Energia

Chile leva experiência em armazenamento de energia a conferência internacional na China

A participação chilena na World Energy Storage Conference 2026 colocou em foco as exigências técnicas e operacionais de um setor com mais de 10 GW em projetos de armazenamento, incluindo iniciativas em operação, construção e desenvolvimento.

A rápida expansão do armazenamento de energia no Chile e os desafios para integrar essa tecnologia ao Sistema Elétrico Nacional foram parte do debate da World Energy Storage Conference 2026, realizada em Ningde, na China. No encontro, a Associação Chilena de Energias Renováveis e Armazenamento (ACERA) apresentou a experiência do país e defendeu a modernização dos procedimentos de operação das baterias.

A diretora-executiva da entidade, Ana Lía Rojas, participou do fórum internacional dedicado ao mercado de armazenamento, no qual abordou os avanços do Chile e as dificuldades técnicas, regulatórias e operacionais que acompanham o crescimento dos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS).

A apresentação ocorreu em meio à expansão dessa tecnologia. Segundo dados da Benchmark Mineral Intelligence divulgados pela ACERA, o Chile ficou em quinto lugar no mundo em novas instalações de BESS em 2025, atrás de China, Estados Unidos, Arábia Saudita e Austrália.

Chile entra em nova etapa no desenvolvimento do armazenamento

O mercado chileno tem uma carteira superior a 10 GW de potência de armazenamento, embora esse número inclua instalações existentes e projetos em construção e desenvolvimento, não representando, portanto, capacidade totalmente operacional.

De acordo com dados setoriais da ACERA referentes a julho de 2026, o país tinha 2.655 MW de potência de BESS em operação, equivalentes a 11.250 MWh de capacidade energética. Outros 5.040 MW, com 21.721 MWh de armazenamento, estavam em construção.

Esse crescimento está mudando as necessidades do sistema elétrico, especialmente na gestão da energia renovável, na flexibilidade operacional e na coordenação entre geração, armazenamento e transmissão.

Nesse contexto, Rojas afirmou que “o desafio não termina com a instalação das baterias: precisamos integrá-las para que contribuam para a segurança, a flexibilidade e a eficiência do sistema elétrico”.

A executiva também ressaltou a importância de ampliar a cooperação técnica entre fabricantes de tecnologia, operadores do sistema elétrico e órgãos reguladores latino-americanos, para compartilhar experiências e critérios operacionais.

Regulação, transmissão e programação das baterias

Um dos principais desafios do armazenamento é adaptar as ferramentas usadas para programar a operação do sistema elétrico. Ao contrário de uma usina convencional, uma bateria exige a coordenação dos períodos de carga e descarga, levando em conta a energia disponível e as necessidades de fornecimento.

Em julho de 2026, a ACERA apresentou um estudo elaborado pela consultoria Vinken, que propõe melhorias no cálculo do custo de oportunidade do armazenamento, na programação intradiária, na automatização do despacho e na rastreabilidade das decisões operacionais.

Esses temas ganham relevância diante das restrições de transmissão e dos cortes na geração renovável. Segundo dados do Coordinador Eléctrico Nacional compilados pela ACERA, entre janeiro e julho de 2026 foram registrados 2.680 GWh de cortes na geração solar e eólica.

Os sistemas de baterias podem ajudar a aproveitar parte dessa energia e disponibilizá-la em outros horários. Sua eficácia, porém, também depende da localização das instalações, das condições de conexão e da capacidade das redes elétricas.

Cooperação tecnológica e novas oportunidades

A participação da ACERA na China também incluiu uma visita técnica às instalações da Contemporary Amperex Technology Co. Limited (CATL), fabricante de baterias sediada em Ningde.

Segundo informações divulgadas pela entidade, a CATL alcançou participação de 30,4% no mercado mundial de remessas de baterias para armazenamento de energia em 2025.

A atividade permitiu conhecer avanços industriais e tecnológicos relacionados ao armazenamento, em um cenário no qual o Chile enfrenta o desafio de acompanhar o crescimento desses investimentos com infraestrutura de transmissão, regras operacionais e mecanismos adequados de coordenação.

O debate técnico agora se concentra no aperfeiçoamento da programação e da operação do armazenamento para aproveitar melhor a energia renovável disponível e reforçar a segurança e a eficiência do fornecimento de eletricidade.