
Estudo desenvolvido pela Ausenco identifica vantagens na produção de concentrado de ouro em vez de doré, com menores necessidades de capital e uma planta mais simples. A mineradora analisa um desenvolvimento por etapas enquanto avança rumo à pré-viabilidade.
A canadense Fortune Bay Corp. concluiu um estudo de alternativas de processamento para seu projeto de ouro Goldfields, no norte de Saskatchewan, Canadá. A avaliação abre a possibilidade de reduzir o investimento inicial com a produção de concentrados auríferos destinados a tratamento externo. Desenvolvido pela Ausenco Engineering, o estudo compara essa alternativa com o plano original de produzir barras de doré na própria operação e representa mais um passo na definição técnica e econômica do projeto.
A análise, apresentada em 20 de outubro de 2026, concluiu que a produção de concentrados permitiria simplificar as instalações, reduzir o consumo de reagentes e diminuir as necessidades de capital na primeira etapa da construção.
A avaliação econômica preliminar atualizada de 2025 prevê investimento inicial de 301 milhões de dólares canadenses, equivalentes a aproximadamente US$220 milhões, no cenário de produção de doré. A Fortune Bay, porém, ainda não definiu quanto esse orçamento poderia ser reduzido com a alternativa de concentrados.
A decisão é relevante porque a avaliação econômica de Goldfields projeta valor presente líquido após impostos de 610 milhões de dólares canadenses e taxa interna de retorno de 44%, considerando um preço-base do ouro de US$2.600 por onça.
Ausenco aponta vantagens na produção de concentrados de ouro
O estudo técnico comparou duas rotas de processamento, com diferenças relevantes em investimento, recuperação metalúrgica e complexidade operacional.
A primeira corresponde ao plano considerado na avaliação econômica preliminar de 2025, que prevê recuperar ouro e produzir doré diretamente em Goldfields.
A segunda alternativa propõe concentrar o ouro nas instalações da mina e transportar o produto a terceiros para concluir o tratamento.
Os resultados mostram que o processamento para produção de doré permite uma recuperação de ouro ligeiramente maior. A produção de concentrados, no entanto, oferece vantagens em relação às necessidades de infraestrutura e à eficiência do capital investido.
Entre as principais diferenças estão:
|
Fator |
Produção de doré |
Produção de concentrado |
|---|---|---|
|
Recuperação de ouro |
Ligeiramente maior |
Ligeiramente menor |
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Investimento inicial |
Maior |
Menor |
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Complexidade da planta |
Maior |
Menor |
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Consumo de reagentes |
Maior |
Menor |
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Tratamento final |
Na operação |
Em instalações externas |
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Custos logísticos |
Menor dependência externa |
Inclui transporte e tratamento |
A avaliação incorporou estimativas de investimento e custos operacionais, além de premissas de recuperação metalúrgica, condições comerciais dos concentrados e despesas de transporte.
Embora os resultados indiquem que vale a pena continuar estudando a alternativa de concentrados, ainda será necessário determinar se a economia no investimento inicial compensa os custos adicionais de comercialização e tratamento externo.
Goldfields pode ser desenvolvido com uma planta de menor capacidade inicial
Um dos cenários que a Fortune Bay pretende aprofundar prevê iniciar as operações com uma planta menor e ampliar sua capacidade posteriormente.
Essa estratégia permitiria distribuir os desembolsos de capital ao longo de diferentes etapas de desenvolvimento, em vez de concentrar todo o investimento no início do projeto.
A companhia também avalia priorizar a extração de minério do depósito Box nas primeiras fases operacionais, além de alternativas de contratação de terceiros para determinadas atividades de mineração.
O planejamento prevê estudar a construção das instalações de rejeitos por etapas, ajustes na sequência de lavra e modificações no circuito metalúrgico.
Posteriormente, se as condições econômicas e regulatórias justificarem, Goldfields poderá ampliar sua capacidade de processamento ou incorporar instalações para produzir doré diretamente.
Essa flexibilidade representa uma diferença relevante em relação a um desenvolvimento convencional, com toda a infraestrutura construída desde o início.
No entanto, a capacidade definitiva da planta e a sequência de construção ainda precisam ser definidas por meio de novas avaliações técnicas.
Testes metalúrgicos confirmam potencial de recuperação por gravidade e flotação
Os trabalhos metalúrgicos realizados pela SGS Canada são outro componente central da avaliação.
Os testes utilizaram uma amostra composta do depósito Box, com teor de alimentação de 1,02 grama de ouro por tonelada e teor de enxofre de 0,32%.
Os resultados demonstraram que mais de 50% do ouro contido poderia ser recuperado por concentração gravítica, com a obtenção de um produto com teor superior a 600 gramas de ouro por tonelada.
Esse concentrado correspondeu a apenas 0,08% da massa total alimentada ao processo, característica que permite concentrar uma parcela significativa do metal em um volume reduzido de material.
Em seguida, os testes de flotação dos rejeitos da concentração gravítica registraram recuperação superior a 90% do ouro presente nessa corrente.
O processo permitiu produzir um concentrado de sulfetos auríferos com teores aproximados de 80 a 100 gramas de ouro por tonelada, equivalente a 0,67% a 0,75% da massa tratada.
Esses dados reforçam a possibilidade de usar um circuito combinado de concentração gravítica e flotação.
No entanto, os resultados são de testes metalúrgicos preliminares e ainda não constituem parâmetros definitivos para o projeto industrial da planta.
