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A fumaça prendeu 355 mineiros em El Teniente: como ocorreu a tragédia de 1945

Nas galerias de El Teniente, cada decisão sobre a saída dependia do que acontecia com o ar no subsolo.

A fumaça prendeu 355 mineiros em El Teniente: como ocorreu a tragédia de 1945

Em 19 de junho de 1945, um incêndio no nível Teniente 1 de El Teniente encheu as galerias da mina de fumaça e causou a morte de 355 trabalhadores. Outros 747 ficaram feridos. A investigação parlamentar da época reconstituiu como o fogo se espalhou e por que as instruções de evacuação levaram parte dos mineiros a áreas atingidas pelos gases.

O incêndio ocorreu durante o turno que começava às 7h. O relatório da comissão investigadora da Câmara dos Deputados situou o início do fogo às 7h45, em uma forja localizada no portal do nível Teniente 1. As chamas atingiram um local de reparo de vagões e uma oficina elétrica vizinhos.

A fumaça chegou a todos os níveis em menos de uma hora

A comissão atribuiu a produção de monóxido de carbono à combustão incompleta da madeira e do revestimento chamado “rubberoid” no local atingido. Os gases não ficaram confinados perto do fogo: avançaram pelas galerias e pelos poços, seguindo as correntes naturais de ventilação. O relatório estimou que chegaram a todos os níveis em, no máximo, 43 minutos. As vítimas morreram principalmente por intoxicação por monóxido de carbono, e não pelo contato direto com as chamas.

O caminho percorrido pelo ar foi decisivo para a evacuação. O administrador da mina orientou os trabalhadores de alguns setores a se dirigirem a determinadas saídas, mas a comissão concluiu que as instruções estavam erradas em relação à circulação real do ar. Sua análise apontou que a administração não conhecia com precisão técnica os circuitos de ventilação natural: a partir de Teniente 1, o fluxo podia se deslocar para cima e para baixo por diferentes poços. Em vez de necessariamente levar a um local seguro, as rotas indicadas expuseram os mineiros aos gases que já se espalhavam pela mina.

A comissão parlamentar trabalhou com depoimentos, informações reunidas por uma subcomissão e uma análise técnica do engenheiro Laín Diez, contratado para assessorar a investigação. O relatório informa que foi preparado um questionário em inglês e espanhol para a direção da Braden Copper Company e os sindicatos da mina.

Investigação de 1945 apontou falhas no conhecimento da ventilação e na evacuação

O documento da Câmara não atribuiu a dimensão da catástrofe a uma única decisão isolada. Apontou como fator grave o desconhecimento, por parte da administração, das condições reais de ventilação, que impediu antecipar o caminho que fumaça e gases percorreriam e escolher rotas de saída adequadas. Assim, o fogo, iniciado em uma instalação de trabalho, transformou-se em uma emergência que se espalhou por uma rede subterrânea cuja circulação de ar não era suficientemente compreendida pelos responsáveis pela evacuação.

Nas décadas seguintes, a tragédia ficou associada ao desenvolvimento de estruturas preventivas na operação. A Codelco afirmou que o acidente na Braden Copper Company marcou o nascimento da segurança industrial em El Teniente; registros parlamentares posteriores também mencionam a criação de um Departamento de Segurança e Higiene Industrial. Esses registros descrevem mudanças na empresa e nas práticas, mas não permitem afirmar que uma única reforma legal nacional tenha sido aprovada imediatamente como consequência direta do incêndio.

A Dirección del Trabajo registra o saldo de 355 mortos e 747 feridos e lembra que o episódio impulsionou avanços na prevenção, até então deixada em segundo plano. O registro oficial da Codelco mantém a data do incêndio e o número de vítimas fatais. O relatório de 1945 documenta a causa operacional que agravou a emergência: a fumaça seguiu os fluxos naturais de ar, enquanto as ordens de saída foram dadas sem que esses fluxos fossem conhecidos com precisão suficiente.