territorial da Awalé abre espaço para investigar um sistema geológico de escala distrital, em vez de concentrar todos os recursos em depósitos já descobertos.
O programa de 71.500 metros representa um investimento expressivo em exploração, mas seus resultados dependerão da capacidade de identificar novas zonas mineralizadas e ampliar o conhecimento sobre os recursos existentes.
Os primeiros levantamentos em Tienko e GB permitirão avaliar se as estruturas regionais que atravessam essas concessões apresentam condições favoráveis à concentração de ouro.
Paralelamente, as sondagens voltadas a avaliar descobertas anteriores serão importantes para determinar se Odienné pode avançar para estudos econômicos mais detalhados.
Por enquanto, o projeto combina uma base inicial de recursos inferidos de 1,71 milhão de onças de ouro equivalente, uma área total aproximada de 2.338 km² e financiamento garantido para uma campanha de exploração de 15 meses.
A evolução das licenças pendentes, os resultados das sondagens e a eventual incorporação de novos recursos determinarão se essa expansão territorial se traduzirá em aumento efetivo do potencial mineral de Odienné e em futuras oportunidades de investimento na Costa do Marfim.










