
A mineradora canadense apresentou seu plano operacional para o exercício fiscal de 2027, que prevê a extração de mais de seis milhões de toneladas curtas de material, a adoção da lixiviação direta e o desenvolvimento de uma nova plataforma com capacidade para até 12 milhões de toneladas curtas.
A Borealis Mining Company Limited projeta produzir entre 15.250 e 19.250 onças de ouro durante o exercício fiscal de 2027, dando continuidade às operações de sua mina Borealis, localizada perto de Hawthorne, no estado de Nevada, Estados Unidos. A companhia também prevê ampliar o processamento por lixiviação em pilhas, otimizar as instalações de recuperação metalúrgica e avançar na implantação de infraestrutura para sustentar as operações futuras.
Apresentado em 22 de outubro de 2026, o programa abrange o período de 1º de agosto de 2026 a 31 de julho de 2027. Seu principal objetivo é consolidar a produção de ouro após a retomada das operações a céu aberto no exercício fiscal anterior.
A estratégia prevê concentrar as atividades na cava Deep Ore Flats, complementada por minério proveniente de East Ridge e Freedom Flats. Também inclui uma mudança operacional: processar parte do material mineralizado diretamente nas pilhas de lixiviação, sem passar pela etapa de britagem.
A mudança busca aumentar os volumes processados, reduzir limitações de capacidade e melhorar a continuidade da produção.
Projeções de produção para 2027
O plano operacional prevê movimentar aproximadamente 6,01 milhões de toneladas curtas de material, entre minério e estéril.
Desse total, cerca de 1,77 milhão de toneladas curtas corresponderá a material mineralizado, enquanto outras 4,24 milhões serão de estéril.
Os principais números do programa são:
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Indicador operacional |
Projeção para o exercício fiscal de 2027 |
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Produção de ouro |
15.250 a 19.250 onças |
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Material total extraído |
6.012.170 toneladas curtas |
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Material mineralizado |
1.773.800 toneladas curtas |
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Estéril |
4.238.360 toneladas curtas |
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Relação estéril/minério |
2,4:1 |
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Minério britado para lixiviação |
717.960 toneladas curtas |
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Minério enviado diretamente à lixiviação |
1.055.850 toneladas curtas |
As quantidades de material são expressas em toneladas curtas norte-americanas, cada uma equivalente a aproximadamente 907,2 quilogramas.
A relação estéril/minério de 2,4:1 significa que, para cada tonelada curta de material mineralizado, a operação deverá remover aproximadamente 2,4 toneladas curtas de estéril.
Esse indicador é uma variável importante no planejamento da mina, pois influencia os custos de movimentação de material, a utilização dos equipamentos e a sequência de lavra.
A companhia prevê que a produção de ouro não será distribuída uniformemente ao longo do ano. Os resultados dependerão do teor do minério, dos tempos de lixiviação, das taxas de recuperação metalúrgica e da disponibilidade dos equipamentos.
Deep Ore Flats concentrará a maior parte do ouro produzido
A lavra no exercício fiscal de 2027 será concentrada em Deep Ore Flats, área que deverá responder pela maior parcela da produção anual.
As cavas East Ridge e Freedom Flats fornecerão material complementar para manter a alimentação das instalações e dar flexibilidade ao planejamento da mina.
O modelo busca evitar que o desempenho da produção dependa exclusivamente de uma única frente de lavra.
A mina Borealis conta com infraestrutura existente para operações a céu aberto, pilhas de lixiviação e uma unidade de adsorção, dessorção e recuperação de ouro, conhecida como ADR.
O uso dessa infraestrutura permite concentrar os investimentos em melhorias operacionais e ampliações específicas, embora a companhia ainda precise concluir os estudos e obter as autorizações necessárias para seus novos projetos.
Do ponto de vista da mineração, a continuidade das operações nas três cavas também facilitará os ajustes nos planos de lavra quando houver diferenças entre as características do material previsto e as condições encontradas na prática.
Borealis incluirá mais de um milhão de toneladas curtas de minério sem britagem
Uma das principais mudanças previstas para 2027 será a inclusão do processamento direto do minério proveniente da mina, conhecido como run-of-mine (ROM).
Esse material será depositado nas pilhas de lixiviação sem passar previamente pelo circuito convencional de britagem.
A empresa projeta processar 1.055.850 toneladas curtas nesse modelo, além de outras 717.960 toneladas curtas que serão britadas.
Juntas, as duas frentes representam aproximadamente 1,77 milhão de toneladas curtas de material mineralizado destinado à lixiviação no período.
A decisão se baseia em testes metalúrgicos que incluíram análises granulométricas e ensaios de lixiviação em colunas.
O principal benefício operacional esperado é reduzir a dependência do circuito de britagem e permitir o aumento do volume depositado nas pilhas sem exigir uma expansão equivalente da capacidade de britagem.
No entanto, o processamento direto apresenta desafios metalúrgicos.
O material de maior granulometria pode apresentar recuperações finais menores e períodos de lixiviação mais longos do que o minério britado. Isso significa que o aumento das toneladas depositadas não garante um crescimento proporcional das onças recuperadas.
