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Canadá: Discovery Mining amplia em 600 metros a mineralização de ouro em Dome e registra teores de até 2.310 g/t

A Discovery Mining ampliou em 600 metros a mineralização aurífera de seu projeto Dome e confirmou novas zonas com teores de até 2.310 g/t de ouro em Timmins, no Canadá.

Canadá: Discovery Mining amplia em 600 metros a mineralização de ouro em Dome e registra teores de até 2.310 g/t

A companhia concluiu 16.365 metros de perfuração em 36 furos de sondagem e confirmou novas zonas auríferas ao norte e ao sul do depósito. O projeto conta com 11 milhões de onças de ouro em recursos inferidos e prevê uma atualização para o primeiro trimestre de 2027.

A mineradora canadense Discovery Mining ampliou em 600 metros para o sul a mineralização aurífera de seu projeto Dome, localizado no distrito mineiro de Timmins, na província de Ontário, Canadá. Os resultados, divulgados em 20 de outubro de 2026, incluem interseções de alto teor, entre elas 2.310 gramas de ouro por tonelada (g/t) em um intervalo de um metro, e reforçam o potencial de desenvolvimento de uma operação de grande escala a céu aberto.

A nova campanha incluiu 36 furos de sondagem, que totalizaram 16.365,4 metros de perfuração, distribuídos entre os setores norte e sul da cava considerada no modelo atual de recursos minerais.

Os trabalhos confirmaram a continuidade da mineralização além dos limites definidos anteriormente e identificaram novas estruturas auríferas que poderão ser incorporadas a futuras avaliações econômicas.

A descoberta é relevante porque Dome conta atualmente com 11 milhões de onças de ouro contidas em recursos minerais inferidos, enquanto a Discovery Mining avalia alternativas para retomar a exploração de um dos depósitos auríferos históricos mais importantes do Canadá.

Perfurações ao sul confirmam expansão de 600 metros

A campanha no setor sul incluiu 22 furos de sondagem, equivalentes a 7.188 metros perfurados.

Os trabalhos se concentraram em áreas próximas às antigas propriedades Preston e New York Porcupine, acompanhando a projeção da falha Dome, uma estrutura geológica associada à distribuição da mineralização aurífera.

Os resultados confirmaram que as zonas mineralizadas se estendem por até 600 metros ao sul da cava do modelo atual de recursos, com interseções que apresentam uma combinação de espessuras e teores relevantes para avaliar uma possível ampliação da operação.

Entre os resultados de destaque estão:

Furo de sondagem

Intervalo

Teor de ouro

DOM26-048

1,0 metro

2.310,00 g/t

DOM26-046

17,3 metros

3,41 g/t

DOM26-044

21,0 metros

3,56 g/t

DOM26-047

19,1 metros

1,71 g/t

DOM26-063

9,0 metros

11,63 g/t

DOM26-071

6,7 metros

11,31 g/t

DOM26-042

5,0 metros

6,80 g/t

DOM26-049

1,1 metros

56,50 g/t

DOM26-061A

22,0 metros

1,48 g/t

Um dos resultados mais expressivos foi obtido no furo de sondagem DOM26-048, que interceptou um metro com 2.310 g/t de ouro. O mesmo furo identificou outros intervalos mineralizados, incluindo 9,3 metros com 2,09 g/t e 4,2 metros com 6,52 g/t.

Embora esses teores elevados indiquem a presença de ouro de alto teor, sua importância econômica dependerá da continuidade geológica, do volume mineralizado e da possibilidade de incluir esses setores em um projeto de mineração viável.

Os teores correspondem a análises sem aplicação de limites superiores de corte, e os intervalos representam comprimentos de testemunho, já que ainda não se conhecem suas espessuras verdadeiras.

Novos furos de sondagem identificam mineralização ao norte do depósito

O setor norte também apresentou resultados significativos. A Discovery Mining concluiu mais 14 furos de sondagem, equivalentes a 9.177,4 metros de perfuração.

Os trabalhos confirmaram a mineralização dentro da área de recursos existente e identificaram novas estruturas auríferas além de seus limites.

Entre as interseções mais relevantes está a do furo de sondagem DOM26-052, que registrou 72,54 g/t de ouro em 5,9 metros, incluindo um intervalo de 0,3 metro com teor de 1.400 g/t.

Já o furo de sondagem DOM26-019 interceptou 19,56 g/t em 6,1 metros, incluindo 0,4 metro com 279 g/t.

Além disso, o furo de sondagem DOM26-058 registrou 140,28 g/t em 2,6 metros, com um trecho de 0,3 metro que chegou a 1.170 g/t.

Os resultados mostram que a mineralização não se restringe à zona principal conhecida até então e que há estruturas adicionais ao norte que precisam ser mais exploradas.

A ocorrência de mineralização relativamente próxima à superfície em setores externos ao modelo atual é um aspecto de interesse para avaliar um possível desenvolvimento a céu aberto.

No entanto, ainda será necessário determinar a continuidade lateral e vertical dessas estruturas antes de estabelecer sua possível contribuição para os recursos minerais.

Dome reúne 11 milhões de onças de ouro em recursos inferidos

Dome é um dos depósitos auríferos históricos mais importantes do Canadá.

Entre 1910 e 2017, a operação produziu aproximadamente 16,7 milhões de onças de ouro, considerando tanto a lavra subterrânea quanto a céu aberto.

Sua importância se deve à dimensão dos corpos mineralizados e à localização no distrito aurífero de Timmins, uma região com longa história de mineração e infraestrutura industrial.

