Pesquisa Mineral

22 sondagens em área de terras raras revelam o mesmo sinal geológico

A mineradora SAGA Metals concluiu 22 sondagens em seu projeto Wolverine, no Canadá, e identificou alterações geológicas favoráveis à ocorrência de terras raras. Os resultados das análises químicas ainda estão pendentes.

22 sondagens em área de terras raras revelam o mesmo sinal geológico

A mineradora SAGA Metals concluiu 3.241 metros de sondagens em Labrador, no Canadá, onde apenas 5% de uma extensa unidade vulcânica favorável foram investigados por meio de perfurações. Os resultados das análises químicas ainda estão pendentes.

Uma extensa formação geológica no norte do Canadá está revelando novas pistas sobre seu potencial para conter terras raras. A companhia SAGA Metals informou em 21 de outubro de 2026 que suas 22 sondagens diamantadas no projeto Wolverine, em Labrador, identificaram alterações hidrotermais consideradas favoráveis à mineralização desses elementos estratégicos. A campanha totalizou 3.241 metros perfurados e foi o primeiro programa sistemático de sondagens diamantadas realizado na propriedade.

O resultado ganha relevância pelas dimensões do alvo geológico: Wolverine abriga cerca de 26 quilômetros quadrados de tufos vulcânicos com indícios de mineralização, dos quais, segundo a empresa, apenas 5% foram investigados por meio de sondagens.

Os resultados laboratoriais, porém, ainda estão pendentes. A identificação de alterações em todas as sondagens é um indício geológico favorável, mas não comprova que as 22 perfurações contenham concentrações de terras raras economicamente viáveis.

Campanha com 22 sondagens identifica alterações em profundidade

A SAGA Metals, listada na Bolsa de Valores de Toronto Venture sob o símbolo SAGA, concluiu sua primeira campanha sistemática de sondagens diamantadas em Wolverine. As perfurações atingiram profundidades entre 43 e 204 metros.

Os trabalhos se concentraram em uma sequência de rochas vulcânicas do complexo ígneo Flowers River, especialmente em uma unidade de tufos de cinza fina denominada Unidade 4.

Também foram investigados os contatos geológicos com as unidades vulcânicas superior e inferior, identificadas como Unidades 5 e 3.

As sondagens foram executadas com inclinação de 85 graus em relação à horizontal, quase na vertical, para atravessar as formações geológicas consideradas prioritárias.

Durante a análise preliminar dos testemunhos de sondagem, os geólogos identificaram associações de minerais de alteração hidrotermal nas 22 perfurações.

Essas modificações na rocha são relevantes porque podem estar relacionadas à circulação de fluidos quentes capazes de transportar e concentrar determinados elementos químicos.

Em Wolverine, a companhia avalia que alguns desses processos estiveram associados à formação de mineralização de terras raras.

A continuidade dessas características nos diferentes pontos perfurados amplia o conhecimento sobre o sistema geológico, embora ainda seja necessário determinar as concentrações reais por meio de análises químicas.

Duas sondagens apresentam alterações em quase toda a extensão

Até a data do anúncio, a SAGA havia concluído a descrição geológica detalhada e a amostragem de duas das 22 sondagens.

A primeira, identificada como W26-001, atingiu 182 metros de profundidade.

Durante a perfuração, atravessou 118,75 metros da unidade vulcânica considerada prioritária. Os indícios de alteração hidrotermal se estenderam de 1,8 metro de profundidade até o fim da sondagem.

Isso corresponde a aproximadamente 180,2 metros de rocha alterada.

Os geólogos coletaram 138 amostras de testemunhos para análise posterior.

A segunda sondagem, W26-002, atingiu 179 metros de profundidade e atravessou 50,97 metros da mesma unidade vulcânica.

Nesse caso, a alteração foi identificada desde cerca de 0,35 metro de profundidade até praticamente o fim da perfuração, abrangendo aproximadamente 178,65 metros.

Foram coletadas 139 amostras nessa sondagem.

Entre os minerais identificados durante a descrição geológica estão clorita e sericita, associadas a sulfetos em determinados intervalos.

Essas associações podem fornecer informações sobre as condições de temperatura, a circulação de fluidos e as transformações químicas pelas quais as rochas passaram.

No entanto, as espessuras das zonas de alteração não devem ser confundidas com intervalos mineralizados de teor conhecido. Só será possível determinar a concentração efetiva de terras raras após a divulgação dos resultados analíticos.

A descrição detalhada e a amostragem das outras 20 sondagens seguem em andamento.

Apenas 5% do alvo geológico foi perfurado

Um dos fatores que despertam o interesse exploratório em Wolverine é a extensão da sequência vulcânica considerada favorável.

A SAGA estima que cerca de 26 quilômetros quadrados apresentam afloramentos de tufos vulcânicos associados ao sistema mineralizado.

