
A Região de La Araucanía reuniu as distribuidoras CGE, Frontel, Saesa e Codiner em uma nova sessão da Mesa de Distribuição Elétrica, criada para fortalecer a prevenção e a resposta a emergências que ameacem a continuidade do fornecimento. A coordenação ganha especial importância após o sistema frontal de julho de 2026, que deixou até 215.806 clientes sem energia elétrica na região e expôs problemas na manutenção de algumas redes.
A segunda sessão da instância, divulgada em 23 de outubro, foi conduzida pelo secretário regional ministerial de Energia, Jorge Rathgeb, e permitiu avaliar o desempenho das empresas durante o inverno, as condições atuais do sistema elétrico e os riscos associados à próxima temporada de verão.
O encontro reuniu representantes de órgãos responsáveis pela gestão de emergências, proteção florestal, fiscalização do setor elétrico, telecomunicações e articulação municipal. O objetivo é melhorar a comunicação e a capacidade de resposta das instituições quando fenômenos naturais provocam interrupções prolongadas no serviço.
Um inverno que expôs problemas nas redes elétricas
A preocupação com a continuidade do fornecimento tem um antecedente concreto. O sistema frontal que começou a atingir La Araucanía em 15 de julho provocou uma das mais importantes emergências elétricas do inverno de 2026.
No momento de maior impacto, 215.806 clientes ficaram sem energia elétrica. As interrupções duraram vários dias em alguns setores, o que levou a Superintendência de Eletricidade e Combustíveis (SEC) a investigar o desempenho das distribuidoras.
O órgão abriu processos contra Frontel e Codiner por possíveis descumprimentos das normas relativas à manutenção de suas instalações.
As investigações identificaram possíveis falhas no monitoramento e no manejo da vegetação próxima às linhas elétricas, condição que pode aumentar a vulnerabilidade das redes a ventos fortes e precipitações.
A dimensão dos problemas ficou evidente nos registros de 21 de julho. Às 12:00 daquele dia, a Frontel ainda tinha 9.081 clientes sem fornecimento, enquanto a Codiner registrava outros 3.796. Algumas interrupções já passavam de 72 e até de 84 horas.
A abertura dos processos é uma etapa da fiscalização e, por si só, não representa uma sanção definitiva. As empresas têm direito de apresentar sua defesa.
Esses antecedentes dão contexto à mesa regional: melhorar a coordenação durante uma emergência é necessário, mas também é preciso prevenir falhas com a manutenção adequada das instalações.
Quatro distribuidoras e órgãos públicos coordenam a resposta
A Mesa de Distribuição Elétrica reúne as empresas Codiner, Saesa, CGE e Frontel e instituições que desempenham diferentes funções durante uma emergência.
Na segunda sessão, participaram o secretário regional ministerial de Transportes e Telecomunicações, Rodrigo Lagos; o diretor regional do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (SENAPRED), Ian Gorayeb; e o diretor regional da Corporação Nacional Florestal (CONAF), Héctor Tillería.
Também participaram representantes da Associação de Municípios da Região de La Araucanía (AMRA), o diretor regional da SEC, Felipe Massardo, e autoridades do Ministério de Energia.
A participação desses órgãos busca abordar as emergências elétricas a partir de diferentes áreas de responsabilidade.
Enquanto as distribuidoras realizam os reparos e restabelecem o fornecimento, o SENAPRED participa da coordenação da resposta a desastres. A CONAF contribui com sua atuação na prevenção e no combate a incêndios florestais, e a SEC mantém suas atribuições de supervisão e fiscalização do serviço elétrico.
Os municípios, por sua vez, podem ajudar a identificar as necessidades das comunidades e comunicar situações que exigem atenção prioritária.
O secretário regional ministerial Jorge Rathgeb explicou que a coordenação busca antecipar e responder com mais eficiência a eventos climáticos, terremotos, tsunamis e incêndios, por meio do compartilhamento de experiências e da identificação de oportunidades de melhoria.
Preparação passa do inverno aos incêndios florestais
Um dos temas abordados na reunião foi a transição dos riscos associados às chuvas e aos temporais para as ameaças próprias da temporada de verão.
Em La Araucanía, os incêndios florestais representam um risco para as linhas de distribuição e outras instalações elétricas, especialmente quando atingem áreas rurais ou territórios com vegetação abundante.
O contato de árvores e galhos com as instalações, os danos causados por incêndios e as dificuldades de acesso a determinadas áreas podem comprometer a continuidade do fornecimento e os trabalhos de reparo.
A coordenação entre empresas de energia, autoridades e órgãos de emergência é importante porque uma interrupção pode afetar ao mesmo tempo residências, unidades de saúde, sistemas de comunicação, serviços de água potável e instalações produtivas.
A preparação para o verão já havia começado antes dessa segunda sessão. Em setembro, a Secretaria Regional Ministerial de Energia reuniu representantes da CONAF, da SEC, de empresas de energia e do setor florestal para identificar pontos críticos e fortalecer o planejamento preventivo em áreas mais expostas a incêndios.
A nova mesa amplia esse trabalho ao incluir uma avaliação da resposta a diferentes tipos de emergência, entre eles os fenômenos sísmicos.
Manutenção das redes e fiscalização: duas tarefas ainda em avaliação
A coordenação institucional ocorre em conjunto com outras medidas destinadas a melhorar o funcionamento das redes regionais.
Em maio de 2026, o Ministério de Energia promoveu, em La Araucanía, a iniciativa preventiva «Empecemos por Casa», voltada a reforçar os trabalhos de poda, remoção da vegetação e manutenção das instalações antes do inverno.
Na ocasião, as quatro distribuidoras apresentaram seus respectivos planos de preparação. A CGE informou ter realizado trabalhos de poda e corte de árvores ao longo de 80 quilômetros, além de inspeções nos equipamentos.
Por sua vez, a SEC determinou que as distribuidoras da região elaborassem planos de manutenção para 2026, com base na análise de interrupções recorrentes e dos alimentadores elétricos críticos em cada município.
Um alimentador é um trecho da rede que transporta eletricidade das instalações de distribuição até diferentes áreas de consumo. Uma falha pode causar interrupções simultâneas para muitos clientes.
A identificação desses pontos permite direcionar os trabalhos de manutenção para instalações com problemas recorrentes. No entanto, a existência de planos preventivos não garante que os cortes de energia sejam eliminados, especialmente diante de eventos meteorológicos de grande intensidade.
O desafio será comprovar uma redução efetiva dos cortes de energia
Embora a segunda sessão tenha consolidado a participação de empresas e órgãos públicos, as informações divulgadas não detalham novos investimentos, metas quantificadas de redução das interrupções nem prazos específicos para a implementação de medidas adicionais.
Também não foram apresentados indicadores que permitam determinar se o trabalho do grupo já conseguiu reduzir a duração dos cortes ou acelerar o restabelecimento do fornecimento.
A eficácia dessa coordenação deverá ser avaliada por meio de resultados concretos, como a evolução dos tempos de restabelecimento, o cumprimento dos programas de manutenção e a resposta das empresas durante as próximas emergências.
La Araucanía conta agora com um espaço de coordenação que reúne os principais atores do sistema de distribuição e da gestão de riscos. O desafio será transformar as avaliações e experiências do inverno em medidas verificáveis antes que novos fenômenos climáticos ou incêndios voltem a comprometer o fornecimento de energia elétrica na região.






