
A mineradora canadense formalizou o estudo técnico atualizado de seu projeto polimetálico no Marrocos, que prevê 14 anos de operação e produção acumulada de 2,3 milhões de onças de ouro e 81,2 milhões de onças de prata. A avaliação projeta taxa interna de retorno de 93%.
A canadense Aya Gold & Silver apresentou uma avaliação econômica preliminar atualizada do projeto polimetálico Boumadine, no Marrocos, consolidando um cenário de desenvolvimento que prevê investimento inicial de US$463 milhões, valor presente líquido após impostos de aproximadamente US$3.537 milhões e vida útil estimada em 14 anos.
O relatório técnico foi formalizado em outubro de 2026, de acordo com a norma canadense NI 43-101, com data efetiva de 9 de setembro. A apresentação representa uma nova etapa na avaliação da jazida, que reúne recursos de ouro, prata, zinco e chumbo e prevê uma operação de lavra a céu aberto e subterrânea.
A atualização eleva substancialmente as projeções econômicas em relação ao estudo de 2025, principalmente em razão das premissas de preços mais altos para os metais, das melhores condições comerciais para os concentrados e do planejamento da mina, que estende a vida útil do projeto de 11 para 14 anos.
Embora os principais resultados econômicos já tivessem sido apresentados em setembro, a formalização do documento técnico permite incorporar as estimativas atualizadas ao processo de avaliação e desenvolvimento de Boumadine.
Valor econômico do projeto aumenta 140%
A nova avaliação estabelece valor presente líquido após impostos, descontado a 5%, de US$3.537 milhões, ante US$1.475 milhões considerados no estudo anterior.
Isso representa um crescimento de 140% e altera significativamente as projeções financeiras do ativo.
A taxa interna de retorno estimada sobe de 47% para 93%, enquanto o prazo de retorno do investimento cai de 2,1 anos para aproximadamente 0,7 ano após o início da operação comercial.
O investimento inicial projetado apresenta uma variação bem menor, passando de US$446 milhões para US$463 milhões.
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Indicador |
Avaliação 2025 |
Avaliação 2026 |
|---|---|---|
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Investimento inicial |
US$446 milhões |
US$463 milhões |
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Valor presente líquido (5%) |
US$1.475 milhões |
US$3.537 milhões |
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Taxa interna de retorno |
47% |
93% |
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Prazo de retorno do investimento |
2,1 anos |
0,7 ano |
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Vida útil projetada |
11 anos |
14 anos |
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Receita acumulada |
US$6.991 milhões |
US$10.995 milhões |
O cenário atualizado também prevê EBITDA acumulado de US$6.145 milhões e fluxo de caixa livre após impostos de US$4.694 milhões durante a vida útil projetada.
Essas estimativas correspondem a resultados econômicos modelados e não representam receitas nem retornos garantidos. Sua concretização dependerá do desenvolvimento efetivo do projeto, dos custos operacionais, das condições comerciais e do comportamento futuro dos metais.
Produção projetada prevê 2,3 milhões de onças de ouro
Boumadine foi concebido como uma operação polimetálica cuja geração de receitas se concentraria principalmente no ouro e na prata, embora também preveja a produção comercial de zinco e chumbo.
A avaliação atualizada estima produção acumulada equivalente a aproximadamente 3,9 milhões de onças de ouro ao longo dos 14 anos de operação.
A projeção considera os seguintes volumes:
- Ouro: 2,3 milhões de onças.
- Prata: 81,2 milhões de onças.
- Zinco: 422.000 toneladas.
- Chumbo: 195.000 toneladas.
Nos primeiros cinco anos, a produção média anual chegaria a 348.000 onças equivalentes de ouro, enquanto a média para toda a vida útil é estimada em 271.000 onças equivalentes por ano.
O novo planejamento prevê a extração de 41,2 milhões de toneladas de material mineralizado, volume 33% superior ao da avaliação anterior.
O teor médio projetado para os primeiros cinco anos é de 4,11 gramas por tonelada de ouro equivalente, enquanto a média para toda a vida útil fica em 3,10 gramas por tonelada.
Em termos operacionais, o projeto combina uma etapa inicial de lavra em áreas de maior teor com um planejamento de longo prazo voltado a manter o fornecimento de minério para a usina de processamento.
Usina de flotação produzirá concentrados de zinco, chumbo e pirita
O projeto conceitual prevê lavra combinada a céu aberto e subterrânea, além de uma usina convencional de flotação.
A instalação processaria o minério para produzir três concentrados comercializáveis: zinco, chumbo e pirita. Esses produtos também conteriam quantidades recuperáveis de ouro e prata.
O modelo busca aproveitar o caráter polimetálico do depósito e diversificar os produtos destinados ao mercado de concentrados.
Ainda assim, uma parcela significativa do valor econômico projetado vem dos metais preciosos.
A atualização incorpora melhores condições comerciais de pagamento para os dois metais. No caso do ouro, a parcela reconhecida para fins de receita sobe para 82%, enquanto a da prata chega a 85%.
Essas melhorias representam aumentos de 12 e 8 pontos percentuais, respectivamente, em relação ao estudo anterior.
O maior percentual pagável permite elevar as receitas estimadas sem exigir, necessariamente, um aumento proporcional do investimento inicial.
