
AbraSilver identificou um intervalo de 66 metros com teor de 4,04 gramas de ouro por tonelada em Diablillos. A descoberta ultrapassa os limites do modelo de recursos e exige novas sondagens para determinar sua continuidade.
A canadense AbraSilver Resource Corp. informou, em 21 de outubro de 2026, um novo resultado de exploração no projeto de ouro e prata Diablillos, localizado na província argentina de Salta, perto da divisa com Catamarca. A sondagem diamantada DDH-26-061 interceptou 228 metros com teor médio de 1,79 grama de ouro por tonelada (g/t), incluindo um trecho de 66 metros com 4,04 g/t. A zona de maior concentração está aproximadamente 50 metros abaixo do projeto atual da futura cava de Oculto, fora dos limites do modelo vigente de recursos minerais.
O resultado corresponde a quatro sondagens cujas análises foram divulgadas como parte do programa de exploração Fase VI. A empresa o considera sua melhor interseção aurífera obtida até agora em Oculto, quando comparada pela relação entre teor e comprimento da sondagem.
A descoberta abre a possibilidade de identificar mineralização adicional sob o setor leste do depósito, embora ainda não permita determinar quanto material poderia ser incorporado aos recursos do projeto nem se sua extração seria economicamente viável.
Intervalo de 11 metros concentra quase 16 gramas de ouro por tonelada
O resultado mais destacado da sondagem DDH-26-061 fica evidente ao analisar a distribuição dos teores ao longo dos 228 metros mineralizados.
A sondagem interceptou o intervalo principal entre os metros 101 e 329, com teor médio de 1,79 g/t de ouro e 12,1 g/t de prata.
Dentro desse trecho, entre os metros 263 e 329, foram identificados 66 metros com 4,04 g/t de ouro e 19,1 g/t de prata. O teor de ouro equivale a aproximadamente 2,3 vezes o teor médio do intervalo completo.
O resultado mais expressivo corresponde a um trecho de 11 metros, entre os metros 276 e 287 da sondagem, que alcançou 15,97 g/t de ouro e 47,6 g/t de prata.
Os três intervalos estão contidos uns nos outros e não representam zonas independentes que possam ser somadas para calcular um comprimento total mineralizado.
A AbraSilver informou que as análises correspondem a mineralização hospedada em material oxidado e que os teores foram reportados sem aplicação de limites máximos nem diluição.
Descoberta está fora do projeto atual da cava
A localização da mineralização é um dos aspectos de maior interesse para o desenvolvimento de Diablillos.
O intervalo de alto teor está aproximadamente 50 metros abaixo do projeto atual da cava a céu aberto prevista para Oculto.
Além disso, estende-se para fora dos limites considerados na estimativa vigente de recursos minerais.
Essa condição poderá justificar uma futura revisão do modelo geológico caso novas sondagens confirmem que a mineralização tem dimensões e continuidade suficientes.
No entanto, encontrar ouro fora do modelo de recursos não significa que exista automaticamente uma nova reserva lavrável.
Os 228 metros informados correspondem a comprimentos medidos ao longo da sondagem, e não à espessura real do corpo mineralizado. Devido à inclinação da sondagem e à geometria das estruturas geológicas, as duas medidas podem ser diferentes.
Para determinar o volume potencial do setor, será necessário conhecer sua extensão lateral, continuidade em profundidade, orientação e características geometalúrgicas.
Também será preciso avaliar os custos adicionais que poderiam resultar da incorporação de material situado abaixo do projeto de lavra atual.
As outras três sondagens e os resultados de 2025
O relatório da AbraSilver inclui resultados das sondagens DDH-26-051, DDH-26-052 e DDH-26-058, também realizadas em Oculto East.
Embora os teores de ouro tenham sido inferiores aos da sondagem principal, elas forneceram informações adicionais sobre a distribuição da mineralização.
A DDH-26-051 registrou 50,5 metros com 0,25 g/t de ouro e outro intervalo de 22 metros com 64,8 g/t de prata.
Já a DDH-26-052 identificou 41 metros com 0,22 g/t de ouro, enquanto a DDH-26-058 interceptou 7 metros com 0,48 g/t.
O novo resultado também se soma a dados de exploração obtidos em 2025.
