Pesquisa Mineral

Ouro de alto teor é encontrado no Canadá, e área prospectiva de Mirado chega a 1,3 quilômetro

Kirkland Lake Discoveries amplia a área prospectiva do projeto Mirado, em Ontário, com resultados de até 73,86 gramas de ouro por tonelada em novas sondagens.

Ouro de alto teor é encontrado no Canadá, e área prospectiva de Mirado chega a 1,3 quilômetro

Novas sondagens identificaram teores de até 73,86 gramas de ouro por tonelada em Ontário. A empresa iniciou uma nova campanha de 25.000 metros para investigar a continuidade das estruturas mineralizadas.

Um sistema aurífero investigado no Canadá se mostrou mais extenso do que indicava seu modelo geológico histórico. Kirkland Lake Discoveries anunciou em 20 de outubro de 2026 que novas sondagens no projeto Mirado, localizado em Ontário, permitiram ampliar sua área prospectiva interpretada para aproximadamente 1.300 metros de comprimento, 930 metros de largura e 550 metros de extensão vertical, além de identificar intervalos com teores de até 73,86 gramas de ouro por tonelada.

Os resultados são do projeto KL South, situado a aproximadamente 18 quilômetros ao sul da cidade de Kirkland Lake, no cinturão geológico de Abitibi, uma das principais regiões auríferas do Canadá.

A empresa de exploração, listada na Bolsa de Toronto sob o código KLDC, informou também que iniciou uma nova campanha de sondagem de pelo menos 25.000 metros após concluir uma captação de aproximadamente 20 milhões de dólares canadenses.

O programa buscará determinar se as diferentes zonas mineralizadas identificadas ao redor de Mirado fazem parte de estruturas conectadas e qual potencial adicional pode existir fora dos limites estudados anteriormente.

Sistema aurífero supera as dimensões do modelo histórico

Um dos resultados mais relevantes é a ampliação da área que a Kirkland Lake Discoveries considera prospectiva para a descoberta de mineralização de ouro.

O modelo histórico previa uma área de aproximadamente 740 metros de comprimento, 380 metros de largura e 380 metros de extensão vertical.

Com a incorporação das novas sondagens, a interpretação geológica alcança 1.300 metros de comprimento, 930 metros de largura e 550 metros de extensão vertical.

A diferença equivale a uma ampliação de aproximadamente 560 metros no comprimento, 550 metros na largura e 170 metros na extensão vertical.

No entanto, essas dimensões não representam um depósito mineralizado contínuo nem permitem calcular diretamente uma quantidade de ouro.

A área delimitada corresponde a uma interpretação preliminar que reúne diferentes setores com indícios de mineralização e características geológicas consideradas favoráveis.

Nessa área podem existir zonas com teores variados de ouro, setores de baixo teor e áreas cuja continuidade ainda não foi comprovada.

Para transformar esses dados em uma estimativa atualizada de recursos minerais, será necessário concluir novas sondagens, interpretar a geometria das estruturas e determinar a distribuição dos teores.

Sondagem encontra 73,86 gramas de ouro por tonelada

Os resultados mais expressivos vêm de Mirado West, uma zona situada a oeste do depósito histórico que se tornou um dos principais alvos de exploração da empresa.

A sondagem KLM26-039 interceptou um metro com teor médio de 73,86 gramas de ouro por tonelada, a partir dos 219 metros de profundidade medida ao longo do furo.

Outra sondagem, identificada como KLM26-041, registrou 1,45 metro com 36,43 gramas de ouro por tonelada, a partir dos 40,55 metros de profundidade medida.

As duas sondagens foram realizadas a aproximadamente 100 metros ao sul das sondagens KLM26-035 e KLM26-037, cujos resultados anteriores já haviam confirmado a presença de mineralização aurífera em Mirado West.

As novas interseções reforçam o interesse em investigar estruturas capazes de concentrar ouro de alto teor em zonas relativamente estreitas.

No entanto, um teor elevado em um intervalo de um ou dois metros não significa que todo o depósito apresente teores semelhantes.

A importância econômica desses resultados dependerá da continuidade dos corpos mineralizados, de suas espessuras reais, de sua distribuição espacial e das características dos materiais ao redor.

A empresa estima que as espessuras geológicas reais correspondam a aproximadamente 80% dos comprimentos informados nos testemunhos de sondagem.

Ouro também é identificado nas zonas norte e sul

A campanha trouxe dados adicionais sobre a distribuição da mineralização em áreas de Mirado além de Mirado West.

Em Mirado North, a sondagem KLM26-032 interceptou 19 metros com teor médio de 2,01 gramas de ouro por tonelada, incluindo um intervalo de três metros com 11,22 gramas por tonelada.

A sondagem foi realizada a aproximadamente 50 metros a oeste e abaixo de uma sondagem anterior, fornecendo informações sobre a distribuição lateral e vertical das estruturas auríferas.

Em Mirado South, a sondagem KLM26-036 registrou 3,5 metros com 7,36 gramas de ouro por tonelada, a partir de uma profundidade medida de 257 metros.

Já a KLM26-038 identificou 11 metros com teor médio de 1,27 grama por tonelada.