Segundo a companhia, as sondagens realizadas até agora investigaram aproximadamente 5% dessa unidade geológica.

Isso significa que uma parcela considerável do alvo ainda não foi avaliada por meio de sondagens.

A extensão superficial de uma formação favorável, porém, não permite determinar automaticamente a quantidade de minerais que ela contém.

Para saber se existe um depósito com potencial econômico, é preciso conhecer a continuidade das concentrações, a geometria dos corpos mineralizados, as características metalúrgicas e outros fatores técnicos.

Os dados históricos do projeto incluem resultados de sondagens por circulação reversa com concentrações de até 2,03% de óxidos totais de terras raras (TREO).

Além disso, algumas amostras superficiais de pegmatitos hospedados em granitos peralcalinos registraram concentrações de até 21,6% de TREO.

Esse último resultado se refere a amostras pontuais históricas e não representa o teor médio do projeto nem o da nova campanha de sondagens diamantadas.

A diferença é fundamental: uma amostra superficial de alta concentração pode revelar uma mineralização localizada, mas não comprova a existência de grandes volumes de rocha com características equivalentes.

Novos pegmatitos ampliam as áreas de interesse

A campanha de 2026 não se limitou às sondagens.

Durante aproximadamente dois meses, as equipes de exploração realizaram trabalhos adicionais de reconhecimento geológico em outros setores de Wolverine.

Essas atividades permitiram coletar 136 amostras superficiais de rocha, cujas análises também estão pendentes.

O reconhecimento identificou unidades vulcânicas favoráveis fora da área onde se concentraram as sondagens, ampliando as regiões que poderão ser investigadas em campanhas futuras.

No setor sul da propriedade, os geólogos confirmaram a presença de pegmatitos já conhecidos e localizaram novas estruturas pegmatíticas e diques de aplito.

Essas formações são relevantes porque determinados pegmatitos associados a sistemas magmáticos especializados podem conter concentrações de elementos pouco comuns.

As observações também levaram os pesquisadores da empresa a propor a existência de estruturas hidrotermais subverticais que teriam permitido a ascensão de fluidos mineralizantes.

Ainda se trata de uma interpretação geológica preliminar, que deverá ser verificada por meio de análises químicas e novos estudos do subsolo.

Por que as terras raras despertam interesse internacional

As terras raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos usados em diferentes aplicações industriais e tecnológicas.

Entre eles, destacam-se neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, fundamentais para a fabricação de determinados ímãs permanentes de alto desempenho.

Esses componentes são usados em motores elétricos, geradores eólicos, equipamentos eletrônicos e diversas aplicações industriais e de defesa.

A importância estratégica desses minerais está relacionada tanto à sua disponibilidade geológica quanto à capacidade de separá-los, refiná-los e transformá-los em produtos industriais.

Embora existam depósitos de terras raras em diferentes regiões do planeta, seu processamento exige tecnologias especializadas e cadeias de suprimento complexas.

Nesse cenário, o Canadá busca ampliar o desenvolvimento de seus minerais críticos, enquanto empresas de exploração investigam novos sistemas geológicos que poderiam diversificar as fontes de abastecimento.

Wolverine pertence à categoria de projetos em fase de exploração e ainda não conta com uma estimativa de recursos minerais que permita determinar seu potencial econômico.

SAGA prepara novos estudos para 2027

Após concluir as sondagens, a prioridade imediata da SAGA Metals será finalizar o registro geológico e a amostragem dos 20 furos restantes.

Em seguida, as amostras deverão passar por análises químicas para determinar as concentrações de terras raras e de outros elementos associados.

A empresa prevê divulgar os primeiros resultados laboratoriais em lotes, à medida que estiverem disponíveis.

Para o segundo trimestre de 2027, também planeja realizar um estudo geofísico por polarização induzida, técnica que permite investigar determinadas propriedades elétricas das rochas e ajuda a identificar estruturas no subsolo.

As informações obtidas serão integradas aos resultados geoquímicos e ao mapeamento geológico para selecionar novos alvos de sondagem.

Michael Garagan, diretor e geólogo-chefe da SAGA Metals, afirmou que os trabalhos proporcionaram a primeira avaliação sistemática, por sondagem diamantada, da sequência vulcânica em profundidade e ajudarão a orientar a estratégia de exploração para 2027.

A companhia também considera avançar para uma primeira estimativa de recursos minerais, embora esse objetivo dependa da qualidade, da quantidade e da continuidade dos dados disponíveis.

Por enquanto, Wolverine concluiu uma campanha que encontrou alteração geológica favorável nos 22 furos de sondagem, mas ainda precisa comprovar, por meio de análises laboratoriais, quanto minério realmente contém.

Essa será a prova decisiva para determinar se os indícios identificados sob as rochas vulcânicas de Labrador podem se transformar em um recurso mineral quantificável e, eventualmente, em uma oportunidade de desenvolvimento mineral.