A companhia precisará controlar variáveis como a permeabilidade das pilhas, a circulação das soluções, as características mineralógicas e a velocidade de recuperação do ouro.
Os resultados obtidos em escala industrial serão determinantes para avaliar a eficiência dessa nova combinação de processamento.
Nova plataforma de lixiviação terá capacidade para até 12 milhões de toneladas curtas
O programa de investimentos operacionais também prevê o início dos trabalhos de engenharia e do processo de licenciamento para a construção de uma nova plataforma de lixiviação.
A instalação projetada terá capacidade total entre 8 milhões e 12 milhões de toneladas curtas, sujeita à definição da engenharia e às autorizações regulatórias pertinentes.
Essa infraestrutura permitirá ampliar o espaço disponível para continuar depositando minério britado e material ROM durante futuras campanhas de produção.
A construção, no entanto, ainda não tem data definida e dependerá da obtenção das licenças necessárias.
Paralelamente, a Borealis planeja modernizar sua instalação ADR, responsável por recuperar o ouro das soluções provenientes da lixiviação.
As melhorias incluem o aumento da capacidade dos equipamentos de dessorção, das células de eletroextração e dos fornos usados na produção de metal doré.
As mudanças buscam adequar a capacidade de recuperação metalúrgica ao aumento previsto nos volumes de minério processados.
A companhia não definiu neste programa um valor final de investimento para o conjunto das ampliações. O custo dependerá, portanto, dos resultados da engenharia, da aquisição de equipamentos e das condições de execução.
Sandman prevê produção anual de 38.000 onças de ouro por nove anos
Além das operações na Borealis, a companhia continuará desenvolvendo o projeto aurífero Sandman, localizado no condado de Humboldt, em Nevada.
O projeto conta com uma Avaliação Econômica Preliminar atualizada em fevereiro de 2026, que prevê lavra a céu aberto com lixiviação em pilhas.
O estudo prevê produção média de aproximadamente 38.000 onças de ouro por ano durante nove anos.
Esses números correspondem exclusivamente ao cenário de desenvolvimento de Sandman e não fazem parte das projeções de produção da mina Borealis para o exercício fiscal de 2027.
No próximo período, a empresa concentrará suas atividades na conclusão de testes metalúrgicos, no avanço dos projetos de mineração e no desenvolvimento de estudos de infraestrutura.
A companhia também continuará avaliando os requisitos ambientais e regulatórios necessários para apresentar um pedido de licenças de mineração durante o exercício fiscal de 2027.
O projeto segue em fase de avaliação e ainda não conta com uma decisão definitiva de construção.
Exploração e licenciamento vão orientar o crescimento da companhia
A estratégia de mineração também prevê a continuidade da identificação de novos alvos auríferos nas propriedades que a Borealis mantém em Nevada.
Na mina Borealis, as atividades buscarão encontrar mineralização adicional que possa, eventualmente, prolongar a operação.
A companhia também trabalha na obtenção das licenças necessárias para explorar setores a leste da propriedade, onde há registros de mineralização histórica e novos alvos epitermal.
Em Sandman, as atividades de exploração buscarão ampliar as zonas conhecidas e avaliar outras áreas do distrito.
A isso se soma Big Balds, outro projeto aurífero em Nevada, onde a Borealis planeja realizar sua primeira campanha de sondagem após obter uma autorização inicial para esses trabalhos.
Essas atividades permitirão avaliar oportunidades de crescimento, embora seus resultados ainda não possam ser considerados recursos minerais adicionais.
Há também uma consideração técnica importante: a mina Borealis não conta atualmente com recursos ou reservas minerais vigentes estabelecidos segundo a norma canadense NI 43-101. Seu plano de produção se baseia em modelos internos, e não em um estudo de viabilidade que comprove formalmente sua viabilidade econômica.
Portanto, as projeções apresentadas têm um grau de incerteza maior que o de operações respaldadas por reservas minerais formalmente definidas.
Produção, recuperação metalúrgica e capacidade vão definir o desempenho em 2027
A execução do programa fiscal de 2027 será um teste para a capacidade da Borealis de manter operações contínuas após a retomada da lavra a céu aberto.
A meta de produzir até 19.250 onças de ouro dependerá tanto dos volumes extraídos quanto da eficiência na recuperação do metal contido no minério.
O novo modelo de lixiviação direta será particularmente importante, pois abrange a maior parte do material que a companhia planeja depositar nas plataformas.
Do ponto de vista industrial, esse modelo oferece uma alternativa para aumentar o processamento sem depender exclusivamente da expansão da britagem, embora exija maior controle metalúrgico e gestão de estoques.
A nova plataforma de lixiviação e as melhorias na instalação ADR também serão fundamentais para sustentar o crescimento da operação nos próximos exercícios.
Para a Borealis Mining, o desafio em 2027 será transformar o aumento do material processado em produção efetiva de ouro, enquanto prepara infraestrutura adicional e avança em Sandman.
A evolução das recuperações metalúrgicas, dos custos operacionais, do processo de licenciamento e dos resultados da exploração determinará se a companhia conseguirá consolidar a operação atual e desenvolver uma segunda fonte de produção de ouro em Nevada.