A interpretação desses resultados indica que algumas zonas mineralizadas podem se estender por aproximadamente 120 metros abaixo da área delimitada pelo modelo histórico.

No entanto, nem todas as sondagens apresentaram interseções significativas.

As sondagens KLM26-040, KLM26-043 e KLM26-044 não registraram teores relevantes segundo os critérios de divulgação adotados pela empresa.

Essa diferença mostra que a mineralização não está distribuída de forma uniforme e que ainda há incertezas sobre a orientação e a continuidade das estruturas.

Exploração busca conectar três zonas mineralizadas

A Kirkland Lake Discoveries está concentrando seus trabalhos na compreensão das relações geológicas entre Mirado West, Mirado North e Mirado South.

As três áreas apresentam indícios de ouro, mas sua conexão ainda não foi totalmente comprovada.

Um dos desafios é determinar se as zonas de alto teor correspondem a estruturas independentes ou se fazem parte de um sistema mais amplo.

Para isso, a empresa combina resultados de perfuração, análises geoquímicas, informações estruturais e estudos de alteração hidrotermal.

Também utiliza técnicas de análise hiperespectral, que permitem identificar determinados minerais por meio de suas respostas a diferentes comprimentos de onda.

Essas ferramentas ajudam a reconhecer mudanças na composição mineralógica das rochas e a identificar áreas que podem estar próximas de estruturas favoráveis à concentração de ouro.

Os trabalhos identificaram diferenças entre as alterações presentes nas zonas norte e sul, mas ainda não foi estabelecido se elas correspondem a eventos geológicos distintos.

As informações serão incorporadas a um modelo tridimensional para orientar as próximas perfurações.

Financiamento de C$20 milhões acelera os trabalhos

Em 8 de outubro de 2026, a empresa concluiu uma oferta privada ampliada de ações, que gerou receitas brutas de aproximadamente 20,17 milhões de dólares canadenses.

A operação contou com a participação do investidor Eric Sprott e foi estruturada em diferentes categorias de ações, incluindo aquelas que dão acesso a determinados benefícios fiscais vinculados a despesas de exploração no Canadá.

O financiamento garante recursos para manter uma nova etapa de perfuração em KL South e avançar em outros alvos do portfólio de propriedades da empresa.

O programa prevê pelo menos 25.000 metros de novas perfurações, distribuídos preliminarmente em 15.000 metros em Mirado e 10.000 metros em alvos regionais.

No momento do anúncio, duas sondas de perfuração estavam em operação.

A empresa também aguardava os resultados analíticos de 23 furos concluídos, incluindo sete em alvos regionais.

A Kirkland Lake Discoveries espera divulgar novas atualizações a cada três ou quatro semanas, aproximadamente, dependendo do recebimento dos resultados laboratoriais e do andamento dos trabalhos.

O financiamento obtido não representa um investimento para a construção de uma mina nem significa que Mirado tenha chegado a uma decisão de exploração.

Anomalia de ouro de 1,2 quilômetro abre novos alvos

A exploração também está se estendendo a áreas distantes do depósito histórico.

A noroeste de Mirado, a empresa identificou uma tendência de aproximadamente 1,2 quilômetro, marcada por uma quantidade elevada de grãos de ouro em depósitos glaciais.

Uma das amostras registrou 235 grãos de ouro, ante valores de referência que geralmente variam de um a dez grãos no programa regional.

Essas partículas podem dar pistas sobre a presença de mineralização nas rochas de onde foram transportadas por antigos processos glaciais.

No entanto, o número de grãos encontrados nos sedimentos não equivale ao teor de ouro na rocha de origem.

A empresa busca determinar a procedência do material por meio de estudos estruturais e geofísicos, além de futuras perfurações.

Outro setor de interesse é Gold Hill, onde há registros de atividade minerária na década de 1920.

A combinação de registros antigos e novos dados de exploração permitirá definir as prioridades da campanha regional.

Próxima etapa terá de comprovar quanto ouro realmente existe

A Kirkland Lake Discoveries mantém um portfólio de exploração de aproximadamente 420 quilômetros quadrados na região de Kirkland Lake, incluindo propriedades situadas sobre importantes estruturas geológicas do cinturão de Abitibi.

O projeto KL South é um dos principais focos de investimento da empresa, devido à presença de mineralização conhecida e aos resultados obtidos em 2026.

No entanto, a ampliação da área prospectiva de Mirado não constitui uma nova estimativa de recursos minerais.

Também não comprova a existência de reservas economicamente lavráveis nem permite calcular quanto metal poderia ser recuperado em uma futura operação.

Para avançar a essas etapas, serão necessários novos modelos geológicos, estimativas de recursos e estudos técnicos que considerem aspectos de mineração, metalurgia, meio ambiente e economia.

Os próximos resultados permitirão verificar se as estruturas de alto teor identificadas em Mirado West se estendem a outras áreas e se as interseções registradas ao norte e ao sul fazem parte de um sistema conectado.

A principal incógnita já não é apenas a extensão da área prospectiva, mas que proporção dela contém mineralização contínua e suficientemente concentrada para sustentar um futuro empreendimento de mineração.