
Em 16 de maio de 1832, Juan Godoy encontrou prata em Chañarcillo, a cerca de 70 quilômetros a sudeste de Copiapó. A data e o nome do descobridor constam da pesquisa histórica do Museo Regional de Atacama, embora o episódio que levou à jazida apareça em diferentes relatos: em alguns, a prata estava à vista, mas os detalhes de como Godoy chegou até ela fazem parte, em certa medida, da tradição. Em poucos anos, a exploração da jazida atraiu trabalhadores e investimentos, além de fortalecer o papel de Copiapó como centro minerador e comercial do norte do Chile.
Juan Godoy registrou La Descubridora três dias depois
A versão mais conhecida conta que Godoy, tropeiro e lenhador, seguiu seus cães montanha acima atrás de um guanaco e encontrou o minério quando parou para descansar. O relato aparece em uma crônica de José Joaquín Vallejo, publicada no jornal El Copiapino em 1845. Trata-se de um testemunho posterior à descoberta, não de um registro feito na época; por isso, documenta como a história foi contada, mas não esclarece todos os detalhes da cena. A pesquisa de Guillermo Cortés, publicada pelo Museo Regional de Atacama em 2017, também reúne outras versões sobre a descoberta.
Em 19 de maio de 1832, Godoy, seu irmão José e o minerador Miguel Gallo apresentaram ao Juizado de Minas de Copiapó o requerimento referente ao veio que chamaram de La Descubridora. O documento formalizou o pedido sobre o veio. A participação de Gallo foi decisiva para a exploração: ele tinha recursos e experiência na mineração, enquanto Godoy vinha de uma atividade ligada ao tropeirismo e ao corte de lenha. O estudo do museu aponta que, dias depois, os irmãos Godoy cederam seus direitos a Gallo por 8.245 pesos. Assim, o descobridor logo deixou de ser proprietário do veio que havia encontrado.
O interesse pelo cerro não começou naquele dia. A pesquisa do Museo Regional registra antecedentes de prospecção mineral na região desde o século XVIII e trabalhos nas proximidades no início do século XIX. Antes de Chañarcillo, já eram explorados outros minerais de prata e cobre nos arredores de Copiapó, onde também havia instalações de processamento. A descoberta, portanto, não criou a mineração local do zero: ocorreu em uma região com atividade, trabalhadores e fundições capazes de receber minério.
A prata impulsionou fundições, comércio e transporte em Copiapó
A mudança pode ser observada nos números da produção de prata no Chile. Uma pesquisa histórica sobre mineração e crédito em Atacama registra que a produção nacional passou de 70.000 quilos em 1801-1810 para 330.000 quilos em 1830-1840. A comparação se refere ao país como um todo, não apenas a Chañarcillo; ainda assim, mostra a dimensão do auge minerador na década em que a jazida foi descoberta. Um levantamento histórico da produção das fundições de Copiapó em 1833 estima cerca de 23 toneladas de prata, das quais aproximadamente nove décimos são atribuídos a Chañarcillo.
A riqueza mineral ampliou a demanda por abastecimento, transporte, serviços e mão de obra em Copiapó, que se tornou um polo comercial para uma região mineradora mais extensa. A conexão entre a cidade e Caldera, porto de saída das exportações, se consolidou com a inauguração da ferrovia em 1851, financiada com capital regional. A linha não foi consequência exclusiva de uma mina: surgiu em meio a um ciclo de expansão da prata em Atacama, que prosseguiu com a descoberta de Tres Puntas, em 1848.
O auge da mineração também teve limites
Chañarcillo contribuiu para sustentar o auge da prata e o fluxo de recursos que alimentou o comércio exterior chileno. A Biblioteca Nacional do Chile situa esse ciclo como um dos pilares econômicos da república e o estende até a expansão associada a Tres Puntas. Mas a bonança não foi permanente: a partir de meados da década de 1850, a produção começou a dar sinais de esgotamento. A história da jazida faz parte de um ciclo regional mais amplo, não de um crescimento contínuo atribuído a um único veio.