Recursos minerais sustentam expansão da vida útil
A nova avaliação incorpora uma estimativa de recursos minerais com data efetiva de 28 de fevereiro de 2026, elaborada para embasar a atualização do plano de lavra.
Os recursos indicados somam 8,6 milhões de toneladas, com teor de 4,02 gramas por tonelada de ouro equivalente, contendo aproximadamente 1,1 milhão de onças equivalentes.
Essa categoria registra aumento de 34% no conteúdo metálico em relação à estimativa anterior.
Por sua vez, os recursos inferidos somam 45,4 milhões de toneladas, com teor médio de 2,92 gramas por tonelada de ouro equivalente, correspondentes a aproximadamente 4,3 milhões de onças contidas.
O aumento dos recursos indicados é relevante para o desenvolvimento de Boumadine, pois incorpora uma proporção maior de material com nível mais elevado de confiança geológica.
No entanto, as estimativas de recursos ainda não equivalem a reservas minerais economicamente lavráveis.
A avaliação preliminar inclui recursos inferidos, categoria que exige trabalhos adicionais antes de embasar decisões definitivas de investimento e lavra.
Por isso, as estimativas de produção, recuperação e rentabilidade continuarão sujeitas a revisão nas próximas etapas de engenharia e nos estudos de viabilidade.
Custos operacionais e sensibilidade ao preço do ouro
A avaliação estima um custo total sustentado, conhecido como AISC, de aproximadamente US$1.105 por onça equivalente de ouro nos primeiros cinco anos.
Para toda a vida útil, o indicador sobe para US$1.300 por onça equivalente.
Já os custos operacionais diretos são estimados em US$998 por onça equivalente nos cinco primeiros anos e em US$1.169 para todo o período.
Esses valores devem ser analisados levando em conta que Boumadine comercializaria concentrados polimetálicos e que a equivalência em ouro incorpora premissas sobre preços e composição da produção.
O cenário econômico-base considera preços de US$3.500 por onça de ouro, US$50 por onça de prata, US$1,37 por libra de zinco e US$0,90 por libra de chumbo.
Em um cenário alternativo, com cotações de referência de 3 de setembro de 2026, o valor presente líquido após impostos sobe para aproximadamente US$5.500 milhões.
Nesse cenário, a taxa interna de retorno projetada chega a 128%, e o prazo estimado para recuperar o investimento cai para 0,5 ano.
A diferença entre os dois cenários evidencia a sensibilidade econômica do projeto às variações nos preços dos metais, especialmente do ouro e da prata.
Boumadine avança rumo ao estudo de viabilidade
A Aya Gold & Silver segue desenvolvendo os trabalhos técnicos necessários para avançar da avaliação econômica preliminar para um estudo de viabilidade.
O processo prevê aprofundar aspectos relacionados à engenharia, ao planejamento de lavra, ao processamento metalúrgico, à infraestrutura, aos custos e às condições de execução.
A empresa já possui uma licença de mineração para Boumadine, mas o avanço para as etapas de construção e operação dependerá das autorizações e condições aplicáveis ao desenvolvimento definitivo do projeto.
A documentação técnica atualizada foi elaborada com a participação de especialistas independentes da Lycopodium, da CCE Mining e da SRK Consulting, responsável pela estimativa dos recursos minerais.
A avaliação revisada estabelece uma nova base para o projeto e permite reexaminar suas necessidades de financiamento.
No entanto, os resultados ainda não devem ser interpretados como uma decisão de construção nem como confirmação de financiamento para executar o investimento estimado.
Marrocos fortalece seu portfólio de projetos de metais preciosos
O desenvolvimento de Boumadine faz parte da estratégia de expansão da Aya Gold & Silver no Marrocos, país onde a empresa mantém atividades de produção e exploração mineral.
A combinação de ouro, prata, zinco e chumbo posiciona o projeto no segmento de operações polimetálicas, em que a rentabilidade depende tanto do teor dos minerais quanto das condições de recuperação, processamento e comercialização.
Para a indústria de mineração internacional, o interesse em Boumadine está na dimensão de seus recursos, no perfil de produção projetado e na possibilidade de desenvolver uma operação que contribua para a oferta de metais preciosos e básicos.
A ampliação da vida útil de 11 para 14 anos também estende o horizonte potencial para a contratação de serviços, o fornecimento de equipamentos, a manutenção industrial e a operação de infraestrutura.
Embora ainda não haja números definitivos de empregos associados a uma eventual construção e operação, o investimento previsto permite antecipar uma demanda expressiva por engenharia e serviços especializados, caso o projeto avance com êxito nas próximas etapas de avaliação.
O principal desafio será comprovar que as condições geológicas, metalúrgicas e econômicas consideradas no estudo preliminar podem ser sustentadas com maior grau de certeza técnica.
A atualização de Boumadine consolida uma alternativa de desenvolvimento polimetálico de escala significativa no Marrocos, mas sua transformação em uma operação de mineração dependerá dos resultados do estudo de viabilidade e das decisões de investimento posteriores.
Para a Aya Gold & Silver, os próximos avanços serão especialmente importantes para definir o cronograma de execução, a estrutura de financiamento e a capacidade do projeto de manter seus indicadores econômicos em cenários de preços menos favoráveis.