A estimativa atual de recursos minerais de Dome considera:

  • 222,3 milhões de toneladas de minério.
  • Teor médio de 1,49 g/t de ouro.
  • 11 milhões de onças de ouro contidas.
  • Classificação: recursos minerais inferidos.

A estimativa considera um cenário conceitual de lavra a céu aberto, com a ampliação lateral e em profundidade da antiga cava.

A mineralização incluída no modelo de recursos da cava se estende da superfície até aproximadamente 730 metros de profundidade.

Além disso, há várias zonas mineralizadas identificadas a profundidades próximas de 1.600 metros, o que mantém em avaliação alternativas para uma possível lavra subterrânea.

A principal limitação técnica é que os recursos inferidos têm nível de confiança geológica inferior ao necessário para serem classificados como reservas minerais economicamente lavráveis.

Discovery Mining prepara nova estimativa de recursos para 2027

Um dos principais objetivos do programa de exploração de 2026 é atualizar o modelo geológico de Dome e definir a extensão das novas zonas mineralizadas.

A empresa prevê divulgar uma nova estimativa de recursos no primeiro trimestre de 2027, integrada a um relatório técnico de suas operações Porcupine.

Os trabalhos buscam determinar quanto os recursos existentes podem aumentar e qual parcela dos recursos inferidos pode avançar para a categoria de recursos indicados, que exige maior nível de confiança geológica.

O programa também prevê avaliar oportunidades de lavra subterrânea em setores que poderiam ficar fora de um eventual projeto de cava a céu aberto.

Atualmente, a Discovery Mining mantém duas sondas de perfuração em operação em Dome.

Uma trabalha no setor sudoeste da antiga cava, enquanto a outra realiza trabalhos de exploração ao norte.

A empresa também continua avaliando alvos adicionais ao sul e a oeste do depósito.

Nessa última direção, as interpretações geológicas apontam uma possível extensão das estruturas mineralizadas por pelo menos 1,5 quilômetro ao longo da falha Dome, em direção a áreas ligadas à propriedade Paymaster.

Essa continuidade ainda precisa ser confirmada por sondagens adicionais.

Empresa avalia uma planta centralizada para processar minério de Porcupine

Os resultados obtidos em Dome também estão influenciando a revisão da estratégia de processamento mineral da Discovery Mining.

A empresa está reavaliando os planos para a Dome Mill e estuda a possibilidade de instalar uma unidade centralizada de moagem no complexo metalúrgico Kidd.

Essa alternativa permitiria analisar um modelo de processamento compartilhado pelas diferentes operações e projetos que compõem seu portfólio no distrito de Timmins.

A aquisição das operações Kidd, em junho de 2026, fortaleceu a presença territorial e industrial da Discovery Mining na região, incorporando infraestrutura que poderia apoiar o crescimento futuro de suas operações auríferas.

A centralização do processamento pode trazer vantagens operacionais, especialmente quando há vários depósitos em uma mesma região mineradora.

No entanto, uma decisão desse tipo exige avaliar a capacidade de processamento, as distâncias de transporte, a recuperação metalúrgica, os investimentos de capital e os custos operacionais.

Por enquanto, a alternativa está em avaliação e não representa uma decisão definitiva de construção.

O que a expansão representa para o futuro de Dome

A continuidade da mineralização ao norte, ao sul e a oeste amplia as opções de desenvolvimento de Dome, sobretudo em um cenário no qual a Discovery Mining busca aumentar sua produção de ouro por meio de investimentos no complexo Porcupine.

A possibilidade de aproveitar um depósito com histórico de produção oferece uma base geológica e industrial para estudar novos projetos.

No entanto, a conversão dos recursos minerais em produção efetiva dependerá de uma combinação de fatores técnicos, econômicos e regulatórios.

Entre as questões a serem resolvidas estão a configuração final da cava, os volumes de material a serem removidos, as recuperações metalúrgicas e a infraestrutura necessária para processar o minério.

Também será fundamental determinar como as novas zonas de alto teor se encaixam no modelo geológico geral, sem extrapolar resultados pontuais para volumes ainda não delimitados.

Do ponto de vista econômico, uma eventual retomada de Dome poderia gerar demanda por serviços de engenharia, perfuração, movimentação de terra, transporte e manutenção industrial em Ontário. No entanto, os valores de investimento, a produção futura e os empregos associados especificamente a essa alternativa ainda não foram confirmados.

A mineração canadense segue ampliando distritos auríferos históricos

O caso de Dome reflete uma tendência de exploração voltada à identificação de novos recursos no entorno de depósitos históricos, aproveitando o conhecimento geológico acumulado e a infraestrutura existente.

Em distritos maduros como Timmins, programas de sondagem podem revelar estruturas mineralizadas que não foram incluídas nos antigos projetos de lavra.

As novas técnicas de modelagem geológica, aliadas a campanhas de sondagem mais extensas, permitem reavaliar o potencial de depósitos que, no passado, foram lavrados por métodos subterrâneos ou a céu aberto.

Para a Discovery Mining, o principal desafio será determinar se os resultados recentes justificam ampliar o projeto e desenvolver uma nova configuração operacional para Dome.

A atualização de recursos prevista para o início de 2027 será decisiva para avaliar essa possibilidade.

Com mais 600 metros de mineralização confirmada ao sul, novas interseções de alto teor ao norte e uma base atual de 11 milhões de onças de ouro em recursos inferidos, Dome se consolida como um dos principais ativos de crescimento que a Discovery Mining mantém em avaliação no distrito aurífero de Timmins.