Pesquisa Mineral

Foram perfurados 10 quilômetros em busca de escândio, e a jazida se revelou quase 500 metros mais extensa

Scandium Canada amplia seu projeto Crater Lake, em Quebec, após identificar uma nova zona geológica de 500 metros e estender a jazida de escândio para quase 1,2 quilômetro.

Foram perfurados 10 quilômetros em busca de escândio, e a jazida se revelou quase 500 metros mais extensa

A Scandium Canada concluiu 49 sondagens no norte de Quebec e identificou uma segunda zona geológica de 500 metros. Os resultados podem ampliar os recursos de um mineral estratégico usado em ligas aeroespaciais.

Uma campanha de sondagem que somou mais de 10 quilômetros permitiu ampliar em aproximadamente 485 metros a extensão potencial de uma jazida de escândio no Canadá. A Scandium Canada anunciou em 21 de outubro de 2026 que concluiu 49 sondagens diamantadas, totalizando 10.018 metros, no projeto Crater Lake, em Nunavik, no norte de Quebec. A empresa identificou novas zonas com potencial mineral que podem alterar as estimativas de recursos disponíveis.

O programa, realizado entre 26 de junho e meados de outubro, superou com folga as expectativas iniciais da empresa. O plano previa 16 sondagens e 4.000 metros de perfuração, mas a extensão total chegou a 2,5 vezes o previsto originalmente.

O principal resultado foi a ampliação da extensão potencial da jazida TG, que passou de aproximadamente 700 metros, considerados na estimativa de recursos de 2025, para quase 1,2 quilômetro.

Além disso, os trabalhos identificaram uma nova zona geológica paralela, com pelo menos 500 metros de extensão, situada aproximadamente 140 metros a leste da jazida conhecida.

As descobertas ampliam as áreas que precisarão ser avaliadas para determinar o verdadeiro potencial econômico de Crater Lake, embora ainda não representem um aumento oficialmente quantificado dos recursos minerais.

Campanha superou com folga as metas iniciais

A Scandium Canada conduziu a campanha com o apoio da Laurentia Exploration, empresa responsável pela gestão das atividades de sondagem.

Os trabalhos começaram com um programa de 4.000 metros, mas os resultados das primeiras etapas levaram a empresa a ampliar consideravelmente o escopo.

A campanha terminou com 49 sondagens diamantadas, distribuídas entre áreas destinadas à coleta de amostras para testes metalúrgicos, à confirmação de extensões da jazida e à exploração de novos alvos.

Dezenove sondagens foram destinadas à coleta de uma amostra representativa de grande volume dentro da jazida TG.

Outras 22 sondagens investigaram as extensões norte e sul da mineralização conhecida, enquanto oito se concentraram em novos alvos geológicos.

A extensão total perfurada chegou a 10.018 metros, valor superior à altura do monte Everest, que chega a aproximadamente 8.849 metros acima do nível do mar.

Essa comparação, no entanto, corresponde à soma de todas as sondagens e não significa que a empresa tenha perfurado um único poço com dez quilômetros de profundidade.

O objetivo da campanha foi ampliar o conhecimento geológico da jazida, identificar possíveis extensões laterais e reunir material suficiente para estudar alternativas de processamento.

Jazida TG pode se estender por até 1,2 quilômetro

Um dos resultados mais importantes foi a identificação de novas extensões da zona mineralizada TG.

A estimativa de recursos publicada em 2025 considerava uma extensão potencial próxima de 700 metros.

Com os trabalhos de 2026, a Scandium Canada identificou uma extensão de aproximadamente 335 metros para o norte e outros 150 metros para o sul, totalizando um acréscimo de 485 metros.

Com isso, a área potencial se aproxima de 1,2 quilômetro de extensão.

Inicialmente, a empresa pretendia estender a jazida em cerca de 200 metros. Os resultados acabaram superando em mais de duas vezes essa meta.

A ampliação é geologicamente relevante porque novas sondagens encontraram continuidade das rochas que hospedam a mineralização em áreas além dos limites considerados anteriormente.

No entanto, o aumento da extensão não significa que o volume de recursos minerais tenha crescido na mesma proporção.

Para determinar isso, será necessário estabelecer a continuidade tridimensional da mineralização, seus teores, densidades e características geológicas.

Esses dados deverão ser incorporados a um novo modelo de recursos, que permitirá estimar as toneladas e as concentrações de escândio presentes na jazida.

Nova zona de 500 metros é descoberta junto à jazida principal

Além de ampliar a zona TG, a campanha identificou uma estrutura geológica que não estava entre os alvos originais.

Trata-se de uma zona de ferrossienito, um tipo de rocha ígnea associado à mineralização de escândio do projeto, situada aproximadamente 140 metros a leste da jazida principal.

Os pesquisadores já haviam identificado uma anomalia magnética com cerca de 750 metros de extensão nessa área.

As novas sondagens confirmaram a presença de rochas favoráveis ao longo de pelo menos 500 metros dessa estrutura.

Seis sondagens interceptaram materiais com características geológicas semelhantes às das rochas que contêm os recursos da zona TG.

A área está dentro dos limites do projeto conceitual de lavra a céu aberto usado na avaliação de mineração de 2025.

Isso pode facilitar sua inclusão em futuras alternativas de desenvolvimento, desde que as análises confirmem concentrações e continuidade mineral suficientes.

Os resultados químicos definitivos das seis sondagens que identificaram essa nova zona ainda não foram divulgados.

Portanto, a presença de rochas semelhantes às da jazida principal não comprova que elas tenham os mesmos teores de escândio ou que possam ser exploradas economicamente.

Sondagens registraram intervalos importantes de escândio

As análises disponíveis também forneceram dados sobre as concentrações do mineral em diferentes áreas de Crater Lake.

