
Kingfisher Metals concluiu uma campanha de 13.551 metros na Colúmbia Britânica e identificou extensos intervalos com mineralização do tipo pórfiro. As análises pendentes determinarão os teores dos metais encontrados.
A mineradora canadense Kingfisher Metals anunciou em 21 de outubro de 2026 que concluiu sua campanha de sondagem diamantada no projeto HWY 37, localizado no Triângulo de Ouro da Colúmbia Britânica, no Canadá. Os resultados geológicos ampliam o conhecimento sobre um sistema de cobre e ouro. Entre os destaques está a sondagem HW-26-031, que atingiu 1.106 metros de profundidade e atravessou aproximadamente 328 metros com vênulas de quartzo contendo calcopirita e pirita, minerais associados a sistemas cupríferos.
A campanha terminou com 13.551 metros perfurados em 24 novas sondagens, além do aprofundamento de uma perfuração anterior. Os trabalhos começaram em junho e foram concluídos em 15 de outubro, com até quatro sondas diamantadas em operação.
Embora as observações sejam relevantes para a exploração, a companhia ainda aguarda a maioria dos resultados laboratoriais. Portanto, as interseções relatadas não permitem determinar os teores de cobre dos intervalos completos nem confirmar a existência de um depósito economicamente viável.
A sondagem mais profunda encontrou mineralização até os 1.106 metros
O alvo Hank concentrou uma parte importante da campanha por apresentar indícios de mineralização de cobre e ouro associados a um sistema do tipo pórfiro.
Nesse setor, a Kingfisher perfurou aproximadamente 8.073 metros em nove sondagens, incluindo o prolongamento de uma perfuração anterior.
Todas as sondagens destinadas a investigar o pórfiro Hank encontraram evidências do sistema mineralizado ou de suas zonas de alteração hidrotermal.
O resultado mais expressivo foi o da HW-26-031, que atravessou inicialmente rochas vulcânicas e vulcanoclásticas com minerais associados a processos hidrotermais.
A cerca de 778 metros de profundidade ao longo da trajetória da sondagem, os geólogos identificaram um sistema de vênulas de quartzo com calcopirita e pirita, acompanhado de alterações minerais características de certos depósitos do tipo pórfiro.
Em um trecho entre 778 e 838 metros, também foram observadas pequenas quantidades de bornita, outro mineral que pode conter cobre.
As vênulas e a mineralização associada se estenderam até o fim da perfuração, aos 1.106 metros.
Isso significa que a sondagem terminou sem delimitar completamente o sistema mineralizado em profundidade.
No entanto, os 328 metros correspondem à extensão medida ao longo da trajetória inclinada da perfuração e não necessariamente à espessura verdadeira de uma zona mineralizada.
Isso também não significa que todo o intervalo contenha concentrações de cobre economicamente atrativas.
Outra sondagem atravessou 212 metros de vênulas do tipo pórfiro
O segundo resultado de destaque foi o da HW-26-028, que atingiu uma profundidade total de 942 metros.
A partir dos 634 metros, a perfuração avançou por uma zona caracterizada por uma rede de vênulas de quartzo, calcopirita e pirita.
Esse tipo de estrutura, conhecido como stockwork, é formado por conjuntos de vênulas que atravessam a rocha em diferentes direções e pode estar associado a depósitos de cobre e ouro de grande extensão.
A Kingfisher identificou um trecho de 212 metros com stockwork, entre 634 e 846 metros de profundidade na sondagem.
A abundância visual de vênulas aumentou consideravelmente nesse intervalo.
Nos primeiros 32 metros, a companhia estimou que as vênulas ocupavam cerca de 10% do volume da rocha. Em seguida, a proporção aumentou para valores estimados entre 30% e 85%.
Segundo a Kingfisher, esse setor apresentou a maior abundância de vênulas e as estimativas visuais mais elevadas de calcopirita observadas na campanha de 2026 e nas perfurações históricas do projeto.
A mineralização continuou abaixo dos 846 metros, embora com características geológicas diferentes.
O resultado permitiu identificar uma zona com alta densidade de vênulas, um dos principais alvos que a empresa buscava reconhecer durante a temporada.
No entanto, a abundância de vênulas não é uma medida direta do teor de cobre. Essa informação deverá ser determinada por meio de análises químicas em laboratório.
Uma terceira sondagem encontrou indícios de cobre e molibdênio
A sondagem HW-26-023, que atingiu 1.061 metros, também forneceu informações sobre a extensão do sistema geológico.
A partir de aproximadamente 765 metros, foram identificadas alterações características de ambientes associados a pórfiros cupríferos.
Em maior profundidade, os geólogos observaram vênulas de quartzo com calcopirita e molibdenita, além de zonas com pequenas quantidades de bornita.
Entre aproximadamente 946 metros e o fim da sondagem, foram identificadas novas associações minerais, incluindo calcopirita disseminada e vênulas relacionadas a uma fase intrusiva.