Preço do ouro altera as condições econômicas do projeto
A revisão do modelo de processamento ocorre em um cenário de preços do ouro superiores aos considerados originalmente na avaliação de Goldfields.
A avaliação econômica preliminar de 2025 utilizou um preço-base de US$ 2.600 por onça, enquanto a Fortune Bay estimou o metal em cerca de US$ 4.100 por onça ao apresentar os resultados de outubro de 2026.
Essa diferença aumenta o interesse em revisar os parâmetros econômicos do projeto, especialmente a recuperação metalúrgica, o cronograma de lavra e o investimento inicial necessário para iniciar as operações.
O estudo de 2025 considera um investimento inicial de 301 milhões de dólares canadenses e um valor presente líquido após impostos de 610 milhões de dólares canadenses, com uma taxa de desconto de 5%.
A taxa interna de retorno projetada é de 44%, enquanto o prazo de retorno do capital é estimado em aproximadamente 1,7 ano.
Esses indicadores correspondem ao cenário de produção de doré e não devem ser interpretados como resultados econômicos da nova alternativa de concentrados.
O impacto financeiro da mudança no processamento ainda precisa ser avaliado.
Licença ambiental prevê planta com capacidade para 5.000 toneladas por dia
Goldfields conta com um histórico regulatório que pode influenciar sua estratégia de desenvolvimento.
A licença ambiental vigente para o depósito Box, vinculada a um estudo de impacto ambiental de 2008, prevê uma mina a céu aberto e uma planta de processamento com capacidade para 5.000 toneladas por dia.
Também prevê o uso da antiga instalação de armazenamento de rejeitos de Vic Lake.
Esse marco regulatório é relevante para o planejamento da mina, já que a Fortune Bay estuda alternativas que poderiam aproveitar parte das condições autorizadas anteriormente.
No entanto, ainda é preciso confirmar se um modelo de produção de concentrados pode ser desenvolvido dentro do escopo dessa licença.
A inclusão de novos processos, mudanças na infraestrutura ou alterações na capacidade de processamento pode exigir ajustes regulatórios ou licenças adicionais.
A compatibilidade ambiental e técnica do novo projeto será, portanto, um dos fatores que influenciarão a escolha definitiva do modelo operacional.
Fortune Bay avança em estudos ambientais e comerciais
Paralelamente à avaliação metalúrgica, a Fortune Bay mantém atividades para atualizar as informações ambientais do projeto.
Desde agosto de 2025, está em andamento um programa de monitoramento da fauna com câmeras remotas e equipamentos autônomos de registro acústico.
O monitoramento prevê aproximadamente 14 meses de observação e abrange as quatro estações do ano, com o objetivo de caracterizar a presença e a atividade de espécies na área de estudo.
A recuperação dos equipamentos está prevista para outubro de 2026. Em seguida, a Omnia Ecological Services analisará os registros e atualizará as informações ambientais correspondentes.
Além disso, a Fortune Bay mantém conversas com potenciais compradores de concentrados de ouro.
A avaliação comercial considera as especificações do produto, os encargos de tratamento, as condições de pagamento, as alternativas de transporte e possíveis acordos de fornecimento.
Também estão sendo estudados mecanismos de financiamento vinculados a vendas futuras de concentrados, embora ainda não existam contratos comerciais definitivos para essa alternativa.
Esses aspectos serão fundamentais para determinar se a produção de concentrados oferece uma vantagem econômica sustentável em relação ao modelo de doré.
Próximos trabalhos para avançar rumo à pré-viabilidade
A próxima etapa de Goldfields prevê integrar os resultados do estudo desenvolvido pela Ausenco a novos testes metalúrgicos e avaliações de engenharia.
Os trabalhos buscarão caracterizar a recuperação de ouro por gravidade, otimizar as necessidades de moagem e definir condições de flotação que permitam obter concentrados comercialmente aceitáveis.
Também serão avaliadas as características do produto, as condições de desaguamento e o comportamento dos rejeitos.
A Fortune Bay deverá complementar essas informações com testes em amostras representativas dos depósitos Box e Athona, levando em conta as variações mineralógicas que podem ocorrer durante a lavra.
Essas informações permitirão selecionar uma rota de processamento preferencial e definir o escopo do futuro estudo de pré-viabilidade.
Até o momento, a companhia não tomou uma decisão definitiva sobre o processamento nem aprovou a construção de Goldfields.
Reduzir o investimento será decisivo para o futuro de Goldfields
A experiência de Goldfields reflete um dos principais desafios dos projetos auríferos em desenvolvimento: equilibrar a recuperação metalúrgica, o investimento inicial e os custos operacionais.
Uma planta mais simples pode melhorar as condições de financiamento e reduzir a exposição econômica nas primeiras etapas. No entanto, esses benefícios devem ser comparados aos custos de transporte dos concentrados e de contratação do tratamento fora da operação.
Para a indústria de engenharia e os fornecedores de mineração, o projeto também representa uma oportunidade de participação em estudos de otimização, fornecimento de equipamentos de moagem e flotação, manuseio de concentrados e infraestrutura ambiental.
A possibilidade de aproveitar instalações existentes e adaptar o projeto às condições regulatórias também será relevante.
A Fortune Bay conta agora com duas alternativas técnicas para avançar em Goldfields, mas ainda precisa demonstrar qual delas oferece melhores resultados econômicos. A definição do processamento, juntamente com os testes metalúrgicos e as condições comerciais, determinará se o projeto poderá reduzir suas necessidades iniciais de capital e avançar rumo a uma futura decisão de investimento.









