
El Pelícano Solar Company SpA, proprietária de uma usina fotovoltaica que fornece eletricidade ao Metrô de Santiago, concluiu em 6 de outubro de 2026 uma emissão de títulos de dívida com garantia no valor de US$129,58 milhões. A operação permitirá refinanciar um empréstimo anterior e financiar o desenvolvimento e a construção de um sistema de armazenamento com baterias ao lado de sua usina solar de 110 MW, localizada no município de La Higuera.
O financiamento foi estruturado em duas etapas. A primeira foi um empréstimo-ponte com o BNP Paribas, fechado em 1º de julho de 2026 e posteriormente refinanciado por meio de uma colocação privada de títulos seniores com garantia. Os papéis têm taxa de juros de 7,578% e vencimento em 31 de dezembro de 2044, informou em 27 de outubro o escritório de advocacia Clifford Chance, que assessorou a empresa.
A BNP Paribas Securities Corp. participou da estruturação do financiamento, e o BNP Paribas atuou como agente de colocação. A emissão foi feita junto a investidores privados, com base em uma isenção de registro prevista na legislação dos Estados Unidos. Os escritórios de advocacia que assessoraram as partes descreveram a operação como o primeiro financiamento no mercado de capitais de um projeto de armazenamento com baterias associado a um único ativo no Chile.
Baterias permitirão armazenar energia por quatro horas
O projeto prevê a instalação de um sistema de armazenamento de energia com baterias, conhecido como BESS, ao lado da usina fotovoltaica existente. Segundo a Clifford Chance, a instalação terá potência de aproximadamente 82 MW e capacidade de armazenamento de quatro horas.
No entanto, os registros da Comissão Nacional de Energia (CNE) apresentam parâmetros diferentes. O órgão informa para o El Pelícano BESS uma potência líquida de 75 MW e capacidade de armazenamento de 300 MWh, o que equivale a quatro horas de descarga nessa potência. A documentação consultada não permite determinar a origem exata da diferença em relação ao número divulgado pelos assessores financeiros.
O sistema de armazenamento foi projetado para guardar parte da eletricidade gerada pela usina e transferir seu fornecimento ao Sistema Elétrico Nacional para outros horários. De acordo com as informações apresentadas pela empresa ao Serviço de Avaliação Ambiental, o projeto também busca aproveitar excedentes de geração que podem ser afetados por restrições de injeção decorrentes do congestionamento das redes de transmissão.
A usina El Pelícano iniciou suas operações comerciais em 17 de novembro de 2017 e pertence a uma empresa ligada à Actis. Sua estrutura fotovoltaica foi concebida para fornecer energia ao Metrô de Santiago por meio de um contrato de longo prazo. A empresa prevê fornecer cerca de 300 GWh de eletricidade por ano ao sistema de transporte da capital.
Projeto tem investimento estimado em US$61 milhões
De acordo com o relatório de projetos em construção do Ministério da Energia referente a maio de 2026, o El Pelícano BESS tem investimento estimado em US$61 milhões. Esse valor corresponde ao projeto de armazenamento e não deve ser confundido com os US$129,58 milhões da emissão de títulos, operação que também inclui o refinanciamento de dívidas.
O mesmo documento informa que serão usadas baterias de íon-lítio e prevê fevereiro de 2027 como data de interconexão ao Sistema Elétrico Nacional. A instalação utilizará a subestação El Pelícano, de 23 kV, e sua entrada em operação dependerá do cumprimento do cronograma de desenvolvimento e implantação.