A presença desses minerais em diferentes perfurações reforça a interpretação da Kingfisher sobre a existência de um amplo sistema hidrotermal.
No entanto, ainda é necessário determinar sua continuidade espacial, a distribuição dos teores e suas características econômicas.
A campanha totalizou 13.551 metros em três grupos de alvos
Os trabalhos de 2026 não se limitaram à descoberta de cobre em Hank.
A Kingfisher distribuiu as atividades entre três grupos principais de exploração, buscando compreender tanto a mineralização em profundidade quanto as ocorrências de ouro próximas à superfície.
O alvo Hank concentrou 8.073 metros de perfuração.
Em Upper Hank, que inclui as áreas Flats, Felsite Hill e Pits, a companhia executou aproximadamente 3.037 metros de perfuração para investigar sistemas auríferos epitérmicos.
Outros 2.441 metros foram destinados a alvos exploratórios em estágio inicial.
Em vários furos de Upper Hank, foram identificadas zonas de alteração com pirita e vênulas características de ambientes hidrotermais.
O programa também incluiu estudos geofísicos, mapeamentos geológicos e amostragens de superfície em HWY 37 e Forrest Kerr.
Entre as atividades complementares, destacam-se a coleta de 2.337 amostras de solo e 148 amostras de rocha, além de levantamentos LiDAR em aproximadamente 268 quilômetros quadrados.
Esses dados ajudam a aprimorar os modelos geológicos e a direcionar futuras perfurações para áreas com maiores indícios de mineralização.
Resultado anterior apontou ouro, prata e cobre de alto teor
A campanha de outubro também ajuda a contextualizar uma descoberta divulgada anteriormente pela Kingfisher.
Em 21 de setembro de 2026, a empresa apresentou resultados parciais do furo HW-26-015, no qual identificou uma veia polimetálica com ouro visível.
As análises laboratoriais confirmaram um intervalo de 8,8 metros com teores de 20,33 gramas de ouro por tonelada, 937,6 gramas de prata por tonelada e 2,98% de cobre, além de zinco e chumbo.
Esse trecho fazia parte de um intervalo mais amplo, de 27 metros, que também apresentou mineralização polimetálica.
Ao contrário dos resultados visuais divulgados em outubro, esses teores são provenientes de análises químicas.
No entanto, eles se referem a um trecho específico, selecionado para análise prioritária, e não representam os teores médios do furo completo nem de todo o sistema Hank.
Os dados também mostram que o projeto contém diferentes estilos de mineralização, desde veios polimetálicos até estruturas associadas a sistemas profundos de cobre e ouro.
Empresa prepara mais 20.000 metros de perfuração para 2027
Após concluir a campanha, a Kingfisher começou a preparar um novo programa de exploração para 2027.
A empresa prevê aproximadamente 20.000 metros adicionais de sondagem diamantada, extensão superior à executada em 2026.
Dustin Perry, presidente e CEO da Kingfisher Metals, explicou que um dos principais objetivos da temporada foi determinar a geometria do sistema de cobre e ouro Hank e identificar zonas extensas de stockwork.
A companhia avalia que os resultados obtidos reforçam sua interpretação geológica e justificam a continuidade das pesquisas sobre a mineralização em profundidade e lateralmente.
Para apoiar as atividades futuras, a Kingfisher também adquiriu a propriedade onde fica o acampamento Willow Creek.
O projeto HWY 37 abrange aproximadamente 849 quilômetros quadrados no noroeste da Colúmbia Britânica, em uma região conhecida por seus importantes sistemas minerais de cobre, ouro e prata.
A proximidade da rodovia 37 e de uma infraestrutura elétrica é um aspecto relevante para o planejamento de futuras campanhas, embora ainda não signifique que haja uma operação de mineração aprovada.
Análises químicas vão definir o real alcance da descoberta
O principal desafio da Kingfisher será transformar as observações geológicas em resultados quantitativos.
Até o momento, as perfurações profundas comprovaram a presença de minerais de cobre e estruturas hidrotermais em vários setores do alvo Hank.
No entanto, a presença de calcopirita, bornita ou vênulas de quartzo não permite, por si só, determinar se há uma concentração comercial de cobre.
As análises pendentes deverão indicar os teores dos diferentes intervalos, enquanto novas perfurações permitirão avaliar a continuidade e a geometria do sistema.
Para avançar rumo a uma eventual estimativa de recursos minerais, também será necessário reunir informações suficientes sobre tonelagem, densidade e distribuição espacial da mineralização.
Por enquanto, HWY 37 continua sendo um projeto de exploração, e os resultados divulgados não constituem reservas minerais nem uma decisão de construção.
O aspecto mais relevante da campanha é que vários furos profundos terminaram em zonas com indícios de mineralização, deixando áreas ainda sem delimitação.
A perfuração de 1.106 metros confirma a presença de vênulas de cobre até o final do furo, mas serão as análises químicas e as novas campanhas que determinarão quanto cobre o sistema Hank realmente contém.