Entre os resultados de destaque está o furo CL26095, localizado ao norte do depósito TG, que interceptou 150,1 metros com teor médio de 292 partes por milhão de óxido de escândio (Sc₂O₃).

Dentro desse intervalo, foram identificados 92,85 metros com teor médio de 344,5 partes por milhão.

Outro resultado relevante é o do furo CLB26076, que registrou aproximadamente 140 metros com 293 partes por milhão de óxido de escândio, incluindo um trecho de 30 metros com 512 partes por milhão.

Os resultados divulgados em 21 de outubro também incluíram dados de furos adicionais.

O furo CL26088 apresentou 31,1 metros com aproximadamente 307 partes por milhão, enquanto o CL26099 registrou 78 metros com 187 partes por milhão, incluindo um intervalo de 7,5 metros com 464 partes por milhão.

Esses valores representam as concentrações de óxido de escândio nas amostras analisadas, e não percentuais de recuperação metalúrgica.

Além disso, os intervalos informados correspondem a comprimentos medidos ao longo dos furos. As espessuras geológicas reais ainda não foram determinadas.

Recuperação de 15 toneladas de material para estudos de processamento

A campanha também permitiu reunir uma amostra de aproximadamente 15 toneladas de material mineralizado, destinada a testes metalúrgicos.

A empresa havia planejado inicialmente recuperar entre oito e dez toneladas, portanto, o volume obtido superou a meta original.

O material será usado para investigar os processos necessários à recuperação de escândio e avaliar o potencial de produção comercial.

Os testes metalúrgicos são essenciais porque a presença de um mineral na rocha não significa que ele possa ser extraído de forma rentável.

É preciso determinar qual proporção do metal pode ser recuperada, quais reagentes e equipamentos são necessários, quanta energia o processo consome e quais custos operacionais podem ser gerados.

Os resultados desses testes servirão de base para estudos técnicos posteriores, incluindo uma eventual avaliação de viabilidade.

Até o momento, a recuperação das amostras representa um avanço na preparação desses testes, mas não comprova a existência de um processo comercial definitivo para a exploração do depósito.

Crater Lake já tem recursos estimados, mas ainda não reservas

O projeto conta com uma estimativa de recursos minerais publicada em abril de 2025, de acordo com a norma canadense NI 43-101.

O documento identificou 16,3 milhões de toneladas de recursos indicados, com teor médio de 277,9 gramas de óxido de escândio por tonelada.

Também foram considerados 20,9 milhões de toneladas de recursos inferidos, com teor médio de 271,7 gramas por tonelada.

Os recursos indicados têm maior nível de confiança geológica que os inferidos, embora nenhuma dessas categorias corresponda automaticamente a reservas minerais.

Para que sejam classificadas como reservas, são necessários estudos adicionais que demonstrem condições técnicas e econômicas suficientes para viabilizar uma eventual exploração.

A campanha de 2026 busca aprimorar essas informações e avaliar quanto material adicional poderá ser incorporado ao inventário de recursos.

Até o anúncio de 21 de outubro, a empresa havia recebido resultados analíticos de 28 dos 49 furos executados.

As análises dos outros 21 ainda estavam pendentes e são esperadas para novembro.

Por esse motivo, ainda não é possível determinar o impacto definitivo da campanha sobre o volume total do depósito.

Por que o escândio desperta interesse na indústria aeroespacial

O escândio é um metal usado principalmente em aplicações especializadas, nas quais suas propriedades podem melhorar o desempenho de determinados materiais.

Uma de suas aplicações mais conhecidas são as ligas de alumínio e escândio.

A adição de pequenas quantidades de escândio pode aumentar a resistência mecânica e melhorar determinadas propriedades de fabricação de algumas ligas. Isso torna o material atraente para aplicações aeroespaciais, transporte e manufatura avançada.

O metal também é usado em tecnologias de energia e componentes industriais especializados.

No entanto, o mercado mundial de escândio ainda é pequeno se comparado aos de metais como cobre, alumínio ou níquel.

O desenvolvimento comercial enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, à disponibilidade de fornecimento e à necessidade de ampliar a demanda industrial.

A Scandium Canada pretende atuar nesse mercado por meio do desenvolvimento de Crater Lake e da comercialização de ligas de alumínio e escândio pela subsidiária Scalium+.

Integrar um possível fornecimento futuro da mina a produtos industriais faz parte da estratégia da empresa, mas depende do avanço satisfatório do projeto nas etapas técnicas e econômicas.

Nova estimativa de recursos prevista para o fim de 2026

Com a campanha de sondagem concluída, a Scandium Canada concentrará esforços na finalização das análises pendentes e na incorporação das informações ao modelo geológico.

A empresa espera publicar uma estimativa atualizada de recursos minerais até o fim de 2026.

Na sequência, prevê elaborar uma avaliação econômica preliminar nos primeiros meses de 2027.

O estudo deverá fornecer informações adicionais sobre possíveis métodos de lavra e processamento, investimentos necessários e perspectivas econômicas.

Simon Thibault, presidente e diretor-executivo da Scandium Canada, considera que os resultados da campanha permitirão ampliar o conhecimento sobre o depósito e embasar as próximas etapas da avaliação.

No entanto, os prazos anunciados são metas da empresa e podem ser alterados conforme os resultados técnicos e as condições de desenvolvimento.

A extensão prospectiva de quase 500 metros e a identificação de uma segunda zona estão entre os principais avanços exploratórios da Crater Lake em 2026.

A próxima estimativa deverá responder quanto desse novo potencial geológico pode se converter efetivamente em recursos minerais quantificados e, mais adiante, em reservas economicamente explotáveis.