Em maio daquele ano, a sondagem DDH-25-024 havia interceptado 31 metros com 9,96 g/t de ouro, incluindo 6 metros com 41,89 g/t. Mais tarde, a DDH-25-077 identificou 8,5 metros com 13,81 g/t.
Esses resultados demonstram a existência de intervalos de alto teor em diferentes pontos do setor leste de Oculto.
Ainda é preciso, porém, determinar se eles correspondem a partes conectadas de uma mesma estrutura mineralizada ou a concentrações cuja continuidade é limitada.
A comparação também explica por que o resultado recente foi classificado como o melhor de Oculto pela relação teor-comprimento: outras sondagens registraram teores mais altos, mas em intervalos consideravelmente mais curtos.
Diablillos avança rumo a uma decisão de investimento em 2027
O projeto Diablillos fica na região da Puna argentina, aproximadamente 160 quilômetros a sudoeste da cidade de Salta.
A AbraSilver adquiriu a propriedade em 2016 e realizou campanhas de exploração em setores como Oculto, JAC, Laderas e Fantasma.
Em junho de 2026, a companhia concluiu um estudo de viabilidade definitivo que prevê uma operação de lavra a céu aberto e uma usina com capacidade de processamento de 9.000 toneladas por dia.
O estudo prevê um investimento inicial estimado em US$722 milhões, incluindo contingências, e vida útil projetada de 25 anos.
As reservas minerais provadas e prováveis do projeto foram estimadas em aproximadamente 77,9 milhões de toneladas, com conteúdo próximo de 184 milhões de onças de prata e 1,8 milhão de onças de ouro.
Esses números fazem parte do inventário respaldado pelo estudo de viabilidade e não devem ser confundidos com a mineralização adicional identificada nas perfurações divulgadas nesta semana.
A decisão final de investimento está prevista para o segundo trimestre de 2027, enquanto o início da produção continua projetado para antes do fim de 2029.
Ambos os marcos dependem do cumprimento das condições financeiras, regulatórias e técnicas necessárias para a execução do projeto.
Três sondas seguem em busca de extensões de ouro e prata
A AbraSilver informou que o programa exploratório Fase VI, iniciado em janeiro de 2026, acumula aproximadamente 13.500 metros perfurados em 51 sondagens diamantadas.
Além disso, a empresa executou cerca de 2.000 metros em 13 perfurações para estudar áreas previstas para a instalação de infraestrutura e verificar suas condições geológicas.
A campanha conta atualmente com três sondas de perfuração, e a expectativa é concluí-la antes do fim de 2026.
Os trabalhos seguirão em Oculto East, Oculto West e no corredor que conecta JAC a Oculto, além de alvos exploratórios como Cerro Viejo e a propriedade vizinha Condoryacu.
Nas proximidades do DDH-26-061, a prioridade será verificar até onde a zona oxidada de alto teor se estende lateralmente e em profundidade.
A companhia também realiza um estudo geofísico de resistividade pelo método CSAMT, que permitirá obter informações sobre as estruturas do subsolo e selecionar novos alvos de perfuração.
Os resultados pendentes serão usados para atualizar os modelos geológicos tridimensionais.
Uma nova estimativa de recursos pode ser divulgada em 2027
O cronograma da AbraSilver prevê a publicação de uma atualização de recursos minerais no segundo trimestre de 2027.
O documento permitirá determinar se parte das novas interseções atende às condições técnicas necessárias para ser incorporada ao inventário do projeto.
Paralelamente, a companhia prepara uma avaliação econômica preliminar de uma eventual segunda etapa com lixiviação em pilhas, voltada a estudar o aproveitamento de material de menor teor que não faz parte do plano principal de processamento por lixiviação em tanques.
Os resultados dessa avaliação são esperados nas próximas semanas.
Por enquanto, a sondagem DDH-26-061 confirma a presença de mineralização aurífera de alto teor abaixo dos limites atualmente considerados para o desenvolvimento de Oculto.
A descoberta é geologicamente relevante, mas seu real potencial de mineração ainda está em aberto. As próximas perfurações deverão determinar se esses 66 metros de maior concentração fazem parte de um corpo contínuo, suficientemente extenso e economicamente recuperável para alterar o futuro projeto de lavra de Diablillos.









