
A mineradora canadense iniciou uma nova campanha de exploração em Sinaloa, onde identificou dois corredores mineralizados com presença de ouro, prata, cobre e zinco. Os trabalhos buscam avançar rumo a uma primeira estimativa de recursos e avaliar o potencial de um sistema do tipo pórfiro.
A canadense Chesapeake Gold Corp. iniciou um programa de perfuração de 5.000 metros no projeto Lucy, localizado no estado de Sinaloa, no México, após ampliar de 700 para 2.000 metros a extensão superficial prospectiva da mineralização aurífera. Anunciada em 2 de novembro de 2026, a campanha prevê perfurações de definição e expansão em três zonas prioritárias. Os primeiros resultados de laboratório são esperados para o primeiro trimestre de 2027.
O programa está totalmente financiado e começou com uma sonda de perfuração diamantada. O objetivo é verificar a continuidade dos sistemas mineralizados identificados por meio de trabalhos geoquímicos, trincheiras de exploração e estudos geofísicos.
Os resultados preliminares indicam a presença de ouro, prata, cobre e zinco, aumentando o interesse geológico pelo projeto e abrindo novas possibilidades de pesquisa de estruturas mineralizadas adicionais.
Exploração amplia área mineralizada de 700 para 2.000 metros
A nova etapa de exploração em Lucy vem após uma campanha sistemática de amostragem superficial que permitiu ampliar consideravelmente a área prospectiva.
Em 2026, a Chesapeake Gold coletou 622 amostras geoquímicas de solo e rocha nas zonas Discovery e Central. Considerando os trabalhos acumulados em Discovery, Central e Western, o número total de amostras ultrapassa 1.000.
A interpretação desses dados permitiu identificar dois corredores mineralizados distintos, dispostos em uma configuração geológica escalonada.
O primeiro é o de Discovery, onde há um corredor com aproximadamente 700 metros de extensão, que já foi objeto de perfurações.
O segundo se estende em direção à zona Central, ampliando para aproximadamente dois quilômetros a extensão conjunta das áreas prospectivas.
Uma das principais questões é determinar se os dois corredores fazem parte de um sistema mineralizado contínuo ou se representam estruturas independentes.
A resposta pode mudar a interpretação geológica do projeto e determinar onde concentrar futuros investimentos em exploração.
Novas amostras identificam ouro, prata, cobre e zinco
Os resultados obtidos em trincheiras e na amostragem de canais em rocha forneceram dados sobre a distribuição da mineralização próxima à superfície.
No corredor Central, as amostras registraram um intervalo de 17,5 metros com teores médios de 0,87 grama por tonelada de ouro, 27 gramas por tonelada de prata, 0,20% de cobre e 1,16% de zinco.
Nesse trecho, foi identificado um intervalo com maior concentração de minerais:
- 7,5 metros com 1,97 g/t de ouro.
- 57 g/t de prata.
- 0,42% de cobre.
- 2,44% de zinco.
Os resultados mostram uma associação de metais preciosos e básicos que deverá ser investigada por meio de perfurações para determinar sua continuidade em profundidade.
No corredor Discovery, as trincheiras identificaram 40,5 metros com teor médio de 0,22 g/t de ouro.
Nesse intervalo, foram registrados trechos de 2,5 metros com 1,49 g/t de ouro e de 1,5 metro com 1,39 g/t.
Esses dados complementam os resultados históricos de perfuração e ajudam a selecionar novos alvos.
No entanto, as amostras superficiais não equivalem a recursos minerais certificados nem permitem definir reservas lavráveis. Sua principal função é orientar as próximas etapas da exploração.
Programa de perfuração prevê 39 sondagens
A campanha de 5.000 metros foi planejada para investigar tanto áreas conhecidas quanto novas anomalias identificadas por estudos geoquímicos e geofísicos.
O programa tem três componentes principais.
|
Zona de exploração |
Metros previstos |
Sondagens |
|---|---|---|
|
Corredor Discovery |
2.000 |
25 |
|
Zona Central |
800 |
8 |
|
Anomalias Discovery e Western |
2.200 |
6 |
|
Total |
5.000 |
39 |
Em Discovery, as perfurações buscarão ampliar as informações disponíveis sobre a geometria e a continuidade da mineralização.
As sondagens de preenchimento serão executadas com espaçamentos aproximados de 50 metros ao longo dos 700 metros do corredor conhecido.
Também serão realizadas perfurações de expansão de até 100 metros ao longo da direção do corpo e abaixo de 150 metros de profundidade, em áreas onde o sistema permanece aberto.
Essa etapa é especialmente importante porque busca alcançar uma densidade de informações geológicas suficiente para embasar uma primeira estimativa de recursos minerais.
O projeto tem um resultado de destaque obtido na sondagem LU23-06, realizada em 2023, que interceptou 24 metros com teor de 6,11 gramas por tonelada de ouro.
O novo programa permitirá avaliar até que ponto esse tipo de mineralização se mantém contínuo em outras áreas.
Zona Central abre possibilidades para um segundo corredor aurífero
A segunda frente de trabalho se concentrará na zona Central, localizada aproximadamente 600 metros a noroeste do corredor Discovery.
Nessa área, foram identificadas anomalias de ouro no solo distribuídas por uma extensão de aproximadamente 1.000 metros.
A amostragem de canais também registrou teores de até 1,33 g/t de ouro.
A Chesapeake Gold fará oito sondagens, totalizando aproximadamente 800 metros, para investigar a mineralização abaixo da superfície.
Esses trabalhos serão decisivos para determinar se Central constitui um corredor com continuidade própria e qual é sua relação com Discovery.
A identificação de um segundo sistema mineralizado pode ampliar os alvos de exploração do projeto.
No entanto, seu potencial econômico dependerá de fatores como a extensão real dos corpos mineralizados, os teores, as características metalúrgicas e as condições necessárias para uma eventual exploração.
Geofísica investigará possível sistema do tipo pórfiro
Um dos aspectos tecnicamente mais relevantes da campanha é a avaliação de anomalias geofísicas profundas.
A empresa destinará 2.200 metros, distribuídos em seis sondagens, à investigação de dois alvos identificados por meio de estudos de polarização induzida, resistividade, cargabilidade e magnetometria.
Os trabalhos serão concentrados nas zonas Discovery e Western.
No setor oeste, as amostragens registraram um aumento relativo na presença de metais básicos, particularmente cobre e zinco.
Essa distribuição coincide com interpretações geofísicas realizadas em 2018, que apontaram a possível existência de um sistema do tipo pórfiro em profundidade.
Do ponto de vista geológico, a hipótese é relevante porque determinados depósitos do tipo skarn podem estar associados a intrusões ligadas a sistemas porfiríticos.
Esses ambientes podem abrigar concentrações de cobre, ouro e outros metais, embora sua presença precise ser confirmada por meio de exploração direta.
As novas sondagens permitirão investigar se as anomalias geofísicas correspondem de fato a corpos mineralizados e avaliar sua relação com a mineralização superficial.
Até o momento, não há confirmação de um depósito porfirítico em Lucy; essa possibilidade continua sendo uma hipótese exploratória.
Chesapeake fortalece seu portfólio de mineração no México
O avanço de Lucy integra a estratégia da Chesapeake Gold para desenvolver um portfólio de projetos de metais preciosos no México.
O principal ativo da empresa é o projeto Metates, no estado de Durango, um dos grandes depósitos de ouro e prata ainda não desenvolvidos nas Américas.
Metates conta com recursos minerais medidos e indicados de aproximadamente 16,77 milhões de onças de ouro e 423,2 milhões de onças de prata, contidos em 921,2 milhões de toneladas de material mineralizado.
Além disso, registra recursos inferidos de 2,13 milhões de onças de ouro e 59 milhões de onças de prata.
Esses números se referem ao projeto Metates e não devem ser confundidos com o potencial ainda exploratório de Lucy.
A existência dos dois ativos permite à empresa combinar o desenvolvimento técnico de um depósito avançado com a busca por novos recursos em estágios mais iniciais.
Para o setor de mineração mexicano, essas campanhas movimentam serviços de sondagem diamantada, análises laboratoriais, geologia, geofísica e avaliação de jazidas.
No entanto, ainda não foram divulgados valores específicos de investimento para o programa de Lucy nem projeções de emprego ou produção comercial.
Primeiros resultados devem sair em 2027
A campanha já começou com uma sonda diamantada HQ e prevê o envio progressivo de amostras para análise.
Os primeiros resultados dos ensaios estão previstos para o primeiro trimestre de 2027. As informações seguintes serão divulgadas por etapas, à medida que avançar o processamento das amostras.
O trabalho analítico inclui procedimentos de preparação e controle de qualidade, com padrões certificados e amostras em branco.
As análises de ouro utilizam métodos de ensaio ao fogo, enquanto a prata e outros elementos são avaliados por técnicas geoquímicas multielementares.
Os resultados permitirão esclarecer três aspectos fundamentais: a continuidade do corredor Discovery, o potencial do corredor Central e a eventual presença de um sistema porfirítico associado às anomalias profundas.
As informações obtidas também serão necessárias para avaliar a preparação de uma primeira estimativa de recursos em Lucy.
O principal interesse do projeto está no fato de que a exploração superficial já permitiu ampliar consideravelmente sua extensão prospectiva, mas ainda é necessário demonstrar como a mineralização se distribui no subsolo.
Nesse cenário, os 5.000 metros de sondagem representam uma etapa decisiva para transformar indícios geoquímicos e geofísicos em informações geológicas mais precisas.
A evolução de Lucy ao longo de 2027 permitirá determinar se os dois corredores identificados podem sustentar novos recursos de ouro e se há potencial adicional de cobre e outros metais em profundidade, em um distrito que continua em estágio inicial de avaliação mineral.






